COLUNA DE MARIO MATTA E SILVA

Poema
Tais e tantas divagações
Tais e tantas divagações
As divagações
permitem
perscrutar
o disperso
o fluido
no desordenar
dispersivo
do tempo
e do local
em gesto informal
do tudo observar
e nada fixar…
As divagações
prestam-se
à desordem
da mente
na perseguição
do ausente
(e talvez presente
se a preceito)
em conjugação
consciente
dos objectos
face ao sujeito.
As divagações
levam-nos
ao êxtase
do libidinoso
no reino caprichoso
das exaltações
sem coerência
alguma
que se dispersa
e se esfuma
perversa
e subtil
num ardil
de convulsões
numa ambiência
que nos cerca
sem horizontes
nem demência.
As divagações
transportam-nos
ao irreal
ao prazer corporal
desinibido
e ao transversal
do olhar cupido
nesse sentimento mais puro
quanto obscuro
do nosso ser
sem futuro
(logo intemporal)
que me devassa
vem e ultrapassa
a cada momento
feliz e radiante
de forma retumbante
e abismal…
assim passo o tempo a divagar
nesse outro olhar!
14.08.2010
MARIO MATTA E SILVA

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