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Franklin Cascaes por correspondência

De Arlete Deretti Fernandes

 

Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao Curso de Letras – Língua Portuguesa e Literaturas de Língua Portuguesa para obtenção do título de Bacharel em Letras

Este trabalho pode ser seguido desde o seu início carregando neste link.

Franklin Cascaes por correspondência

Franklin Joaquim Cascaes nasceu em Itaguaçu, antigo município de São José, a 16 de outubro de 1908. Professor do Ensino Industrial Básico desempenhou em 1963, a função de Coordenador de Ensino. Quanto à atuação artística, é significativa a exposição de Cascaes em 1959, que a convite do Museu de Arte Moderna de Florianópolis, expôs um conjunto de motivos folclóricos da Ilha. Igualmente é reconhecido em 1978 no circuito artístico nacional, ao representar a arte catarinense na Bienal Latino-Americana de Artes, realizada no Parque do Ibirapuera, em São Paulo. Em 1983 Franklin Cascaes falece em conseqüência de uma cirurgia de cálculo renal.

CAPITULO I
1.2. A CARTA DESDE A ANTIGUIDADE

A Epistolografia é constituída de obras escritas em forma de cartas e conservadas por seu valor histórico, filosófico, literário ou documental e que foi conservada e publicada.

O uso da carta é encontrado entre todos os povos antigos. Na Grécia e em Roma as cartas eram escritas em lâminas ou tabletes de cera que eram dadas ao escravo para que as lessem. Escreviam por meio de um estilete, era gravada em um só lado da lâmina, que era envolvida por uma fita, a qual, no extremo levava o carimbo. Na parte externa era gravado o endereço. Mais tarde foi adotado o papiro ou charta, conhecida desde o tempo de Alexandre Magno, composta de duas folhas atravessadas por um cordão, que terminava em nó, com um carimbo.

Os escravos que cuidavam da correspondência eram chamados de amanuenses ou epistolis a manu. Durante a Idade Média foi usado o pergaminho, substituído no século XIV pelo papel. A missiva sempre vinha protegida pelo sigilo, amarrada por uma fita ou com um lacre.

A carta tem caráter íntimo ou confidencial. As informações ali contidas fazem parte do espaço privado, que é íntimo ou confidencial. Dela fazem parte a pessoa que escreve, o destinatário e quando muito se fala de uma terceira pessoa. A carta é uma conversa com alguém que está ausente. Nela escrevemos o que lhe diríamos se o destinatário estivesse presente. Há mudanças de acordo com a época, geralmente traz notícias do cotidiano, da vida política e social, reflexões, confidências e expressões de sentimentos.

As cartas podem ser dirigidas a um destinatário real ou fictício. As cartas destinadas a um destinatário real têm dois aspectos: o documental e o literário. As cartas são muitas vêzes consideradas como parte integrante da obra do autor, pois é comum encontrarmos as cartas publicadas junto à obra completa.

Há uma quantidade enorme de cartas de pessoas notáveis que foram publicadas..

As Cartas de Horácio, Cícero, Virgílio e Sêneca são consideradas obras primas da Literatura latina e universal.

Em artigo publicado na Revista Veja de 05 de julho de 2006, intitulado: Cartas na mesa, o jornalista Jerônimo Teixeira discorre sobre o Livro Lições dos mestres do crítico francês George Steiner:

Steiner, 2006, observa que a «orientação didática» dos grandes escritores costuma se dar ao acaso – por exemplo, numa conversa de bar. Mesmo assim há uma tradição antiga, ainda que um tanto rarefeita, de autores que oferecem seus preceitos para a educação dos novatos. O romancista peruano Mario Vargas Llosa se une a essa linhagem com Cartas a um jovem escritor, recém lançado no Brasil.(TEIXEIRA, 2006, p. 116).

