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POEMAS DE JOSE GERALDO MARTINEZ
O LOUCO!
Quase insano eu danço,
tão só , tão eu...
E nesta miragem que longe alcanço,
trago você nos braços meus!
Faço de minha sala um enorme salão
onde abraço-me solitariamente...
Sou um todo de ilusão,
misto de louco e demente!
Por vezes choro!
Noutras, sorrio incontido...
Qualquer lucidez ignoro
a dançar eu comigo!
Enceno...
Contraceno naquele imenso salão!
E neste primeiro ato,
eu desato...
As amarras de minhas tristes mãos!
Deixo-as livres!
Colho do vaso uma flôr...
Entrego ao amor que eu não tive,
aos anos vividos sem valor!
Abro as janelas todas!
Deixo as estrelas tombarem ao chão...
A lua de prata inteirinha,
a quebrar a escuridão!
A brisa fresca !
Um sereno metido a besta,
derramado por todo chão!
Livro-me dos sapatos!
Sinto o frescor dos matos...
Brinco com os meninos da rua!
Ah, vida que ora tenho nos braços,
serei insano de fato
ou vivia inocente loucura?
O eu de hoje, o de ontem, ignora!
Vida que eu danço tão velhinho...
Por que te encontrei só agora?
«Independentemente de qualquer idade,
é sempre tempo de dançar com a vida...
Ainda que te chamem de louco! »
( Martinez)
POR ENQUANTO...
A saudade não tem pressa...
Seguirá eternamente nos esperando!
O hoje é que nos interessa,
em mais um dia que vai passando!
Por enquanto, abraça-me!
Dá-me teu riso farto...
O paraíso dos teus carinhos,
nos segredos guardados do nosso quarto.
Por enquanto a tua companhia...
Teu olhar guardião e protetor!
Não importa se algum dia,
torne saudade o nosso amor...
Quero viver o agora,
como se eu não tivesse um depois...
Curtir o beijo desta aurora,
vivida ao calor de nós dois!
Por enquanto provemos da chuva!
Sintamos o cheiro de mato...
A matiz que os minutos muda,
entregando ao passado ingrato!
Gritemos ao mundo!
Escutemos nosso eco nos penhascos...
Alonguemos por conta própria os segundos,
no dia que morre de fato!
A saudade poderá nos espreitar...
Quem nos garante logo no amanhecer?
E se há razão prá chorar,
choremos este fugaz viver!
Por enquanto ainda há tempo para nos amarmos!
Para imaginarmos que ainda
haverá uma outra vez...
Sem que a saudade nos acorde apressada,
mostrando-nos o hoje que desfez!
Dá-me teu encanto!
Tua companhia...
Um pouco do teu acalanto,
a minha alma, amada minha!
Por enquanto!
Só por encanto...
Quem nos garante outro dia ?
SE VIERES...
Se vieres neste Natal,
da mesma forma que foste,
com flores pelos cabelos,
menina ingênua e doce,
gritaria de felicidade,
qual menino que o Papai Noel encontrou...
Ainda que me cobre a terceira idade,
no tempo ligeiro que passou...
Se vieres neste Natal,
pelas vitrines coloridas dos Shoppings Centeres,
pelas noites de muita magia,
hospedeira das estrelas cadentes,
gritaria de felicidade!
Ainda que estivesses ausente e te sentisses
presente,
dentro da minha saudade!
E se vieres de corpo inteiro,
com cheiros e matéria presente,
com beijos de amor e saudade,
molhados, demorados e quentes,
gritaria de felicidade!
Se vieres ainda mais,
mulher formada e sofrida...
Mãe de filhos e avó de netos,
de toda alma despida,
gritaria de felicidade!
Levar-te-ia comigo,
aos caminhos que nos esperam...
Por dias que foram perdidos e também
as nossas quimeras!
Se vieres pobre...
Não importa!
E tiveres feridas a serem curadas
e um punhado de ilusões mortas,
basta que me entregues, amada minha,
aquilo que esperei por uma vida todinha:
de tua alma a chave da porta!
Haverei de perfumá-la inteirinha...
Gritarei de felicidade!
Se vieres com nada,
apenas tu,
com olhos de pura saudade,
bastar-me-ia !
«O amor é o único capaz de
esperar eternamente...»
( Martinez)
EDIÇAO NºLIX
, I NUMERO DE MARÇO DE 2010 -
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