Pagª 27 - EDIÇAO NºL , II NUMERO  DE DEZEMBRO DE 2009 - COMENTARIOS Direcção Interina: Daniel Teixeira. Chefe de Redacção: Arlete Piedade. Relações Publicas: Alexandra Figueiredo. Educação e Cultura: Arlete Deretti Fernandes. Consultor Africa: João P. Correia Furtado.         

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Poesia de Pequenina

PRIMAVERA

Passa por mim uma brisa
Com o suave aroma da terra
Nascem as flores nos campos
Alargam-se ao pé da serra.

Voam as aves nos bosques
Borboletas ensandecidas
Que buscam em tirar das rosas
O doce pólen da vida.

É a primavera risonha
Colorindo a minha vidraça
Subindo pelos beirais
Singela e cheia de graça.

São as cores da natureza
Que nem tu, nem eu sei pintar
Tamanha é a delicadeza
Que mal se pode tocar.

Alegra-me tanta beleza
Perfume em forma de cor
Misturam-se em igualdade
Ás asas do beija-flor.


Já não sou mais eu

Já não sei onde ando
Se bem na terra ou no céu
No espaço, vivo ao léu
Contando as horas do tempo
Acampada por sobre as nuvens
Perdida no infinito
Não sou nada, sou o grito.

Trago a alma cravada
Carente e desamparada
Que aos poucos se declina
Sufocada pela neblina
Foi-se de mim, à menina
Já não mais me reconheço
À vida cobra o seu preço.
Deixem-me dormir
Descansar o meu pensamento
Afugentar os sofrimentos
As angústias, os tormentos
Já não mais sei quem eu sou…
Sou folhas secas ao vento
Oca de sentimento.
Já não sinto as minhas dores
Não mais me ferem os espinhos
Já não me sangram as feridas
Esgotaram-se os meus queixumes
Com o tudo que se perdeu
Nada restou de meu…
Já não sou mais «EU»…


No zunir do vento...

Ouço-te; no zunir do vento
Movendo a areia, rompendo as vidraças
Esvoaçando as cortinas
Quebrando o silêncio do meu quarto
Me atiras para o alto…
Nada dizes, nada falas…
Mas mesmo que calado, eu ouço-te
No tremular das minhas mãos
No descompasso do meu coração
Na minha imaginação.
Que me vês; é um fato
Mesmo sendo tu, um retrato
Olhas-me e desejas-me
Seduz-me com o teu olhar abrasador
Flamejante de amor.
Um amor aventureiro
Embutido numa moldura estática
Sensitivo, e imponderado
Imagem viva de um passado presente
Timbrada na minha mente.
Tua mudez me sufoca
Não te queixas, não contestas
Recolhido num mutismo que me corta
Mudo te vais, dando-me as costas…
Zune o vento, á bater a porta.

 

 

Poesia de José Manuel Veríssimo

CANTIGA DE AMIGO

Amigo onde estás?

       Para ir ter contigo

 

Perto

       Em perto

       Sou imagem

       De um corpo deserto

 

«lá longe, lá longe estou bem»

 

 Amigo

       Onde estás?

        Para ir ter contigo.

 

«Perto bem perto de ti»

                 Gémeo invisível

 

 Presente em mim

                   Acessível?

 

Espero

              Mas sigo

 

 Amigo

           Onde estás ?

           Para ir ter contigo

 

«Perto bem perto de ti»

 

            Percorro a mundo

 

Apátrida aqui

 

              Passos : contados

                             Passados

                             Cansados

Procura sem fim

             Do amor que não vi

 

Amigo

Onde estás?

                   Para ir ter contigo

 

Lá longe

E bem perto

           Mesmo aqui!!!!!!!

 

Batalha: Encoberta

              Travada

              Renhida

 

Dentro de ti

           Caminho deserto

           Tão longe e tão perto

            De ti e da vida

                                                         Lisboa 1979