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Comemorações do Dia da Freguesia da Sé - Faro

Teve lugar no passado dia 2 de Fevereiro a Comemoração do Dia da Freguesia da Sé - Faro.

O Programa comemorativo teve inicio às 17,30 horas no Auditório da Biblioteca Municipal de Faro António Ramos Rosa com uma Sessão Solene em que intervieram vários oradores e foi feita a Homenagem a algumas personalidades farenses.

Esta Sessão Solene foi gravada ao vivo pelo Jornal Raizonline, pelo que se coloca aqui essa mesma gravação. Seguiu-se, já à noite, às 21,30 no Edifício do teatro Lethes a representação pelo Grupo de Teatro Lethes da Peça «Fado e Poesia» e a actuação do Grupo Artístico de Danças e Cantares «Barvê Ukrâine».

 

Historial da Freguesia da Sé de Faro

A designação de Santa Maria de Ossónoba remonta ao século X, ocasião em que, sob o domínio muçulmano, surge um pequeno reino, cuja capital era o núcleo urbano, da actual cidade de Faro, conhecido por Vila -Adentro.

De anotar que a primeira representação iconográfica da cidade de Faro remonta ao século XIII e mais concretamente ao reinado de Afonso X, o Sábio, estando a cidade representada no Cancioneiro das Cantigas de Santa Maria.

Após a Reconquista foram necessários alguns anos para resolver a discórdia entre Portugal e Castela sobre a posse definitiva do Algarve. Em 1266 foi concedido foral a Faro. A partir de então a freguesia de Santa Maria de Faro passou a abranger não só o núcleo urbano, mas também todo o concelho.

No século XV, com a criação da freguesia de Santa Bárbara de Nexe, a extensa freguesia de Santa Maria de Faro começa a ser fragmentada, consolidando-se este processo na centúria de quinhentos.

Surgem então novas freguesias rurais: Conceição, Estoi, Quelfes e São Brás. Em 1540 a vila de Faro foi elevada a cidade para poder ser sede do assento episcopal, atendendo à acentuada decadência de Silves.

A consequente necessidade de arranjar um templo para servir de catedral e os direitos que a Ordem militar de Santiago tinha nesta localidade determinaram a criação de uma nova freguesia urbana: a de São Pedro, tendo ficado a igreja matriz de Santa Maria como Sé.

A designação de freguesia de Santa Maria foi-se mantendo durante décadas, atendendo a que a efectiva mudança do Bispo e do Cabido para a cidade de Faro só se efectuou em 1577. A partir de então a freguesia de Santa Maria de Faro passou a denominar-se freguesia da Sé.

No entanto, o orago da freguesia manteve-se até ao período da Restauração e mais concretamente até 1640, ano em que o Bispo D. Francisco Barreto I mandou reedificar a capela-mor da igreja da Sé, passando o orago a ser Nossa Senhora da Assunção.

A implantação do Liberalismo, a partir de 1834, não trouxe alterações à delimitação geográfica das freguesias urbanas de Faro. O que surgiu de novo a nível nacional foi a criação de entidades públicas, separadas das paróquias religiosas, que passaram a assumir a administração das freguesias.

Atendendo à complexidade histórica mencionada, é impossível precisar a data exacta da criação da freguesia da Sé. O que importa sobretudo é perceber que ao longo de muitos séculos a cidade e consequentemente a freguesia tiveram como orago Santa Maria, símbolo que ainda hoje se mantém no brasão da cidade. Neste sentido o dia 2 de Fevereiro, dia de Santa Maria, é a data mais apropriada para se comemorar.

Francisco Lameira

Tradições na Freguesia da Sé

Apesar de algumas tradições desta região algarvia se terem perdido no tempo, outros valores culturais e religiosos fizeram questão de persistir à sua evolução. De facto, alguns eventos ainda hoje são perpetuados pelas pessoas mais velhas da freguesia, ultrapassando as barreiras do esquecimento e temporais.

Na freguesia da Sé, a expressividade cultural da população manifesta-se, principalmente, através das festas que aqui decorrem ao longo do ano. Revestem-se essencialmente de um carácter religioso, mas também apresentam uma vertente cultura.

Assim, destaca-se a:
-Festa do Emigrante, que ocorre no mês de Agosto;

-Festas em honra dos Santos Populares, que sempre tiveram uma significação importante em Faro.

-A Festa de Santo António, ainda hoje comemorada junto à Ermida com o seu nome, tem início no dia 12 de Junho e caracteriza-se pela realização de um arraial com baile, pela venda de manjericos transportando as tradicionais quadras características desta comemoração e pela venda de rifas, que dão acesso a alguns brindes e lembranças. O dia 13 de Junho, à tarde, é marcado pela procissão, que percorre a zona circundante da Ermida de Santo António.

-Até meados dos anos 80 do século XX, as comemorações do São João eram as mais animadas da freguesia. Por todo o lado, havia mastros, arraiais e as tradicionais fogueiras para saltar .

-Comemoração do Dia da Cidade, no dia 7 de Setembro. Os acontecimentos que se agendam para este dia decorrem na Praça D. Francisco Gomes, onde desfilam alguns artistas nacionais e regionais da música.

-Além da celebração destas festividades, a população da Sé conta ainda com a realização da Feira de Santa Iria, de 16 a 23 de Outubro, e a Feira do Doce, entre 21 e 30 de Agosto.

A Feira de Santa Iria tem como data provável para a sua existência o ano da Invasão Inglesa no Algarve, ou seja, 1596. Com esta invasão, e uma vez que era necessário revitalizar a cidade, a feira ficou livre do pagamento de impostos, tornando-se, assim, uma Feira Franca.

Em 1722, uma nova desgraça deixou toda a cidade de Faro em estado caótico, e a Feira foi reactivada com todos os custos que lhe estão associados .

A partir desse ano, a feira voltou a ser franca, assim permanecendo até aos dias de hoje.

Hoje em dia, a Feira de Santa Iria realiza-se no Largo de São Francisco. Mas, nem sempre foi esta a sua localização. Inicialmente, tinha lugar no Largo do Pé da Cruz, estendendo-se até ao Largo da Pontinha, Palácio da Justiça, Mercado Municipal e Carreira de Tiro. Em anos mais concorridos, alguns vendedores colocavam-se à volta da Praça D. Francisco Gomes.

As danças e os cantares tradicionais da freguesia da Sé remontam a finais do século XIX, princípios do século XX. Nesta altura, era comum assistir-se a bailes de roda, bailes mandados e ao tradicional corridinho. No entanto, são breves as referências documentais que sobre elas existem.

Nos anos 30 do século XX, com o aparecimento do primeiro Rancho Folclórico Algarvio, os cantares populares voltaram a ser entoados e as danças foram recuperadas, para se tornarem, desde então, elementos representativos da região.

Foi desta forma que os corridinhos e os bailes de roda adquiriram rápida notoriedade, apresentando-se actualmente como a mais expressiva representação das danças regionais algarvias .

 

 

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