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EDIÇAO NºLV
, IV NUMERO DE JANEIRO DE 2010 -
COMENTARIOS
Coluna
Poética de Liliana Josué
Brandos Costumes
Um
desdenhoso sorriso
é qualquer coisa
de impreciso
que matreiro poisa
nestas gentes indulgentes
de costumes bem prudentes.
Um nariz bem mentiroso
pode ser poleiro
para animal de rapina
atento e ocioso
debicando bonacheiro
a papança gorda e «fina».
E como alguém disse:
«Portugal é um país
sem ponta por onde se pegue».
O escândalo multiplica-se
os políticos, sem matriz
e o povo, «soma e segue».
O escândalo é coisa banal
em tal governo «Pinóquio»
e este nosso Portugal
caixote do lixo Real
onde qualquer compadrio
é aceite sem fastio.
O gente de brandos costumes
levantem a voz
ergam as cabeças incólumes
façam das vossas mãos nós
em elos de fortaleza
contra tão rude certeza.
QUADRAS SOLTAS
(Tema – Repentismo)
Tenho pena
caro amigo
Mas preciso confessar
O repentismo, comigo
Não dá quadras de arrasar.
Se eu fosse como o Aleixo
Repentista compulsivo
Versejava sem desleixo
P'ra arrumar meu ser explosivo.
Ontem estive a matutar
Em como ser repentista
Lamento mas fiz lembrar
Neurónio contorcionista.
Mas eu tenho os meus repentes
Só em poesia é que não
São raivas amargas, quentes
Por falta de inspiração.
Não é qualquer versejar
Que produz verso bem fino
P'ra poder improvisar
Tem de se ter muito tino.
Repentismo experimentei
Fui discípula de Aleixo
Tal como ele improvisei
E estas quadras eu vos deixo.