O artigo citado acima por Teixeira, e que se refere ao livro de Llosa, Cartas a um jovem escritor, afirma que o escritor peruano também tem o objetivo de ajudar os escritores novatos. O jornalista de VEJA também cita vários conselhos de outros escritores, como de Gustave Flaubert (1821-1880) a Maupassant, quando o romancista francês recomendava a busca da palavra perfeita e a dedicação total à literatura. Rainer Maria Rilke (1875-1926), o poeta de Elegias de Duíno, recomenda a Franz Xaver Kappus, um pretendente a poeta, que seu aprendiz busque a solidão e a proximidade da natureza. Mário de Andrade defendia uma arte moderna, bem brasileirinha que ele praticava em grafias excêntricas como «milhor,» (melhor). Segundo Teixeira, 2006, Mario Vargas Llosa, o escritor peruano tenta ensinar os elementos básicos na construção de um romance – estilo, narrador, tempo, etc.

Referindo-se a Llosa, o jornalista ainda continua:

«A escolha da carta para dar forma a esse ensaio dá um ar tardio a um livro que aparece no momento em que a carta vai sendo desbancada pelo e-mail» (TEIXEIRA,2006 p.117).

A literatura em forma de cartas atribuídas a um personagem fictício, como o Fradique Mendes, de Eça de Queirós, as Epístolas de São Paulo, dirigidas às comunidades cristãs primitivas com conselhos e orientações, ou a correspondência pessoal de um escritor, como Mário de Andrade, são clássicos exemplos do gênero denominado epistolografia.

Algumas cartas pessoais, que não visavam à publicação, ganharam fama pelo valor literário, pelas informações que continham ou por constituírem documentos sobre fatos que o autor presenciou ou de que participou. São assim, por exemplo, as cartas de Platão, Michelangelo, Beethoven e Van Gogh.

As cartas oferecem, às vezes, depoimentos vivos e pessoais de viagens, lutas, esforços e fatos históricos relevantes. Cabe citar aqui, as de Afonso de Albuquerque ao Rei de Portugal, sobre os reveses e dificuldades na India, e a Carta de Pero Vaz de Caminha, escrita em 1500 ao rei de Portugal, D. Manuel I, em que relata o descobrimento do Brasil.

Entre as cartas satíricas e críticas citam-se as Lettres persanes (1722; Cartas persas), de Montesquieu, e as Lettres philosophiques (1734; Cartas filosóficas), de Voltaire, em que ele compara a religião, a política e a filosofia na Inglaterra com suas equivalentes francesas. No Brasil, as Cartas chilenas (1788-1789), de Tomás Antônio Gonzaga, em versos decassílabos, atacam os desmandos da colonização portuguesa. No século XVIII, surgiram os romances epistolares, como Les liaisons dangereuses (1782; As ligações perigosas) de Choderlos de Laclos, e o Werther (1774), de Goethe, entre outros. O gênero foi também utilizado em crítica literária. A conceituação da poesia e da vocação de poeta são o tema das Briefe an einen jungen Dichter (1929; Cartas a um jovem poeta), de Rainer Maria Rilke. Publicadas originalmente em francês, as Lettres portugaises (1669; Cartas portuguesas), atribuídas a sóror Mariana Alcoforado, são apaixonadas cartas de amor.

Há também as cartas trocadas entre Hengels e Karl Marx, que são extremamente esclarecedoras.

Eça de Queirós, epistológrafo profícuo, deixou alguns de seus conceitos sobre arte, política e religião e também opiniões sobre a existência em suas cartas aos amigos e à família, colecionadas no volume póstumo: Cartas familiares (1904). Rui Barbosa enviou de Londres artigos com comentários políticos e culturais sob a forma de cartas, reunidas no volume Cartas de Inglaterra (1896).

Na literatura brasileira do século XX, são mais notáveis as cartas de Monteiro Lobato e de Mário de Andrade aos amigos, com conceitos sobre arte e política.

 

Nota da Redacção: Este trabalho de Arlete Deretti Fernandes já foi publicado no jornal Raizonline em circunstancias e forma diferentes desta publicação: Na verdade foi apresentado no jornal uma nota sumária com remessa para um anexo contendo o restante do trabalho. Dada a diferenciação gráfica que é possível apresentar nesta data, fazendo em certo sentido dele uma primeira publicação (nesta forma) achámos por bem não o considerar na secção «Recordar o Raizonline - Trabalhos de números de arquivo».

 

Este texto com o inicio do 2º capítulo continua na seguinte página