Antônio Carlos Affonso dos Santos. ACAS, o Caipira Urbano.
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Bicudos que na minha infância
Fizeram minha alegria
Cantavam nas «minhas» matas
Toda tarde, todo dia! |
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Caboclinho, como eu
Vive cantando adoidado
Seguindo a vida em frente
Com uma bela fêmea ao lado. |
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Meu canarinho da terra
Símbolo do meu país
Queria que sobrevivesse
Para encantar esses Brasis. |
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Cardeal, sua elegância
E cantada em verso e prosa
Tu és muito mais bonito
Que a mais bonita rosa. |
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Ai que saudade que tenho
Do coleirinha papa-capim
Queria não esquecer dele
Nem ele esquecer de mim. |
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Cantor-mór do meu país
Bonito, pequeno faceiro
E meu curió avinhado
Que encanta o mundo inteiro. |
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Ai que saudades que tenho
Debaixo dos mamoeiros
Var os sanhaços e saíras
Comendo frutas o dia inteiro. |
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O Passarim é sabido
E faz coisas lá no mato
Canta, pula, enternece
-Só que come carrapato! |
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Os «arlequins» canarinhos
Estão ficando branquinhos
Outros negros ou marrons
Mas, todos são tão lindinhos. |
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Patativa está cantando
Para alívio de quem chora
-Se canta pra consolar-me
Patativa, vá embora! |
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No final de agosto
O pintassilgo namora
-Até parece Don Juan:
Bem-vestido à toda hora. |
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Ai que saudades que tenho
Daqueles tempos fagueiros
Em que o sabiá laranjeira
Cantava no meu terreiro. |
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Tico-tico está reinando
Nos lugares que eu reinei
Mas, te vejo tão sozinho:
-Cadê o tico-tico rei? |
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Onde está o meu pixarro
Trinca Ferro de uma figa
Vê se pára de brigar
Vem ninar a minha amiga. |