POESIA

Arlete Deretti Fernandes

 

 

Os mistérios da noite







Noite escura e silenciosa,
Ouço o bailado suave de uma folha que cai.
Os mistérios da escuridão passeiam de galho em galho,
De astro em astro, nas órbitas siderais.

Mais adiante um pássaro noturno pia,
Uma ave corta veloz os ares.
O boitatá lança labaredas ao longe,
a mula sem cabeça e o saci-pererê saem correndo.

A coruja, na caça aos ratos, que deixam
Na urina fluorescente seus rastros.
Ao capturar sua presa, para o alto retorna
E novamente põe-se a espreitar.

Recolho-me ao meu recinto.
E o tic-tac do relógio no silêncio do quarto,
Parece-se com um carrilhão.
Uma lagartixa corre a parede em diagonal.

Da janela agora aberta, vejo no espaço sideral
Milhares de pontos brilhantes. A nuvem escura recuou.
E o borborinho dos pequenos seres, ouço agora.
Uma rã coacha e formigas surgem do nada.

Quem sou, quem fui, onde estou?
Pus-me a subir e lá de cima enxerguei.
Nuvens algodoadas e mares imensos.
- Quem sou eu, neste universo sem fim?

 

O pó das estrelas


Passei neste caminho há muito tempo,
Há milhares de anos percorridos,
Algo ficou que por mim foi reconhecido...

Estas nuvens, a luz, a vida,
Crianças correndo,
Injustiças acontecendo...

Meus filhos, meus amores,
Bichinhos de estimação.
Encontros, adeus, dores e saudades...

Foi ontem, na noite do passado,
Que se encaminha para o dia de amanhã,
Que reinterpretei meus sonhos...

E aprendi algo mais:
Hoje sou mais que pedra, planta e animal,
Sou um ser que se resgata...

Na matéria, sou como o pó das estrelas,
Feita de zinco, cobre e cal,
Meu espírito é o elo da essência universal...

 


Sandra Fayad




DEPOIMENTO


A Arlete Piedade, Gabriel Castanhas e Daniel Teixeira

 

Vinte e dois é o número conhecido como «dois patinhos na lagoa».

Sempre me lembrarei que esta é uma noite muito especial para mim.

Poderia ter sido em qualquer momento, mas foi neste de janeiro,

Que eu sozinha navegava no mar bravio, com ondas cobrindo a proa ...

Foi no exato ponto em que a vida apontava-me uma trilha tão ruim ...

Apagava-se a alegria, reluzia a descrença e lágrimas brotavam à toa.


Mas vocês foram espertos - saíram de além mar; aportaram primeiro.

Vinte de dois de janeiro de dois mil e dez!

Dia que re-energizou minha alma já desmaiada

De tanto plantar milhões de flores no caminho

E assistir, atada, à erosão destruir outra vez.

Porém, Esperança é excelente companheira;

Otimismo, o irmão que me cobre de carinho.

Certamente ...

Foram eles que se puseram na dianteira;

Transformaram-me - plebéia - em rainha,

instalaram-me em um castelo de primeira

Arquitetado por uma fada- madrinha.



Bsb, 22/01/2010

 

Beijos

 

S a n d r a  F a y a d


Elegia da Noite

 

Por Abilio Pacheco


 

 

 

Entre penumbras e sombras
sobras e restos de cores
de luzes ausentes...

abertas asas de ave em
secreto luar de estrelas

: vives!

Entre orvalhos de aurora
cantares de galos e galos
em matinais cores...

claros horizontes abertos
estrelas falecidas

: morres!

 


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EDIÇAO NºLV , IV NUMERO  DE JANEIRO DE 2010 - COMENTARIOS

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