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, II NUMERO DE DEZEMBRO DE 2009 - COMENTARIOS
Direcção Interina: Daniel Teixeira. Chefe de Redacção: Arlete Piedade.
Relações Publicas: Alexandra Figueiredo. Educação e Cultura: Arlete Deretti
Fernandes. Consultor Africa: João P. Correia Furtado.
COLUNA DE ABILIO LIMA
Tem como actividades principais a de Formador, de Consultor Técnico e a
Prestação de Serviços e Apoio Técnico a Entidades do Sector Agrícola.
Para além da sua actividade profissional é Conferencista da Team Europa que
é uma rede de conferencistas independentes da Comissão Europeia
especialistas em temas específicos da União Europeia, existentes em diversos
pontos do país e que estão disponíveis para intervir em conferências,
seminários, debates, iniciativas nas escolas, acções de formação, ou para
contribuir com artigos na imprensa e programas de rádio, nomeadamente a
nível local.
Abílio
Lima é Engenheiro Agrário com larga experiência na sua área profissional e
no campo da formação e desenvolvimento de projectos.
Neste jornal Abílio Lima desenvolve a parte noticiosa e informativa dos
eventos que têm lugar a nível comunitário relacionados directa ou
indirectamente com Portugal ao mesmo tempo que presta os esclarecimentos
que lhe forem solicitados sobre programas comunitários, formas de
candidatura a programas comunitários e de uma forma geral tudo o que esteja
relacionado com a União Europeia.

«Pacto de Autarcas» chega aos 1 000 signatários!
No dia em que se iniciou em Copenhaga a 15ª Conferência das Nações Unidas sobre as Alterações Climáticas (7 de Dezembro), a União Europeia deu mais uma vez o exemplo neste domínio anunciando que o número de signatários do Pacto de Autarcas sobre Energia Sustentável já foi subscrito por um milhar de signatários. A cidade alemã de Rostock tornou-se a partir deste dia a milésima signatária do Pacto, comprometendo-se a superar o objectivo europeu de reduzir em 20% as emissões de CO2. Desenvolvimento em IP/09/1886
União Europeia regista avanços para um melhor sistema de patentes
O Conselho adoptou unanimemente as conclusões sobre um melhor sistema de patentes na UE, no sentido de se criar uma patente única europeia e um novo tribunal europeu das patentes. Estes elementos permitirão às empresas proteger mais facilmente as tecnologias inovadoras, facilitando a resolução dos litígios. O presente acordo prepara o caminho para a resolução de questões pendentes, a fim de se proceder brevemente a uma grande reforma do sistema de patentes da UE. Mais Desenvolvimento em IP/09/1880.
Comissão lança votação online para novo logótipo biológico da UE
A partir de 7 de Dezembro, a Comissão Europeia convida todos os europeus a votarem na fase final do concurso para o logótipo biológico da UE. Poderá exercer o seu voto no endereço , onde os três logótipos finalistas figurarão até 31 de Janeiro. O novo logótipo pretende reforçar a protecção dos consumidores e promover a agricultura biológica. Contrariamente ao actual, a sua aposição será obrigatória em todos os produtos biológicos pré-embalados originários dos 27 Estados-Membros e que cumpram as normas de rotulagem. Informações em IP/09/1883.
Liubliana, sede da Agência de Cooperação dos Reguladores da Energia
Os Estados-Membros decidiram que Liubliana, na Eslovénia, será a sede da nova Agência de Cooperação dos Reguladores da Energia. O Comissário da Energia, Andris Piebalgs, regozijou-se com esta decisão, que prepara a instalação desta agência e, por conseguinte, a aplicação efectiva do terceiro pacote legislativo sobre a liberalização do mercado da energia. Mais Informações em IP/09/1885.
