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EDIÇAO NºLV , IV NUMERO  DE JANEIRO DE 2010 - COMENTARIOS

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Histórias da Vida Real

Crónica por Martim Afonso Fernandes

 

 

A gaiola e o sapo

 

 

Meus últimos dezoito anos de trabalho público foram em uma Companhia de Aguas e Saneamento, estatal. A empresa contava com um quadro de funcionários de diversas profissões. Entre eles havia um auxiliar de serviços gerais, com baixo nível de escolaridade, mas com disposição e agilidade para executar muito bem as atividades que lhe eram atribuídas.

Quincas era o seu nome. Ele gostava de fazer negócios, trocas, compras e vendas, e assim levava a vida. Dava nomes para suas negociações. Dizia que ia fazer um rolo, um breque, uma enrolada, uma barganha ou uma trapa.

Em uma de suas trapas comprou uma bicicleta novinha, na loja. Na ida para casa já negociou a bicicleta com um rádio portátil toca fitas, uma cabra leiteira e um relógio de pulso. Quincas tinha muitos passarinhos e estava sempre a trocá-los. Em dias chuvosos ele trabalhava na rede de água só se acontecesse algum rompimento.

Certo dia, chegou cedo para o trabalho. Trazia uma gaiola vazia. Logo alguém, vendo que a gaiola era grande para canários, perguntou-lhe para que seria.
- Vou buscar um papagaio que troquei por um coelho.

Nesse ínterim, foi levado pela camionete para trabalhar numa emergência.

Um dos funcionários, bem gaiato, encontrou um sapo bem corpulento, preto com manchas cremes. Era um sapo muito feio. No retorno da tarefa para o almoço, na área onde eram feitas as refeições servidas pela companhia, encontravam-se quinze funcionários.

Em um momento, um funcionário olhou, viu o sapo dentro da gaiola e perguntou:
_ Vão acasalar este sapo com quê?

Quando Quincas viu o sapo dentro de sua gaiola, seus olhos pareciam que iam saltar das órbitas. Agarrou a gaiola com as duas mãos, com tamanha violência, atirando-a ao chão e sapateou até destruir a mesma.

Houve um silêncio sepulcral, e aí alguém perguntou:
_ Onde está o sapo? Será que ele voou?

Quincas com muita raiva e furor gritou:
_ Voou para a casa de tua mãe para acasalar-se com ela.

Saíram muitos risos e comentários. Os nervos aos poucos foram se acalmando. O restante da tarde teve um sabor amargo para Quincas , que nunca mais levou gaiola para o trabalho, com ou sem pássaro.

Ele tinha medo que os pássaros podiam se transformar em sapos. Tinha medo também de que sapos grandes e medonhos podiam meter-se dentro da gaiola!!!


Caetano Veloso e Marina, a morena Marina - cenas de um casamento (conto rápido)

Por Se Gyn

...Dizem que foi assim: Marina Silva, a viúva da floresta, virgem de maldade e idéias autorais, casou-se com Caetano Veloso, o músico up to date - virgem de florestas e entediado com a crítica que criticava.

Depois da cerimônia de casamento presidida por Bono Vox, partiram e, desapareceram na floresta amazônica - ele cantando uma música de Caymmi naquele jeito intimista de ultimamente e, ela, sonhando com a possibilidade de novidades na floresta, em tão galante companhia.

Logo, fundaram a República do Jeito de Corpo, sustentada por uma ONG e, direitos autorais do exterior.

Mas, Caetano não aguentou o bafo quente da floresta no cangote e, se mandou.

Marina, por sua vez, ficou desacorsoada com o negócio de tirar leite de pau e, candidatou-se novamente a Senadora da República, pois tinha pegado o jeito da maciota.

Os filhos de cablocos que adotaram, enviaram para Madonna, Angelina Jolie e, Bono Vox (ah, ah, ah!, o doce sabor da ironia!), que faturou mais uns milhões com sua benevolência exposta.