Pagª 17 - EDIÇAO NºL , II NUMERO  DE DEZEMBRO DE 2009 - COMENTARIOS Direcção Interina: Daniel Teixeira. Chefe de Redacção: Arlete Piedade. Relações Publicas: Alexandra Figueiredo. Educação e Cultura: Arlete Deretti Fernandes. Consultor Africa: João P. Correia Furtado.         

Agenda de EventosEmail BlogMotor de BuscaNewsletter AVALIE-NOSLivro de Visitas Anuncios Gratis Homepage Album FotosIndice Geral Arquivo


 Coluna de Liliana Josué  

HARPEJOS DE FELICIDADE

Naquele dia, apetecia correr despidos em direcção ao vento.
Escorregar num raio de sol até ao mar, tão transparente como olhares serenos.
O escuro dos desgostos, crueldades e traições ficaram pendurados nas portas dos quartos abafados.
Dançava no ar a esperança da renovação; o reencontro com a vida.
Bocas sorriam no vermelho das suas cores: Cerejas doces e cravos de Primavera.
Todas as mãos eram asas batidas de pássaros felizes, dando-se como ninhos macios.
Os corpos, nuvens brancas e suaves, deslizavam no sonho efémero do céu libertador.
O paraíso abria-se generoso.
Perfumes raros desprendiam-se dos cabelos, apaziguando outros odores.
Como era lindo o mundo, naquele dia.


Mas foi só naquele dia...

Porquê só naquele dia... ?


Remoinho

Vulcões alastram pela boca do mundo.
Remoinhos de negro fumo
sobem em espiral a caminho
do céu estéril.
Bailarinas sem talento dançam
ao som do remoinho de vozes.
O anormal bate palmas num remoinho
infernal.
Cabelos embranquecem em remoinhos
pedindo que os alindem.
Cães brigam num remoinho
de raiva salivando rosnadelas.
Gatos assanham-se num remoinho
de pelo atirando-se às noitadas.
Lábios buscam-se num remoinho
de angústia.
Olhos choram em remoinhos
de lágrimas.
Mãos procuram-se em remoinhos
de esperança...
E, eu parto para o nada
num remoinho de indiferença.


Eu

Eu sei que sou bem teimosa
e nervosa
com muitos picos de humor;
um horror.
Sei que não sou um «centrão»;
a perfeição;
que transbordo de emoções
em turbilhões.
Atropelo-me em palavras
conturbadas
e agasto-me nos porquês
dando gaguez
porque não quero esperar
e calar.
E mais forte do que eu
ó Deus meu.
Deixem-me ser como sou
e acabou.
Não queiram domar a fera
quando bera
porque será catastrófica
a basófia
de quererem ser admirados
p´los pasmados
que julgam tal ser possível
e credível.

Eu sou eu e mais ninguém...
está bem!?

 

 

Coluna de Rosa Pena

Baila Comigo

Eu sou uma razoável idéia com cabeça, tronco e membros que se magoa com palavras duras soltas ao acaso, mas se lixa para palavrões bem ditos na lata, que não gosta de bebidas alcoólicas, mas ama um pilequinho no momento certo, que odeia pieguices apelativas, mas chora de montão em final de comédia romântica.

Não sei quase nada de nada, estou que nem o Roberto Carlos, «Quem sabe menos das coisas; Sabe muito mais que eu», porém sei com toda certeza: Quero você!

Gosto demais do Nelson Rodrigues, mas odeio a vida como ela é. Queria que ela fosse mais baila comigo como se baila na tribo.

Adoro Coca-Cola e um sorriso, a coca com bastante gelo e limão já o sorriso!?! Bonito é aquele que emoldura seus dentes. Dele gosto sem gelo e sem limão. Quente e doce.

Qualquer beijo dado com carinho é bom. O seu é o aumentativo desse adjetivo. Na boca vira superlativo absoluto. No Natal quero um monte de... para... (no queixo, no ombro, no pescoço, na...).

Não sou oportunista, mas tenho medo de deixar passar oportunidades. Sentir que lá se foi a vida e eu fiquei vendo-a passar.

Esse negócio de «Navegar é preciso; viver não é preciso» é para o Fernando Pessoa. Adoro viver tudo e também gosto de navegar, principalmente na Net:
—  Palmas para todos os meus amigos reais e virtuais.

Adoro acontecimentos bons. Descobertas de vacinas, dias D, quedas de ditadores, prisões de companheiros que não acompanham seus «companheiros», estréias, vernissage, viagens...

Eu sou compulsiva por pulseiras, brincos, colares, anéis, enfeites! «Se Deus quiser um dia eu quero ser índio».
 
Sou mestre em esquecer os meus óculos, os nomes das pessoas, das ruas, as datas, a nova reforma ortográfica (essa esqueço de propósito), mas jamais esqueci de você.


Eu escondo que tenho medos, finjo que sou segura e resolvida. Dirijo mal o meu carro, mas conduzo bem minhas frustrações. «Eu sou tão banal assim, como um pardal».

Eu queimo calorias, neurônios e gestos. Grito com o olhar e beijo com a voz. Sou exagerada e tem até quem me ache louca. Será que é porque sempre sonhei em viver pelada pintada de verde e amarelo? Brasil!

Eu quero morrer de overdose de paixão ouvindo muita música. Eu amo você!

Mas enquanto não chega a maldita hora da dona da vida entrar em cena eu sigo querendo que o novo ano venha sem peso algum, deixando os 2009 danos por aí em algum vácuo vagabundo.

Quero que venha pronto para flutuar no amplo azul, venha guri que acredita na vida infinita e que a acha bonita, venha em papel de seda no formato de uma pipa que alcançará o paraíso com um bilhete avisando ao universo:

— Crianças têm o direito de acreditar em fadas, homem- aranha, duendes, Papai Noel, cartão de crédito sem juros.

Mais que viver, sonhar é preciso. Eu ontem sonhei com você.

Feliz Natal.

www.rosapena.com