Auxílios estatais: painel de avaliação revela forte aumento dos auxílios em resposta à crise financeira, mas o mercado único mantém-se intacto
O último Painel de Avaliação dos Auxílios Estatais da Comissão Europeia revela que a crise financeira contribuiu para um acentuado aumento do volume global dos auxílios concedidos, que passaram de 66 500 milhões de euros ou 0,52% do PIB da UE em 2007 para 279 600 milhões de euros, ou seja 2,2% do PIB em 2008. Excluídas as medidas tomadas no contexto da crise, o montante total dos auxílios cifrou-se em 2008 em 67 400 milhões de euros, ou seja, 0,54% do PIB. A intervenção atempada e coordenada por parte dos Estados Membros e da Comissão contribuiu para salvaguardar a estabilidade financeira. Além disso, a política da Comissão Europeia em matéria de auxílios estatais foi um dos elementos-chave que contribuiu para esta situação, tendo assegurado que o processo de recuperação - globalmente bem-sucedido - se desenrolasse de forma coordenada. A Comissão autorizou a aplicação rápida de medidas de apoio sem precedentes, tendo garantido simultaneamente que o mercado único não fosse perturbado por distorções da concorrência desproporcionadas. Os auxílios não relacionados com a crise económica mantiveram-se estáveis, continuando a ser norteados por objectivos de interesse comum. Mais Info em IP/09/1884 e MEMO/09/540.
Rede do «Mestrado Europeu em Tradução» (EMT) já está operacional
Entre 8 e 9 de Dezembro realizou-se em Bruxelas a reunião de constituição da rede «Mestrado Europeu de Tradução» (EMT). As universidades participantes, que oferecem programas de formação em tradução, reuniram-se para estabelecer a estrutura de gestão da rede e elencar as competências que no futuro poderão ser necessárias a um tradutor profissional. Em Setembro último foram seleccionados 34 programas de mestrado em tradução de universidades de toda a Europa - entre os quais o da Faculdade de Letras da Universidade do Porto - para participarem na rede EMT por um período inicial de quatro anos. No final de 2010 será lançado um segundo convite. Com a rede EMT está agora disponível um selo de qualidade para os programas de tradução a nível de mestrado. Este selo abrirá caminho a um ensino de elevada qualidade para os estudantes de tradução, permitindo permitirá alargar os seus horizontes profissionais, assegurando, simultaneamente, a formação de recursos humanos competentes, inclusivamente para as instituições públicas. Poderá obter mais informações sobre o EMT e acompanhar a conferência em directo em. Info em IP/09/1887.
Ministros do Euromed reforçam as relações comerciais e o investimento euromediterrânico para além de 2010
Os ministros do Comércio da UE e dos países mediterrânicos encontraram-se a 9 de Dezembro em Bruxelas para discutir os próximos passos em direcção a uma Zona de Comércio Livre Euromediterrânica, sólida e abrangente, a partir de 2010. Mais Desenvolvimento em IP/09/1890.
Primeira reunião de ministros dos Negócios Estrangeiros da Parceria Oriental
A primeira reunião de ministros dos Negócios Estrangeiros no âmbito da Parceria Oriental realizou-se a 9 de Dezembro em Bruxelas e os ministros dos 27 Estados-Membros, bem como da Arménia, Azerbaijão, Bielorrússia, Geórgia, Moldávia e Ucrânia, e as instituições da UE. Além de tomarem nota dos progressos realizados tanto nas vertentes bilateral como multilateral da Parceria Oriental, os ministros aprovaram os programas de trabalho para 2010. Os trabalhos bilaterais para aprofundar as relações bilaterais estão a avançar a um bom ritmo, devendo ser possível proceder em 2010 às negociações com cinco países da Parceria Oriental tendo em vista a celebração de acordos de associação. Informações em IP/09/1891.
Concursos públicos: alteração dos valores
As directivas relativas aos concursos públicos prevêem um procedimento de revisão bienal dos respectivos limiares. A partir de 1 de Janeiro de 2010 aplicam-se os novos limiares definidos no Regulamento (CE) n.º 1177/2009, de 30 de Novembro de 2009, estando os correspondentes valores em moedas nacionais indicados na Comunicação da Comissão publicada no Jornal Oficial da União Europeia C 292 de 2 de Dezembro de 2009. Mais Informações em .
Lévi-Strauss
O Pensador que nos ofereceu um modo de entender o humano como sistema de relação.
