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EDIÇAO
NºLIX , I NUMERO DE MARÇO DE 2010 -
COMENTARIOS GERAIS
COMENTARIOS TEXTO A TEXTO NO FINAL DE CADA ARTIGO. COMENTE! QUEREMOS OUVIR A SUA VOZ.
CONHECER O MOÇAMBIQUE TRADICIONAL
JULIO
SILVA
Natural do Bilene (Província de Gaza) - Moçambique - Nasceu a 25 de Outubro de 1960
Produtor Musical (Mozbeat, IEFE discos, Vidisco, Movie
Play, Lusafrica, Disconorte, Sons de Africa, etc....)
Músico (multi-instrumentista) -
Pesquisador e Investigador de Musica tradicional
(credenciado pelo Ministério da Educação e Cultura de Moçambique) - Trabalha
actualmente na área de «Etnomusicologia - Antropologica» no espaço
moçambicano na Associação Cultural Mozbeat
Animador Cultural ( Escola de artes ) Nota: 1º curso realizado pelo Ministério da
Cultura após a Independência - Repórter de Imagem (Associação Cultural Mozbeat)
-
Editor de Imagem (Escola FLAG) professor Gonçalo Estrelado -
Jornalista Cultural (Escola Brasileirinho) - Porto Alegre (BRASIL) - professor
Fabio Gomes
Produtor e Realizador de Televisão (Televisão de Moçambique(TVM) - Programa
VIBEAT de 2006 a 2008)
Autor do site Moçambique Tradicional : http://www.mozambique-tradicional.com

DANÇAS MOÇAMBICANAS
1-MAPIKO ( tradição Makonde) – PROVÍNCIA DE CABO DELGADO
Na dança MAPIKO são usadas mascaras que dividem-se em dois tipos: FACIAL(so cobre o rosto) ou CAPACETE( que cobre toda a cabeça).As variedades existentes dentro de cada tipo de mascara que é feita de madeira, realça o facto dessas mascaras estarem intimamente ligadas a dança MAPIKO que tem um significado religioso e cerimonial ligado ao ritual de iniciação masculina. O conjunto máscara e dança ,formam uma coreografia, muito ritmica e cadenciada transmitida pelo dançarino que se apresenta vestido com trajes convicentes coberto de objectos sonóros (chocalhos) sendo acompanhado por vários percursionistas, criadores dos seus próprios tambores que são feitos de madeira e cobertos de pele de animal, e que posteriormente afinados pelo calor do fogo, produzindo sons médio - agudos. Esta dança tem como pano de fundo um grupo de cantores (homens e mulheres). E de realçar que a dança MAPIKO é sem margem de dúvida ,uma junção de musica, dança, escultura e teatro, que vai representando gradualmente o imaginário relativo à existencia do mundo sobrenatural e à convicção na ligação lógica entre o dançarino principal e as suas crenças. A dança MAPIKO dá aos artistas MAKONDES a capacidade e o poder de recriar na arte os diferentes modos de estar na vida espiritual, usando a força da sua história e do seu quotidiano, transmitindo em cada dança as suas convicções. Posso afirmar por experiência própria que o Povo MAKONDE e a dança MAPIKO são muito especiais e inéditos.
2-DANÇA TUFO (Província de Nampula e Cabo Delgado)
Esta dança é introduzida em Moçambique, atravéz do Sultanato de Angóche Hassane Issufe, que se radicou nessas ilhas depois da morte de um dos seus familiares. Segundo dados históricos era uma dança religiosa de louvor, onde se usava os tambores de nome «Ad-duff» (Arabe)). Em português dá-se o nome «Adufo» (instrumento musical de percursão). Esta dança vai-se espalhando por todos os locais Islâmicos. Atravéz do povo da tribo Makwa que também se envolveu no Islamismo e devido à sua prenúncia, o nome de Ad-Duff e Adufo, foi abreviado para «TUFO».
Este novo nome foi-se introduzindo por varios locais Islâmicos incluíndo a ilha de Moçambique. Esta dança, devido à sua origem religiosa era dançada apenas por mulheres rigorosamente seleccionadas, rigorosamente bem trajadas com trajes muito coloridos e enfeitadas com cordões, anéis e pulseiras de ouro, onde as mulheres cobriam o rosto com MUSSIRO (massa branca e espessa, resultante do friccionamento do caule perfumado da arvore Mussiro e uma pedra), e entoavam cânticos melodiosos de uma linha musical Oriental em fusão com batimentos vindo dos tambores de vários tamanhos e de forma hexazonal e circulares (batuque Duassi, Phusta, Kadjisa e Khapura), onde os tocadores acompanham as melodias com ritmos cadênciados de linha africana e Arabe.
Esses Tambores são feitos de madeira e cobertos de pele de animal, produzindo uma sonoridade agradavel ao ouvido. O conteúdo das letras retratam na maioria dos casos as suas vidas quotidianas e as belezas do seu habitat. TUFO teve maior expansão na ilha de Moçambique dado o facto dos Portugueses terem lá, construído a sua grande fortaleza e também por terem gostado da dança que era dirigida e dançada em absoluto por lindas mulheres mussulmanas. Esse acontecimento induziu em erro, a origem do TUFO, pois os colonizadores Portugueses com a arrogancia e com vergonha de nunca terem conseguido dominar o povo das ilhas do arquipélago de Angóche resolveram nunca mais divulgar a sua história, facto que até hoje permanece.
