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faleceu cesária évora

Cesária Evora faleceu, este sábado, aos 70 anos. «A diva dos pés
descalços» estava doente há já vários meses e tinha já terminado a
carreira, a 23 de Setembro de 2011. «Eu preciso de quando em vez da
minha terra, do povo que sou e desse marulhar das ondas»,
confidenciou Cesária Evora.
Cesária deu entrada no hospital Baptista de Sousa, em São Vicente,
Cabo Verde, na sexta-feira, onde esteve internada nos serviços de
cuidados intensivos «com um quadro muito complexo».
«Durante este período, ela alternou momentos de lucidez com momentos
de inconsciência e esteve sempre acompanhada do seu empresário José
da Silva», disse o director do hospital, Alcides Gonçalves.
A cantora regressou a S. Vicente, sua ilha natal, a 22 de Outubro
após ter posto fim à sua carreira musical devido a problemas de
saúde.

Biografia - Cesária Evora
Cesária Evora (Mindelo, 27 de agosto de 1941), também conhecida como
«a diva dos pés descalços», foi a cantora cabo-verdiana de maior
reconhecimento internacional de toda história da música popular. O
gênero musical com o qual ela é majoritariamente relacionada é a
«morna», por isso também recebe o apelido de «Rainha da morna»
(mesmo tendo sido bastante sucedida com diversos outros gêneros
musicais).

História
Cesária Evora nasceu no ano de 1941 na cidade de Mindelo, em Cabo
Verde. Tinha mais quatro irmãos. Seu pai Justino da Cruz tocava
cavaquinho, violão e violino e sua mãe, Dona Joana, trabalhava em
cozinhas de brancos ricos que adoravam particularmente sua comida.
Sua mãe, de personalidade pensativa, foi sua confidente por toda a
vida.
Quando criança Cesária sempre estava fazendo amigos mais velhos do
que ela, os quais sempre a mantiveram «direita». Quando jovem foi
viver com sua avó que havia sido educada por freiras, e assim acabou
passando por uma experiência que a ensinou a desprezar todas as mais
severas morais.
Cesária (Cise para os amigos) sempre cantava uma infinidade de
canções e fazia apresentações aos domingos na praça principal da sua
cidade acompanhada por seu irmão Lela no saxofone. Mas sua vida
estava intrinsecamente ligada ao bairro Lombo, nas imediações de
aquartelamentos do exército português. Lá ela aprendeu sobre a vida
e cantou com compositores como Gregório Gonçalves (um homem
carismático e que adorava teatro de rua).
Aos 16 anos conheceu um marinheiro chamado Eduardo que a ensinou os
tradicionais estilos de música cabo-verdiana como a morna e a
coladera. As mornas (que possivelmente provém de mourn e que
significa lamento, apesar do significado da palavra na língua
portuguesa) são canções ligadas à tristeza, mágoa e desejos
impossíveis de serem realizados. Cesária começa a cantar em bares e
hotéis, e com a ajuda de alguns músicos locais, ganha estímulo a
desenvolver suas habilidades e logo já é proclamada a «Rainha da
Morna» por seus fãs. Ela se torna bastante famosa em Cabo Verde, mas
internacionalmente seu reconhecimento ainda era pequeno.

Aos vinte anos foi convidada a trabalhar como cantora para o Congelo
- companhia de pesca criada por capital local e português - e ficou
emocionada ao poder fazer parte, do que ela considerava, uma notável
empresa. Seu salário vinha de suas apresentações que eram
basicamente em jantares. Fora esse tempo Cesária era de volta uma
mulher comum.
Entre os amigos de estava o compositor favorito dos cabo-verdianos:
B. Léza, o qual faleceu quando ela tinha apenas sete anos de idade.
Ela ainda tem poucas lembranças de sua infância e sempre está
falando de Eulinda, seu antigo vizinho e amigo que vivia perto de
Lombo (o «red-light district» de Mindelo), porto que era vangloriado
por bordéis que competiam com os de Amesterdão.

Em 1975, Cabo Verde adquiriu sua independência, mas seu líder
histórico, Amílcar Cabral, não pôde testemunhar esse momento, porque
foi assassinado dois anos antes. Cesária ainda era popular na época,
mas sua fama não estava a levando em direção ao sucesso financeiro.
Frustrada por questões pessoais e financeiras, aliados à dificuldade
econômica e política de Cabo Verde, ela desistiu de cantar para
sustentar sua família. Ficou sem cantar por dez anos, os quais ela
descreve como seus «dark years». Durante esse tempo ela lutou contra
o alcoolismo.
Cesária Evora retomou suas apresentações após ter sido encorajada
por Bana (líder de banda e empresário cabo-verdiano exilado em
Portugal). Ele fez-lhe convites para realizar shows em Portugal, os
quais ela aceitou e o fez com patrocínio de uma organização local de
mulheres.
Em Cabo Verde um francês chamado José da Silva persuadiu-a para ir a
Paris e lá Evora acabou gravando um novo álbum em 1988 «La diva aux
pied nus» (a diva dos pés descalços) - que é como se apresenta nos
palcos. Ao contrário do que é divulgado, ela canta descalça
simplesmente por gostar, por se sentir segura descalça, e não em
solidariedade aos «sem-tecto» e às mulheres e crianças pobres de seu
país. Esse álbum foi aclamado pela crítica e Cesária se encontrou
numa dramática volta à música que teve como ápice a gravação do
álbum «Miss Perfumado» em 1992. Ela se tornou uma estrela
internacional aos 47 anos de idade.
Em 2004 conquistou um prêmio Grammy de melhor álbum de world music
contemporânea. Em 2009, o presidente francês Jacques Chirac
distinguiu-a com a medalha da Legião de Honra de França. Em 2009,
apresentou-se em Tel Aviv, no palco da sala de espectáculos Heichal
Ha-Tarbut.
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