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Ciranda Desafio-te Tristeza
(Iniciada por Sá de Freitas)
Não finjas mais, tristeza (Eugénio de Sá); FINJAS TRISTEZA, POETA!
(Maria Luiza Bonini)
Não finjas mais, tristeza
Eugénio de Sá
Soube-te divagando por aí
minha tristeza, doce e peregrina
brincas de dia, como uma menina
mas sabes que eu à noite estou aqui.
Cais-me nos braços mal a luz se esgota
E a rebeldia já te abandonou
Buscas então nos mimos que te dou
encontrar neles os sonhos de garota.
Mas desgraçadamente não os tenho
pois esta minha dor não tem tamanho
nem medida, nem fim, nem horizonte
E assim, minha tristeza fica aqui
repousa mas não sonhes, que eu bem vi
que fingias dormir, vi-te na fronte!
Lisboa/Portugal
FINJAS TRISTEZA, POETA!
Maria Luiza Bonini
Ao fingires a dor que, deveras, sentes
Estás revigorando a força do poeta
Se saudares a alegria, por de certo, mentes
No intento de dissimular a dor secreta
Ao fingires a dor que, deveras, sentes
à inspiração que está em ti, despertas
Alimentando o amar que há em ti, latente
Para que a tristeza e a dor fiquem alertas
Ao fingires a dor que, deveras, sentes
Abortas de ti toda a tristeza
Passas a alimentar da alegria toda beleza
Ao fingires a dor que, deveras, sentes
Asperges ao mundo um cantar tocante e uno
Eleva-nos a devaneios d'um belo poeta, em testemunho
Nota: A Ciranda continua nos próximos números
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