Pagª 29 - EDIÇAO Nº L , II NUMERO  DE DEZEMBRO DE 2009 - COMENTARIOS Direcção Interina: Daniel Teixeira. Chefe de Redacção: Arlete Piedade. Relações Publicas: Alexandra Figueiredo. Educação e Cultura: Arlete Deretti Fernandes. Consultor Africa: João P. Correia Furtado.         

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Ventos no Ciberespaço

Descrição Candanga da expectativa que caracteriza a ansiedade por chuva.

Por Sandra Fayad

 

 

 

 

Descrição Candanga da expectativa que caracteriza a ansiedade por chuva.

Hoje os ventos estão me acenando da janela.
Anunciam que do céu virá água potável
Para abrandar a seca, aguçar nossa quimera
Com poesias, por um tempo leve, saudável.
Se vamos vivê-lo? Não sei se o viveremos.
Parece faltar tempo para vê-lo acontecer,
Embora sintamos voar o tempo que temos
Em transformações, sem tempo para absorvê-las.
- Até os ventos ingressaram no ciberespaço!
No alto, as nuvens nem se formam mais.
Segue a poeta acelerada, em descompasso,
Sem solo sob os pés ou céu para seus ais...


30/09/07


No final do primeiro semestre do ano civil, as rachaduras rondam faceiras nossa pele viçosa.

Os ventos que antes traziam gotas de orvalho agora fazem dançar as folhas amarelas das grandes árvores; movimentam-se verticalmente formando círculos progressivos em direção aos telhados dos edifícios e das casas, no primeiro momento.

Entopem as calhas, que começam a cair no esquecimento porque, com certeza absoluta, estarão em desuso nos cinco meses seguintes.

Depois folhas misturam-se aos papéis, plásticos e grãos de terra arenosa, ampliando o volume heterogêneo no visual de mau gosto. Rolam unidos e depois separados sobre o solo, ultrapassam ruas asfaltadas, gramados irregulares para dançarem um balé sufocante, sem esforço, diante dos nossos olhares desolados.

Entorpecem nossa vontade de abrir os vidros embaçados das janelas das residências e as pálpebras ressecadas, que cobrem a íris opaca.

Nesse vai e vem desprovido de sintonia, nos cobrimos de cremes e tomamos nosso assento no camelo imaginário que insiste em se fazer presente nos nossos pesadelos.

Partimos para a hibernação sempre imperfeita, sempre incompleta, na companhia indesejável da Aridez, hóspede disfarçada de naturalidade, que domina o Planalto Central do Brasil. Chega como chegam certos políticos de caráter questionável à Capital da República, com intenções escusas, sem relação afetiva com a terra em que se instalam.

Tanto em um quanto em outro caso, vem apenas de passagem (ainda bem!). Se pudéssemos abreviaríamos sua permanência. Um não assusta o outro. Mas nós, nativos e candangos (*), ficamos com pouco oxigênio para respirar.

(*) nativos são os brasilienses registrados a partir de 1957 (a primeira criança nasceu em Brasília em março de 1957 e foi batizada pelo presidente Juscelino Kubitschek, recebendo o nome de Brasilinda);

candangos são os trabalhadores procedentes de todas as partes do País entre 1957 e 1969, que ajudaram a construir a capital.


http://www.sandrafayad.prosaeverso.net/


 

 

 


O MEU PRIMEIRO LIVRO‏  Lançamento a 27 de Novembro

Por João Pereira Furtado

A Editora Temas Originais acaba de publicar o meu primeiro livro «A Arvore de Fruta-Pão e Outros Contos».

O lançamento foi feito na Cidade da Praia, no dia 27 de Novembro, pelas 18:30h, na Biblioteca Nacional .

Veja aqui fotos do evento.

http://www.temas-originais.pt/autores/joao_furtado.htm

Juntei poemas e prosas feitas
Os contos em mim foram inspirados
A brincar com as minhas adversidades,
O não ser poeta me ajudou um pouco!

Passei as minhas insónias para o papel
Escrevi sobre o que sou e o que devia ser
Revejo-me n «A Arvore de Fruta-Pão», meu sono perdido
E o meu sonho que acordado tive
Imaginei musas inspiradoras
Rosas perfumadas e borboletas voláteis
Armei armadilhas de amor e lágrimas chorei!

Caminhei sentado no computador
Ouvi vozes ecoando no meu deserto
Resplandeceu o sol nas noites minhas
Resguardado pelo amor virtual
Esmaguei penas jamais usadas e
Imaginei coisas que nunca escrevi
A sorte várias vezes minha inimiga foi!

Faltou-me arte e talento nunca foi de sobra
Umas vezes bloqueei meus pensamentos
Raras vezes escrevi sem erros, mas
Tive sempre a única certeza
A perseverança dá bons e belos frutos
Dito e pensado agarrei e continuei
O livro que vão ler, prova é de tudo!

A árvore da fruta pão

(Contos)

Sinopse: «João conta episódios vividos na sua infância (...) Próprio de quem tenha vivido a infância em ambiente de adulto. (...) falo das crianças filhas de cabo-verdianos, nas roças ou em ambientes próximos delas, nascem já a viver o ambiente dos adultos. Não têm tempo para viver como crianças.» Jorge O. S. Silva (do «A Modo de Prefácio»)

ISBN: 978-989-8261-46-5