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, II NUMERO DE DEZEMBRO DE 2009 - COMENTARIOS
Direcção Interina: Daniel Teixeira. Chefe de Redacção: Arlete Piedade.
Relações Publicas: Alexandra Figueiredo. Educação e Cultura: Arlete Deretti
Fernandes. Consultor Africa: João P. Correia Furtado.
Maria das Candeias Leal
Biografia
Maria das Candeias Leal, nasceu a 4 de janeiro de 1952, na freguesia da
Candelária ilha do Pico Açores. Fez a quarta classe, aprendeu a arte da costura
com sua avó materna, casou aos 18 anos, ficou na ilha, onde lhe nasceu o
primeiro filho. Em 1973 acaba por emigrar para o Canadá onde , já em Toronto lhe
nasce mais um casal. Segue os trilhos tradicionais da divisão das tarefas de
mãe, dona de casa, operária, e o que mais...
Em Marco de 1996, após uma convulsão doméstica, descobre a vontade de confiar ao
papel parte dos seus sentimentos. Colaborou com a revista Gente Modesta, e em
Outubro de 1998 publica seu primeiro livro, «Arquipélago de Solidões».
Continua colaborando nos jornais da comunidade portuguesa em Toronto e em 2000
publica seu segundo livro «Valeu a Pena». Desde esse tempo seus artigos foram
espalhados por alguns jornais em Portugal, nos Açores e em algumas páginas na
Net. Hoje um pouco afastada da escrita, de vez em quando colabora com o
Post-Milénio em Toronto e Além-Fronteiras em Kitchener.
candeiasleal@hotmail.com

O Fluffy desapareceu na zona de Vale de França/Praia do Vau. Tem pêlo acastanhado, uma mancha no nariz, e o olho direito fechado. Tinha coleira quando desapareceu. É um cão muito sociável. Se vir algum cão com estas características, por favor, contacte. Muito Obrigado.
Fluffy has a spot on his nose and the right eye is closed. He had a collar when
he disappeared. He is a very friendly dog.
If you see a dog with these characteristics, please contact: 914554051
daniel_n_martins@hotmail.com
Nome/Name:
Fluffy
Raça/Breed: Pequinês
Desapareceu em/Disapperead in: Vale de
França/Praia do Vau, Portimão
Data e Hora/Date and Time: Quarta-feira,
7 de Outubro de 2009/Wednesday,
October 7th, 2009
Idade/Age: Adulto/Adult
Porte/Size: Pequeno/Small
Sexo/Sex: Macho/Male
Cor Principal/Main colour: Bege/cream
Cor Secundária/Other colours: Castanho/Brown
Padrão/Fur's Pattern: Liso/Straight
Pêlo/Fur: Longo/Long
Peso (em kg)/Weight (in kilos): 5,0
Identificação/Microchip or Identification: Não/No
Esterilizado/Castrated: Sim/Yes
Informações Adicionais/Addicional Information:
O Tot desapareceu

O Tot desapareceu em Vale Judeu, concelho de Loulé no dia 26 de Novembro de
2009. Trata-se de um podengo português de porte grande, de olhos amarelos. Tem
uma coleira de cabedal castanha clara sem identificação. Ele é muito sociável e
meigo. É um cão de companhia. Foi esterilizado. Possivelmente está assustado,
pois é muito piegas.
Por favor contactar:
Lucília Pires
919244354
cilapires@hotmail.com
José Pires
938291084

