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EDIÇAO NºLV , IV NUMERO  DE JANEIRO DE 2010 - COMENTARIOS

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O TRISTE FIM DE POLICARPO QUARESMA

ROMANCE DE LIMA BARRETO

Por Arlete Deretti Fernandes.

Este é um grande romance da Literatura Brasileira. Na época em que os seus livros foram escritos, Lima Barreto teve reconhecimento de um círculo muito pequeno. Foi feito silêncio sobre ele. O reconhecimento veio depois. Em 1940, suas obras, (17), foram publicadas num só volume.

Quem foi Lima Barreto

Foi assinada em praça pública, em 13 de maio de 1888, no Rio de Janeiro, pela Princesa Isabel, a Abolição dos Escravos, pela Lei Áurea.

Entre as pessoas que comemoravam a Abolição estava um menino mulato que aniversariava no mesmo dia. Era Afonso Henriques Lima Barreto, que segurando na mão de seu pai, admirava aquelas imagens que lhe ficaram impressas na memória: a multidão de negros que aguardava a liberdade, a figura da «Redentora» e os carros do imperador.

Muitos anos mais tarde estas lembranças se transformariam em ódio: as desigualdades sociais e ao preconceito racial, a hipocrisia da sociedade republicana. Antipatias que constituiriam o tema da obra que o imortalizaria na literatura nacional.

Nascido em 1881, num lar pobre, Lima Barreto, afilhado do Visconde de Ouro Preto, fez o curso secundário no Colégio Dom Pedro II, o mais famoso no Rio, pelo seu nível de ensino. Ingressou na Escola Politécnica mas teve que abandonar o curso de engenharia no 3º ano, em 1903, pela loucura súbita de seu pai e pela falta de recursos.

Forçado a empregar-se para sustentar a família, prestou concurso para o Ministério da Guerra. Aprovado, permaneceu até o fim de seus dias, levando vida modesta.

A bebida e a vida boêmia tiveram grande influência em suas obras e levaram-no a diversas crises, com verdadeiras manifestações de alienação mental. Internado quatro vezes, conseguia descrever estas crises com total lucidez.

Em 1909, Lima Barreto escreveu seu primeiro livro, Recordações do Escrivão Isaías Caminha. O escritor sempre interessou-se pelos problemas sociais. Pretendia fazer um estudo profundo da História da escravidão no país, mas não teve tempo de alcançar seu objetivo: morreu aos 41 anos de idade, em 1922.

Admirador de Karl Marx, defendia de forma apaixonada a Revolução Russa de 1917. Considerado pela crítica como «o escritor da República», Lima Barreto testemunhou sua época, mostrando em seus romances e contos os principais acontecimentos do novo regime.

O início de sua vida literária ocorreu em pleno período neoparnasiano, quando a forma era a principal preocupação literária. Não admitindo o sacrifício do conteúdo de uma obra, foi pouco apreciado em seu tempo. Além disso devido a sua origem mestiça, a imprensa não lhe dedicava espaço.

Lima Barreto foi um escritor brasileiro autêntico. Sem os complexos colonialistas de seus contemporâneos e até mesmo rebelde ao estilo e a gramática de Portugal, não obedeceu as regras lítero - gramaticais da metrópole, a exemplo de Machado de Assis e de Coelho Neto. Muitas vezes usou estilo jornalístico e até panfletário em seus livros, fixando com maestria a realidade urbana e a vida de tipos humildes.

Em alguns aspectos, Lima Barreto chega a ser comparado a Machado de Assis, apesar da diferença no estilo. Na idéia, no pessimismo e na sátira social, Lima Barreto iguala-se a Machado, mas chega a superá-lo, segundo alguns críticos, na espontaneidade e na fluência.

Hoje seu mérito é reconhecido, graças principalmente ao Movimento Modernista de 1922, ano de sua morte, que via em suas obras uma das provas da existência da cultura brasileira. Os dezessete livros que deixou formam, praticamente uma autobiografia, são suas amarguras e decepções documentadas.

O ROMANCE
E preciso descobrir o conteúdo deste livro. «O melhor crítico literário é o tempo»- quando a Obra tem qualidade.

No início do romance a leitura parece cansativa, mas ao ligá-lo com a História e com a visão sociológica da época, é muito interessante.

TEMPO E ESPAÇO
A história ocorre durante o governo de Floriano Peixoto, 1894, no Rio de Janeiro.

ASPECTOS MAIS IMPORTANTES
Obra da época Pré-modernista, caracterizada pela critica ao governo e a retratação dos problemas sociais brasileiros.
Exterioriza uma visão crítica sobre a classe média e a pequena burguesia.
Usa uma linguagem coloquial.
Seus principais personagens são populares.
Crítica as instituições, o Governo e o Exército.
Caricaturiza os poderosos.

RESUMO
O TRISTE FIM DE POLICARPO QUARESMA

Policarpo Quaresma era um homem nacionalista, um sonhador que enaltecia a pátria, defendendo-a com todas as suas forças. Expunha tudo o que esta terra tinha de bom para oferecer. Desde o primeiro capítulo do romance isto fica claro.

Comprava muitos livros de história e geografia para conhecer tudo deste país. Policarpo era um homem reservado e calmo, só se revoltava quando falavam mal do Brasil em sua frente. Vivia com a irmã Adelaide, que nunca se casara e possuía poucos amigos.

Em uma das suas irrupções de patriotismo Policarpo mandou um requerimento à Câmara dos Deputados, onde propunha que a língua portuguesa fosse substituída pelo tupi-guaraní. De acordo com ele o tupi era uma língua verdadeiramente brasileira, cultura de um povo inteligente, uma identidade, ao contrário do português que era uma língua emprestada .

Pode fazer o download do livro carregando na foto da capa.

Como conseqüência disto, Quaresma virou motivo de piada de todos os jornais do Rio, foi considerado louco, afastado de seu cargo, e acabou indo para um manicômio.

Na longa temporada que passou no manicômio, aprendeu a controlar seus impulsos nacionalistas. Logo após sair de lá, mudou-se para um sítio, que, ao contrário de que todos esperavam, fez fortalecer seus ideais patriotas, e lá pode ver e sentir a dificuldade que os pequenos fazendeiros tinham em plantar e vende.

«Nossas terras são as mais férteis do mundo», dizia ele, mas a dificuldade que se tem para deixar essas terras produzirem é muito maior.

Eclode a Revolta da Armada no Rio, sobe ao governo Floriano Peixoto. Quaresma como um bom patriota oferece seu apoio e serviços ao caudilho, e aproveita para expor as dificuldades e suas idéias para melhorar a agricultura no Brasil.

Depois de meses em meio a uma guerra urbana, Quaresma vê esfacelarem-se seus sonhos quando Floriano o chama de «Visionário». Logo após o término da Revolta da Armada, Quaresma é designado carcereiro dos revoltosos na Ilha das Enxadas, e lá ele presencia um oficial recolhendo alguns presos para serem executados.

Policarpo se revolta com aquela cena e vai pedir satisfações ao palácio. Ao tomar esta atitude é tido como um dos revoltosos. Ele é preso e condenado à morte, pelo próprio país ao qual sempre engrandeceu e defendeu com todas as suas forças.

Durante o tempo que passa preso, repensa tudo que já fez pelo seu país, e conclui que todos os seus esforços foram em vão.

Ricardo tenta salvar seu amigo, porém, ao recorrer aos amigos de Quaresma, nada consegue, pois ninguem queria ir contra o governo.

Olga também tenta ajudá-lo, mas sem obter resultados.