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Poesia de Carlos Camões Galhardas
«Pacto Final»; Ophelia e as Flores; «O alimento da Alma»
«Pacto Final»
Num mar de sonhos pintados
Foi afogando o seu olhar,
Seu último suspiro...
Tudo parecia consumado!?
Mas nesse breve e derradeiro
Momento de inspiração Divina,
Toda as cores, os traços...
Todos os sonhos de menino!
Por entre as pinceladas do coração
Entravam os primeiros raios de luz
Nas flores do Alentejo que tanto amava.
Finalmente, sem esboçar um único lamento
E com um sorriso de eterna saudade,
Despertavam novamente para a vida
As suas mãos finas e delicadas!!
Matias José
Ophelia e as Flores
Ophelia, entre flores tua beleza agora flutua
Transcendes a clareza de outros tantos dias…
Olhar terno, tão meigo quando então sorrias,
Límpido espelho d’agua… noite de cheia lua!
Ophelia, teu corpo inerte reflecte na alma
O recanto frio em manhã d’ águas paradas,
Tuas formas descansam por fim acopladas…
Nesse recanto do jardim, p’la tarde calma.
Mas Ophelia, os dias novamente irão florir,
O espírito alcançará então a merecida paz…
Desabrocharão flores num tempo que há de vir;
Ophelia, se a vida por nós passa tão fugaz
Da mesma forma noutra dimensão irá fluir…
Acredita Ophelia, o espírito disso será capaz!
Matias José
«O alimento da Alma»
Uma boa notícia… (é bom demais)
Não teremos taxa máxima no IVA
Aplicada às actividades culturais,
E assim toda a malta se cultiva!
A crise é uma maravilha...
Mas que rica encruzilhada,
Sem emprego, e sem casa...
Fui caçado na armadilha!
Fiquei sem o velho Ferrari
E as poupanças… como pode??
Encho a barriga de Shakespeare
Acompanhado com um Tchekhov!
Carlos Camões Galhardas
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