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Poesia de
Virgínia Teixeira
Uns e outros; Inverno
Uns e outros
Para uns o fado é a tristeza
Arrastam consigo o sofrimento e a saudade
Outros caminham pela Vida com leveza
E despedem-se sem lágrimas nem contrariedade
Uns carregam no peito as lágrimas de uma vida
E trazem o olhar húmido de melancolia
Outros trazem no peito uma alegria incontida
E no olhar um sorriso sem hipocrisia
Uns passam pelos dias sem nada vislumbrar
Outros abraçam a Vida com alegria
Uns tornam-se cegos pela cortina de lágrimas no olhar
Outros caminham como quem dança
Mas uns e outros são irmãos no dia da morte
Cadáveres apenas, qualquer que tenha sido a sua sorte.
Inverno
Entranha-se na pele e na alma este frio extremo
O ar glacial que sopra sem descansar nem amansar
O vendaval que não posso negar que temo
O gelo que se incrusta nos ossos sem se apiedar
Encharca-me a pele e a alma esta chuva incessante
A água que se agita num feroz remoinho
Como lágrimas que parecem brotar do meu peito suplicante
O manto de água que cobre toda a terra no seu caminho
O Sol que nunca vem para me aquecer os ossos cansados
Que nunca escorre a água do meu longo cabelo
Que nunca me liberta dos meus mantos pesados…
Cubro a alma de mantos e véus e rezo pelo degelo
Vergo-me à violência da chuva e sonho com um leito seco
que me acalente
Porque esta alma tão cansada ainda é a de uma
sobrevivente!
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