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O Poeta
José Maria da Fonseca Domingos, (1936-2002), natural de São João da Venda, Almancil, concelho de Loulé, emigrou aos 18 anos para a Venezuela onde conheceu a obra de Ruben Dario e Alfonsina Storni. Para além disso, era admirador de Pablo Neruda e Bocage.
Regressado a Portugal, ingressou no Ministério da Segurança
Social, trabalhando na área administrativa, mas nunca deixando
de escrever. Obras Publicadas Um violino na ramada - 1992 Arranhadelas - 1994 Asas do Vento - 1995 Veredas - 1996 Sem Sol - 1996 Para Além do Bojador - 1999 UM VIOLINO NA RAMADA - Sonetos Duas Palavras - Joaquim Magalhães Foi quantas o autor me convidou a escrever para este ramalhete de sonetos. Só que, com duas palavras só, não consigo dizer a minha surpresa (agradabilíssima surpresa) por se me ter revelado um sonetista deste calibre. Um novo pintor - poeta, ou poeta - pintor do Algarve. Que sente o sortilégio do mar e a sedução silenciosa do interior deste «Reyno do Algarve», onde ainda há (cada vez menos) amendoeiras que florescem. O feitiço do mar e o encanto do interior sensibilizam o autor e inspiram-lhe sonetos de insofismável qualidade... Duas palavras me solicitou o autor...Surpresa inesperada, porque os sonetos deste «violino na ramada» me encantaram e convenceram: são de um poeta a valer. Faro, 26 de Outubro de 1991 Joaquim Magalhães Os Poemas do Mar
Há neste mar chamadas incessantes,
Pela noite, às falésias e areias,
O mar é um livro aberto, a desfolhar-se
E, em cada folha aberta, lê o vento Fonseca Domingos
Outras Tantas Palavras - Adérito Vaz José Maria Fonseca Domingos, cujo pseudónimo é João T., é um dos poetas contemporâneos mais conhecidos no Algarve, não só pelos sonetos, mas também pela oportuna e atempada sátira publicada em diferentes periódicos regionais. Em Jogos Florais tem sido distinguido com vários primeiros lugares e numerosas menções honrosas. Frequentava o 3º Ciclo dos Liceus em Faro, nos anos 1953/54, quando partiu para a América Latina e daí para França. Nesta longa digressão, no ensejo de encontrar melhores dias, foi dominado pela insatisfação e pela saudade do seu país, enquanto enriquecia o seu talento ao conhecer outros mundos diferentes daquele que sempre fora o seu. Na América Latina leu, entre outros poetas, Pablo Neruda e começou a familiarizar-se com grupos de poetas, onde eram habituais tertúlias, que lhe abriram o espírito para uma nova realidade de manifestar-se, no sentir da vida. Em França contactou com numerosos compatriotas emigrantes, que no dia-a-dia trabalhavam no duro, na esperança dum futuro melhor. Regressado a Portugal, trabalha em empresas comerciais, foi empregado bancário e finalmente funcionário público. Inserido num contexto próprio, enriquecido por uma áspera experiência de além fronteiras, José Maria Fonseca Domingos, canta um mundo envolvido no abstracto, onde as dificuldades são sombrias, repassadas dum fulgurante saudosismo, que pertence ao passado, no presente. O poeta torna-se irrequieto e o seu alcance vê a verdade e a situação social. Pensando nelas, liberta-se, cantando nos seus sonetos a mágoa repassada dum querer alcançar a realidade misturada com a abstracção de algo que existe no Universo, onde os deuses não foram bons para todos. José Maria Fonseca Domingos, na sua insatisfação, ao penetrar numa fonte de inspiração poética, fá-lo numa criação nata, como o faz nos seus trabalhos plásticos, com figuras diversificadas, na mais exuberante fantasia, ao moldar a argila. Ler um verso, em cada soneto, em Um Violino na Ramada, é sentir um profundo lirismo aliado a uma visão e amor paisagístico imbuído de gosto pelas correntes literárias modernas. CHI VA SANO, VA LONTANO Faro, 15 de Outubro de 1991 Adérito Vaz
Pelas Margens do Sena
Fala-me das papoilas e dos trigos,
Continua com menção à obra seguinte do autor, Arranhadelas - 1994, no próximo número.
Nota Raizonline: Fonseca Domingos, juntamente com Casimiro de Brito, é o autor de uma das quadras que fazem mote nos Jogos Florais do Clube de Futebol os Bonjoanenses de Faro que estão a decorrer. (Ver aqui) ou (Aqui). A participação de Fonseca Domingos nestes Jogos é feita através da seguinte quadra:
Eu penso que os desvalidos Fonseca Domingos (Faro) - do seu livro Sem Sol de 1996
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