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EDIÇAO NºLIX
, I NUMERO DE MARÇO DE 2010 -
COMENTARIOS GERAIS
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Poesia
de Sá de Freitas
QUER ME ENCONTRAR?
Quer me
encontrar?
Não me procure na esquina da tristeza,
Nem pelas ruas da angústia
Ou pelos becos imundos onde desfilam injúrias.
Quer me encontrar?
Não me busque prostrado nos altares,
Só para mostrar que sou religioso e depois sair de mãos fechadas,
Aos que precisam de ajuda.
Quer me encontrar?
Nem pense em se achegar de grupinhos,
Onde línguas ferinas distilam veneno
Para brindarem, em taças de maldade,
Aqueles que dali se encontram ausentes.
Tampouco queira achar-me nos lugares,
Onde é servido o engano da ilusão fria e passageira,
Com painéis anunciando grandezas e poderes.
Quer me encontrar?
Não se adentre às mansões, nem aos palacetes,
Nem aos Congressos, nem às palestras improfícuas e aos encontros de
intelectuais,
Onde tanto se fala, nada se faz, muito se cansa
E a maioria pensa que é alguma coisa
Acima dos demais.
Quer me encontrar?
Procure-me nas vielas dos poetas menores,
Nos logradouros dos versos singelos,
No grupo dos aprendizes.
Quer me encontrar?
Integre-se àqueles que compreendem que não são ninguém,
Além de simples mortais,
Daqueles que já se conscientizaram de que nada sabem
E de que muito precisam aprender.
Quer me encontrar?
Procure-me na autenticidade
E me encontrará sentado
No banco da «PRAÇA DOS HUMILDES»,
No encosto do qual está escrito:
«NADA SOU».
CONFISSOES ASSINADAS
Poeiras de
lembranças me sufocam
Nessa estrada de tempos já devorados
pelo próprio tempo,
Quando em cada curva me deparo
Com algum espectro de saudade.
Tento chegar ao fim da caminhada
Sem machucar o coração nalguma mágoa,
E sem ferir a alma nas ingratidões,
Escondidas sob a areia do falso esquecimento,
Mas do «quase tudo» do muito que fiz,
Espiam-me fracassos carrancudos
Que vão e voltam, xingando-me pelos meus tropeços,
Numa tentativa de matar o sorriso das vitórias.
Ter sido é continuar sendo o que já não sou,
Porque as marcas dos meus passos não se apagam:
FICARAM QUAIS CONFISSOES ASSINADAS,
No processo do tempo, à espera do julgamento final.
Não consigo caminhar
Sem olhar para trás;
Nem consigo olhar para trás,
Sem vislumbrar
O que eu nunca mais queria rever.
Essas confissões assinadas do que fiz
Ou deixei de fazer,
Serão apresentadas ao Tribunal da minha consciência,
Onde receberei a sentença a ser cumprida
Na cadeia do remorso.
Quem poderá me dar o Alvará de Soltura?
JESUS!!!!
E o valor da Fiança?
Somente o meu amor aos semelhantes
Poderá pagar.