site stats

Radio Raizonline   Banco de Poesia    Email    Portal   Motor de Busca  Newsletter   Livro de Visitas   Anuncios     Homepage    Feed

Recordar o Raizonline - Trabalhos dos Numeros de Arquivo

Poesia de Patrícia Neme

 

Auto-retrato ; Fiz do verde meu caminho...; Das rosas e dos Sonhos; Libertação

Publicado inicialmente no nº 35 de Agosto de 2009

Auto-retrato

 

Me pedes das feições... Contempla os traços
das vidas, cujo lar é uma calçada.
Caminhos, onde os sonhos são escassos,
aos quais o fado oferta o nada... Nada!

Encontra-me no olhar do pequenino
privado de carinhos, de alimento;
na infância - filha de único destino:
um chão, sem sepultura, alma em tormento.

é minha a voz pungente em elegia
às ilusões ceifadas pela guerra
(por quê pretendem vã toda agonia
da cruz, a suplicar por paz na terra?).

Meu rosto é feito da pura energia,
criando as esperanças do amanhã;
é cheiro de pão quente e mão macia
que planta e colhe o fresco do hortelã.

Em mim repousa o credo na igualdade
dos povos, pouco importam credo ou raça;
e a gratidão à eterna divindade
que a bichos, gente, plantas, tudo abraça.

Eu sou o verso aceso, alma serena,
sou noite perfumada de jasmim;
mãe de toda Maria - ou Madalena...
Me pedes das feições... Eu sou assim!

 

Fiz do verde meu caminho...

 

Fiz do verde meu caminho,
fiz da vida plantação;
plantei flor e passarinho,
filhos, versos e oração.
Plantei pão e plantei vinho,
com o amor da minha mão.
Caminhei por verdes mares,
fiz sorrir verdes olhares,
verde foi o meu jardim.
Verde foi minha esperança
no verdor das minhas tranças...
Hoje restam só lembranças
com as quais brinco cantares
da ventura que há em mim.
O Senhor é meu pastor
e nas verdes pradarias
me regala paz sem fim!

 

Das rosas e dos Sonhos

 

«O sonho que se esvai na desventura»
do anoitecer das pétalas das rosas,
é sonho embevecido pela alvura
da mão entregue às tramas amorosas.

O sonho que se esvai... Sonho ou loucura?
No sonho habitam cores enganosas...
E na loucura habita a entrega pura
de quem sonhou venturas ardorosas.

As rosas... Sempre as rosas por pretexto
para ilustrar a forma e dar contexto
ao que a palavra anseia em demonstrar.

Os sonhos... São as rosas desfolhadas
ao vento de ilusões vãs, derrocadas...
Em busca de um alguém a quem amar!

 

Libertação

 

E certo, amei-te além do meu bom senso,
com força, com delírio... Com loucura!
Amei, tão de profundis, tão intenso...
Que me perdi... Quando à tua procura.

E achei-me em pranto largo, triste, denso,
nos campos semeados de ternura.
Amei-te... E o meu amor foi tão imenso...
E para ti, foi tudo uma aventura...

Porém, quando faltou-me o tudo e o nada,
a vida fez surgir nova alvorada,
nos sonhos que eu sonhei, como jamais.

E agora, hoje eu me encontro em outro peito,
que pulsa em meu viver e no meu leito...
De ti... Por fim, eu não me lembro mais!

 

COMENTE

 

 

 

poesia
 
cronicas
 
contos
 
cultura
 
educação
 
agenda cultural
 
humor
 
ambiente
 
solidariedade
 
assuntos europeus
 
ciência
 
tecnologia
 
colunas/empresa
 
biografias
 
 
 
Desde 7 de Março de 2011
Free counters!