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, II NUMERO DE DEZEMBRO DE 2009 - COMENTARIOS
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Fernandes. Consultor Africa: João P. Correia Furtado.
Histórias da Vida Real

Crónicas por Martim Afonso Fernandes
O que pode ser feito com um charuto
usado com inteligência...
Quando menos se podia esperar, naquela cidade pacata ocorreu um homicídio na
calada da noite.
Era inverno rigoroso.
A família contratou um advogado criminalista dos melhores.
A causa do crime era uma incógnita, quem foi e porquê, só o advogado sabia.
Deu-se início ä sessão, foram lidos os autos do processo.
Antes da acusação iniciar, o advogado de defesa do réu acendeu um charuto
daqueles especiais, usados por magnatas
O usuário foi observado por todos daquele tribunal.
Chegou a hora da defesa. O charuto encontrava-se pela metade, a outra metade
era cinza pura, como se estivesse congelado.
A observação era unânime para a mão que sustentava o objeto fumegante.
As palavras estenderam-se entre um gesto e outro da mão, quando eram
pausadas.
Os argumentos e atenuantes em prol da defesa do réu, fizeram com que o corpo
de jurados e o Juiz, viessem a absolvê-lo.
A sós, o Juiz perguntou para o defensor:
- De que marca é este charuto?
E ele respondeu:
- Da mesma marca que Vossa Excelência usa, apenas fiz com que a cinza não fosse ao chão, por dois motivos:
Um para não sujar e o outro para os presentes se aterem para que eu pudesse
aproveitar a falação com segurança como estava aquela cinza, na certeza de
que meu acusado era inocente e também seguro.
-E agora, perguntou o juiz, para onde a cinza vai?
O advogado com a ponta do charuto que mantinha na boca, preso pelas pontas dos dedos bateu a cinza que caiu no cinzeiro, ficando apenas o toco do charuto e o arame que havia dado sustentação as cinzas, o verdadeiro segredo da profissão.
O Fusca casa, a casa Fusca.
Causo
por José Pedreira da Cruz
Desde pequeno, o Aloisio
Só vivia a sonhar
De ter um fusca bonito
Pra com ele desfilar
E de ver a mulherada
Só por ele se esganar
O tempo foi transcorrendo
Sem dar fim ao pensamento
E quando ficou rapaz
Abandonou seu jumento
Disparou para São Paulo
Como um pássaro ao vento
Lá arranjou um emprego
De ajudante geral
E com o que dele ganhava
Só podia passar mal
Mas com muita economia
Formou logo um cabedal.
Com o dinheiro adquirido
Comprou o fusca sonhado
Vivia todo poseiro
Bem vestido e perfumado
Só não podia dirigir
Por não ser habilitado.