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EDIÇAO NºLIX , I NUMERO  DE MARÇO DE 2010 - COMENTARIOS GERAIS

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Jerome David Salinger  Por Arlete Deretti - Continuação - Ver Início

Em uma parte do livro, ele está com o professor, para se despedir, por que foi expulso. Estou sempre dizendo: «Muito prazer em conhecê-lo» para alguém que não tenho nenhum prazer em conhecer. Mas a gente tem que fazer essas coisas pra seguir vivendo. (pg.78)

«De qualquer maneira até que achei bom eles terem inventado a bomba atômica. se houver outra guerra, vou sentar bem em cima da droga da bomba. Vou me apresentar como voluntário para fazer isso, juro por Deus que vou.» (pg. 121)

«Tomara que quando eu morrer de verdade alguém tenha a feliz idéia de me atirar num rio ou coisa parecida. Tudo, menos me enfiar numa porcaria de cemitério. Gente vindo todo domingo botar um ramo de flores em cima da barriga do infeliz, e toda essa baboseira. Quem é que quer flores depois de morto? Ninguém.» (pg. 133)

«Bom mesmo é o livro que, quando a gente acaba de ler, fica querendo ser um grande amigo do autor, para poder telefonar para ele toda vez que der vontade. Mas isso é raro de acontecer.»

Holden queria parar o tempo, ele adorava museu, as coisas sempre estavam do mesmo jeito, nunca mudavam, era a certeza de que quando ele voltasse, depois de muito tempo estaria tudo igual. Tem outra parte do livro, que fala do título. Ele quer salvar as crianças do tempo, como ele não queria crescer e amava as crianças . Holden queria «agarrar todo mundo que vai cair no abismo.»

«Seja lá como for, fico imaginando uma porção de garotinhos brincando de alguma coisa num campo de centeio e tudo. Milhares de garotinhos, e ninguém por perto, quer dizer, ninguém grande, a não ser eu. E eu fico na beirada de um precipício maluco. Sabe o quê eu tenho de fazer? Tenho que agarrar todo mundo que vai cair no abismo. Quer dizer, se um deles começar a correr sem olhar aonde está indo, eu tenho que aparecer de algum canto e agarrar o garoto.».

«Então resolvi escrever sobre a luva de beisebol do meu irmão Allie. Era um assunto um bocado descritivo, no duro. Meu irmão Allie era canhoto, e por isso tinha uma luva de beisebol para a mão esquerda. Mas o que havia de descritivo nela é que tinha uma porção de poemas escritos em todos os dedos, na cova da luva, por todo canto. Em tinta verde. Ele copiava os poemas na luva porque só assim tinha alguma coisa para ler durante o jogo, quando não havia ninguém arremessando.»

«Ele agora está morto. Teve leucemia e morreu quando nós estávamos em Maine, no dia 18 de julho de 1946. Qualquer um teria que gostar dele. Era dois anos mais moço do que eu, mas umas cinquenta vezes mais inteligente. Os professores dele estavam sempre escrevendo cartas para minha mãe, dizendo que era um grande prazer ter um menino como o Allie na turma. E não era simples conversa mole, era mesmo pra valer.

O caso é que ele não era só o mais inteligente da família. Era também o melhor de todos, em muitos sentidos. Nunca ficava aborrecido com ninguém. Dizem que as pessoas de cabelo vermelho estão sempre se irritando com a maior facilidade, mas o Allie nunca brigava, e tinha o cabelo um bocado vermelho.»(...)

«Eu só tinha uns treze anos, e meus pais resolveram que eu precisava ser psicanalisado e tudo, porque quebrei todas as janelas da garagem. Mas realmente acho que eles tinham razão. Dormi na garagem na noite em que ele morreu e quebrei a droga dos vidros todos com a mão, sei lá porquê. Tentei até arrebentar os vidros da camioneta que nós tínhamos naquele verão, mas a essa altura minha mão já estava quebrada e tudo, e não consegui.

Reconheço que foi o tipo da coisa estúpida de se fazer, mas eu nem sabia direito o que estava fazendo, e vocês não conheciam o Allie. Minha mão ainda dói de vez em quando, nos dias de chuva e tudo, e nunca mais consegui fechar direito a mão – assim bem apertada – mas, fora isso, não me importo muito. De qualquer jeito, sei que não vou mesmo ser um cirurgião ou um violinista, ou droga nenhuma.»

No final Holden está em um sanatório, e diz que vai ficar por lá por um tempo até as coisas melhorarem…E uma coisa meio «estranha», diz que sente saudade de todas as pessoas…Todas que ele falou mal.

Sendo um livro tão estranho de uma certa forma, e depressivo, impressiona muitas pessoas, não da mesma maneira, mas afeta a maioria dos adolescentes, e dos adultos também. O protagonista retrata uma época em que a adolescência e a juventude não eram ouvidas pelos adultos. Havia muitos protestos da juventude contra as guerras e as atitudes do governo americano.

Para Além do Livro

-Mark Chapman pediu a John Lennon que autografasse uma cópia de The Catcher in the Rye, e no mesmo dia assassinou o ex-Beatle.
-Além da música Who Wrote Holden Caulfield? (Kerplunk!, de 1992), o Green Day faz referências a Holden Caulfield nos cinco álbuns da banda.
-Em uma referência a Chapman, o filme Teoria da Conspiração traz Mel Gibson no papel de um lunático que compra todas as cópias de O Apanhador… que consegue encontrar, sem nunca ter lido o livro.

Referências:
J. D. SALINGER, O Apanhador no campo de Centeio
Jornal Diário Catarinense do dia 30/01/2010.
Scliar, Moacir; Do artigo: O mito do Escritor que Não escreve..
Google: Para Além do Livro

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