3 - DANÇA N´SOPE (complementariedade da dança Tufo)
A dança N´SOPE é uma dança originária da Província de Nampula e compõe parte das
danças especificas da tribo Makwa sendo executada só por mulheres e actualmente
conhecida por dança da corda, devido ao uso da corda na sua execução. E uma
dança de lazer que, inicialmente, praticava-se no periodo de lazer das
raparigas, que demonstravam a sua agilidade e talento corporal de forma que
fossem apreciadas pelos pretendentes. Ao longo dos tempo esta dança foi
introduzida na lista das danças principais com origem no Tufo. Os instrumentos
musicais utilizados pelos musicos (homens) onde o tocador principal maneja três
tambores um grande e dois médios chamados Chabomba e Mussapata),o segundo
tocador toca também três tambores medios (Massapata) e os restantes dois
tocadores tocam um tambor grande de som grave de nome Tchuntcho, tendo uma parte
oca que serve de caixa de ressonância. Usa-se tambem um pequeno cilindro de
ferro que complementa o ritmo.
Esta dança é executada da seguinte forma: As bailarinas organizam-se fora do
centro de execução da dança. Chegadas ao palco colocam-se na zona central do
palco formando um meio circulo. A Chefe do grupo num gesto próprio retira a
corda e escolhe uma das bailarinas a pegar em uma das pontas de forma a estar
esticada. Ao som das primeiras batidas dos tambores vão movimentando a corda em
circulo de uma a bater sempre no solo(chão).Cada uma das bailarinas entra para o
meio da corda e demonstra de forma agil todas as suas habilidades. A medida que
os tambores vão animando o espectáculo todas as bailarinas vão praticando a
dança N´Sope demonstrando a cada instante as suas mestrias.
4-Dança Lingundumbwe
Esta dança é uma versão femenina do mapiko, sendo a bailarina principal a
mulher. Ela tanto pode ser adulta como adolescente. Aliás, o habitual tem sido
uma rapariga adolescente, capaz de executar os movimentos com maior vigorosidade.
Para bailar no terreiro da aldeia, ou em qualquer outro recinto, ela é
completamente coberta de panos da cabeça aos pés. Estes panos cruzam o tronco,
partindo das espáduas até a cintura. A este nível é colocada uma capulana,
localmente designada por inguvo ya magombe. Outras copulanas são dobradas várias
vezes e enroladas nos braços e nas pernas da dançarina. Na execução da dança,
essas capulanas abanam, acompanhando os movimentos rápidos, para trás e para
frente, da jovem dançarina.
Para além de máscaras de madeira, a bailarina de Lingundumbwe pode trazer na
cabeça uma capulana, que a cobre apenas da testa à nuca. Para permitir uma boa
respiração e visão, o rosto é tapado com uma capulana transparente. Na
encenação, a bailarina segura nas mãos um ou dois lenços e um pequeno machado ou
enxada. Na falta destes objectos, ela pode pegar na mão uma simples vara. Quando
dança, o tronco da bailarina inclina-se ligeiramente para frente, dobrando sobre
os rins, com os braços estendidos para os lados e para a frente, levemente
curvados.
Nessa posição, move-se em pequenos passos, abanando o tronco ao ritmo do
batuque. A dança tem lugar no lipanda, local onde decorrem as cerimónias de
iniciação feminina. Todavia, a prática do lingundumbwe tornou-se de tal modo
livre que toda a gente pode conhecer a mulher mascarada. Esta dança é a mis
caraterística dos ritos femeninos, constituindo o principal divertimento das
iniciadas, do primeiro ao último dia.
Os instrumentos do lingundumbwe compeendem um batuque principal (ntoji) e dois
auxiliares, sendo um ligoma e o outro o likuti. A orquestra instrumental da
dança é assegurada por homens. A presença masculina, á semelhença do que
acontece com a maior parte das danças femininas, não só visa garantir o manejo
dos instrumentos, como também serve para asseguar a protecção dos instrumentos,
como também serve para assegurar a protecção dos respectivos agrupamnetos,
sobretudo em caso de deslocações.
5-DANÇA TAHURA
Esta dança é considerada muito antiga pelos habitantes de Nanhupu, em Montepuez. Em língua makhuwa, tahura quer dizer «batuque grande». Partecipam na dança homens e mulheres adultos, que usam um pano preto cingido em forma de saia, uma camisola interior, um lenço branco e um cinto. Nas pernas, os dançarinos amarram chocalhos que, com o bater dos pés no chão, produzem um som. Dispõem-se em círculo, empunhando objectos como machadinhos, enxadas ou paus. Esta dança é praticada à noite, em cerimoniais fúnebres, ritos de iniciação e no período de colheitas.
Para assinalar este período, o chefe da aldeia organiza a recolhe de produtos para a confecção de otheka, um tipo de cerveja de fabrico caseiro. Bebe-se e dança- se toda noite, como forma de expressar alegria pelas colheitas conseguidas. Esta é também uma forma de manifestar agradecimento aos espíritos por terem proporcionado boas colheitas. Os instrumentos são compostos por quatro tios de batuques: um tahura grande, um likuti, um nikoni e um ntxuntxu. As canções retractam, essencialmente, o dia-a-dia da vida social e económica da comunidade.
6-Dança Tamadune
Esta dança Tamudune é uma dança feminina. Os homens apenas participam como
instrumentistas. A esta dança foi atribuído o nome de tamadune em honra de uma
mulher makhonde, co-fundadora do grupo cultural, que era assim chamada. E
praticada por ocasião da recepção dos recém - iniciados, rapazes ou raparigas, e
também em dias festivos. Não possui nenhum traje específico e, para a sua
execução, as dançarinas formam um círculo, destacando-se duas a duas para o meio
da roda.
Usa-se, como instrumentos, seis batuques: um ntodje, três makuti e dois três
magoma. As canções entoadas evocam alguns acontecimentos importantes da
comunidade e factos ligados á Luta de Libertação Nacional, como é o caso do
Massacre de Mueda.
Recolhido do site Moçambique Tradicional