Por Arlete Deretti Fernandes
Nascido em Bruxelas, na Bélgica, Lévi-Strauss foi um dos grandes pensadores do
século 20. Ele, tornou-se conhecido na França, onde seus estudos foram
fundamentais para o desenvolvimento da antropologia. Filho de um artista e
membro de uma família judia francesa intelectual, estudou na Universidade de
Paris.
Claude Lévi Strauss, morreu em Paris no último dia 31 de outubro, um mês antes
de completar 101 anos.
Ele dizia nas últimas entrevistas que não mais pertencia ao mundo dos vivos, mas
a um século que finalizava e que se sentia feliz em não precisadentrar-se muito
no atual, num mundo obeso em que a humanidade e o lixo que ela produz, crescem
sem medida, a custo de tudo o mais.
Strauss criou uma nova teoria sobre os fundamentos do social, mostrando que é
possível resumir a complexidade dos mitos ou dos sistemas de parentesco em
poucas equações. Fez ver que um pensamento afetado pode se levantar não apenas
sobre conceitos abstratos, mas também sobre o caráter do sensível. Ele mesmo o
demonstrou numa obra de mais de 3 mil páginas, Mitológicas, que alterou para
sempre o modo de entender as culturas indígenas das Américas.
Sua inspiração veio das analogias entre mitos e músicas, ou entre as simetrias
da Natureza e as das criações humanas.
Sendo um homem de ciência, ele desafiou a superioridade da civilização
ocidental. Sem trazê-la de um modo explícito sugeriu uma ética não humanista
baseada na diversidade e na distância, a ser examinada por todos os ecologistas.
Foi criticado como formalista frio, mas também como autor demasiado engenhoso.
Suas idéias tem ainda uma longa vida pela frente. Teve uma legião de discípulos,
mas não criou escola, no sentido de uma facção acadêmica armada de uma
ortodoxia.
Historiadores e filósofos foram muitas vezes mais sensíveis às suas idéias que
seus colegas de profissão. Suas idéias estão sobre a cultura ocidental do último
meio século, muitas vezes refutadas pelos mesmos críticos que as espalharam
anteriormente.
Strauss foi redescoberto em vida nos últimos vinte anos. De um lado ele era um
intelectual consagrado, suas obras ofereciam o cânone para temas como o racismo
e o conceito de progresso. Seu texto Raça e História, procedente de uma
conferência encomendada pela UNESCO nos anos 1950, a ,universalidade da razão
humana (discutida em O Pensamento Selvagem, o livro de Antropologia mais citado
fora dos estreitos limites da disciplina), ou o tabu do incesto, (ponto de
partida de As estruturas elementares do parentesco)
Contra as essências e as identidades, contra a cultura entendida como padrão
fixo, Lévi - Strauss ofereceu um modo de entender o humano como contínua
variação, como sistema de relações .Em lugar de aceitar os grandes relatos da
sociedade ocidental, com suas mensagens edificantes de progresso, ou emancipação
ele sugeriu que a Historia é feita de modos diferentes de perceber a historia:
como repetição e adaptação de modelos eternos – é o que preferem as sociedades
primitivas e arcaicas, que gostam de ver como velhas conhecidas mesmo as
novidades mais abruptas – ou como uma mudança contínua e acelerada, como gosta
de acreditar a nossa civilização, que a cada passo declara encontrar coisas
nunca antes vistas no mundo.
Outros sugeriram que o mito era a história dos primitivos; ele preferiu indicar
que a história servia muito bem de mito aos modernos.
Lévi Strauss não quis fazer da ciência um outro mito semelhante. Se alguma vez
projetou submeter a antropologia a uma linguagem matemática, o resultado foi,
paradoxalmente uma modéstia que nem sempre se encontra nas ciências humanas: ao
lado destas poucas formas e equações, o que destaca é o infinito do mundo que os
humanos deverão viver sem que nenhum saber supremo o leve da mão. Talvez seja
esta a garantia de atualidade de sua obra: em lugar de certezas codificadas, ela
oferece um exemplo de imaginação teórica que sempre encontrará novos objetivos.