Cadela encontrada em Faro
Foi vista em vários pontos da cidade o que não dá pistas para se saber a sua proveniência.
Pedimos a quem possa divulgar e ajudar no seu regresso a casa, pois é muito
meiga e está bem tratada o que significa que tinha um lar.
Contactos: 914 296 727 ou 964 290 385
Alinhavando…
Crónica por Maria das Candeias Leal
De madrugada, ainda deitada, começo a alinhavar. Tem dias que alinhavo tanta coisa que nunca chego a costurar. Alinhavo, alinhavo e vou colocando no «cesto de costura» da minha memória. Levanto-me, visto o robe, faço o café e vou sentar-me em frente ao computador. Enquanto bebo o café e como a torrada, vejo o correio, entro no Flickar, depois no Facebook, e por fim no Pogo, ficando por ali algum tempo jogando jogos com pessoas que vivem em outras partes do Mundo. E tudo o que tinha alinhavado fica no cesto à espera de eu o «coser».
Farta das cartas, dos dominós, ou das pessoas que comigo jogam, por estas me
fazerem perguntas que não sei responder porque não sei escrever em inglês,
abandono o computador. Olho os campos pela janela e dou mais uns alinhavos. Vou
vestir-me para sair, andar um pouco na trilha, podar algumas árvores, fazer isto
ou aqui. Contudo dou meia volta, nada disto faço e o cesto dos «alinhavos» cada
vez fica mais cheio...
De vez em quando, dou uma volta ao cesto para ver o que lá tenho. Tanta coisa: a
casa para limpar, um bolo para fazer, a ceia, enfim, coisas que não as fazendo
hoje podem ser feitas amanhã e, como tenho tantos amanhãs, acabo passando os
alinhavos de um dia para o outro. Resolvo a ceia com os restos do outro dia,
para sobremesa uns bolinhos comprados, a casa se não for limpa não faz mal,
afinal não está muito suja e, assim, se passa o dia nesta indolência.
Não gosto nada desses dias, prefiro aqueles, em que me levanto, sem ter
alinhavado nada e dou por mim a costurar o que alinhavara na véspera. Esses sim,
são muito mais gostosos e saudáveis. Todavia, tenho que aceitar os dois, pois
ambos fazem parte da minha vivência. Tenho que compreender que na minha idade
posso dar-me ao luxo de passar alguns dias de moleza, alinhavando e não
costurando, porque já não necessito de tanta roupa nem de outros bens materiais.
Esses dias de preguiça, que para algumas pessoas podem cheirar a boa vida, a mim
cheiram a depressão, não gosto desse cheiro e fico de ouvido à escuta, em caso
de ela me bater à porta. Ela é maligna, mesmo não lhe abrindo a porta, tenta
entrar pelo buraco da fechadura. Por isso, mesmo sem me apetecer, vou ao cesto
dos alinhavos, procuro algo que não me dê muito trabalho a terminar e me faça
sair de casa.
Vale-me a moto de quatro rodas, com ela percorro os campos. Vou até às margens
do rio, neste caminho encontro uma linha férrea, algo que me faz parar a moto e
ficar olhando a imensidão dos carris enquanto vagueia o pensamento. O ar fresco,
além de nos fazer muito bem, refresca-nos as ideias e volto a casa com vontade
de costurar. O cheiro da depressão evapora-se e, tranquilamente, sento-me ao
lado do cesto dos alinhavos, pronta para realizar algum projecto.
Comparo o alinhavar com o sonhar. Quando somos novos, em vez de alinhavar,
sonhamos, e vamos guardando esses sonhos numa gaveta (ou cesto) do nosso íntimo,
com a esperança de um dia serem realizados. Quantas e quantas vezes, abrimos
essa gaveta, para examinar esses sonhos que nunca sabemos ao certo se chegarão a
ser efectuados! Mesmo assim, continuamos sonhando e guardando na mesma gaveta.
Com fé, esperamos, que um dia, algum se torne real.
Acontece, com o passar do tempo, não vendo nada de concreto, ficamos desiludidos
e perdemos a confiança nos sonhos. Achamos que não vale a pena sonhar mais, a
não ser pelos filhos e é, com esse pensamento, de sonhar para eles o que um dia
sonhámos para nós que, mesmo perdendo um pouco dessa fé, continuamos sonhando. E
sem darmos por isso, mais tarde ou mais cedo, o sonho torna-se realidade. Se não
for em nós é neles.
O sonho nem sempre surge como nós esperávamos, ou como nós o sonhámos, chega em
cores e tempos diferentes, mas chega. Como chega tardiamente, e o cor-de-rosa já
não tem o mesmo brilho, algumas pessoas não dão por isso e, acabam perdendo a
oportunidade de viver esse sonho, há tanto tempo sonhado.
Julgo que ao chegarmos a uma certa idade, deixamos de sonhar, achamos que já não
vale a pena. Porém, tal como as roupas alinhavadas que poderão um dia ser
costuradas e estreadas, assim começam os sonhos. Sem alinhavo e sem sonho, a
vida perde o gosto.
Candeias Leal