De início, cursou leis e filosofia, mas descobriu na etnologia sua verdadeira
paixão. No Brasil, lecionou sociologia na recém - fundada Universidade de São
Paulo, de 1935 a 1939, e fez várias expedições ao Brasil central. É o registro
dessas viagens, publicado no livro «Tristes Trópicos» (1955) que lhe trará a
fama. Nessa obra ele conta como sua vocação de antropólogo nasceu durante as
viagens ao interior do Brasil.
«Ele soube partir do empirismo para dialogar e colocar a antropologia em pé de
igualdade com outras ciências humanas, como a filosofia. Lévi-Strauss é um autor
fundamental», afirma Renato Sztutman, professor do Departamento de Antropologia
da USP e mestre e doutor em Antropologia Social na área de etnologia indígena.
Exilado nos Estados Unidos durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945),
Lévi-Strauss foi professor nesse país nos anos 1950. Na França, continuou sua
carreira acadêmica, fazendo parte do círculo intelectual de Jean Paul Sartre
(1905-1980), e assumiu, em 1959, o departamento de Antropologia Social no
College de France, onde ficou até se aposentar, em 1982.
O estudioso jamais aceitou a visão histórica da civilização ocidental como
privilegiada e única. Sempre enfatizou que a mente selvagem é igual à
civilizada. Sua crença de que as características humanas são as mesmas em toda
parte surgiu nas incontáveis viagens que fez ao Brasil e nas visitas a tribos de
indígenas das Américas do Sul e do Norte.
O antropólogo passou mais da metade de sua vida estudando o comportamento dos
índios americanos. O método usado por ele para estudar a organização social
dessas tribos chama-se estruturalismo. «Estruturalismo», diz Lévi-Strauss, é a
procura por harmonias inovadoras.
A corrente estruturalista da antropologia, da qual Lévi-Strauss é o principal
teórico, surgiu na década de 40 com uma proposta diferente da antropologia de
viés funcionalista, predominante até então. «O funcionalismo se preocupava com o
funcionamento de cada sociedade e em saber como as coisas existiam na sua função
social. O estruturalismo queria saber do trabalho intelectual. Olhar para os
povos indígenas e buscar uma racionalidade e uma reflexão propriamente nativa»,
diz Sztutman.
Suas pesquisas, iniciadas a partir de premissas linguísticas, deram à ciência
contemporânea a teoria de como a mente humana trabalha. O indivíduo passa do
estado natural ao cultural enquanto usa a linguagem, aprende a cozinhar, produz
objetos etc. Nessa passagem, o homem obedece a leis que ele não criou: elas
pertencem a um mecanismo do cérebro. Escreveu, em «O Pensamento Selvagem», que a
língua é uma razão que tem suas razões - e estas são desconhecidas pelo ser
humano.
«Ele abriu um caminho para pensar a filosofia indígena, valorizar o lado
intelectual dos povos estudados, e não ficar naquela coisa «nós (ocidentais)
temos uma grande teoria e eles não». Lévi-Strauss abriu caminho para valorizar o
aspecto intelectual de outras populações», acrescenta Sztutman.
Lévi-Strauss não via o ser humano como um habitante privilegiado do universo,
mas como uma espécie passageira que deixará apenas alguns traços de sua
existência quando estiver extinta.
Membro da Academia de Ciências Francesa (1973), integrou também muitas academias
científicas, em especial européias e norte-americanas. Também é doutor honoris
causa das universidades de Bruxelas, Oxford, Chicago, Stirling, Upsala, Montréal,
México, Québec, Zaïre, Visva Bharati, Yale, Harvard, Johns Hopkins e Columbia,
entre outras.
Aos 97 anos, em 2005, recebeu o 17o Prêmio Internacional Catalunha, na Espanha.
Declarou na ocasião: «Fico emocionado porque estou na idade em que não se
recebem nem se dão prêmios, pois sou muito velho para fazer parte de um corpo de
jurados. Meu único desejo é um pouco mais de respeito para o mundo, que começou
sem o ser humano e vai terminar sem ele - isso é algo que sempre deveríamos ter
presente».
Referências
Wikipédia
UOL- Educação
Apostila: Teoria Literária
Jornal O Estado de São Paulo de 31-10-2009