EDIÇAO NºLVII , II NUMERO  DE FEVEREIRO DE 2010 - COMENTARIOS GERAIS

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José Varzeano

ETNOGRAFIA

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A canastra

A sua confecção era praticada por grande número de alcoutenenses pois fazia parte da formação de um homem. Havia sempre na família quem as soubesse fazer para uso da casa.

Faziam-nas de cana e de tamanhos diferentes, conforme as suas necessidades, dependendo da utilização que lhe iriam dar. Tinham sempre duas asas.

Eram várias as utilizações, sendo algumas muito próprias. Nelas se transportava a palha que se colocava nas manjedouras para alimento dos animais, nomeadamente as bestas.

Além da utilização para transporte, era usada para armazenamento. Era nelas que grande parte das famílias recolhia o figo seco, depois de devidamente tratado, tendo passado pelo forno e pelo escaldar. Aqui ficavam para o consumo anual da família que os utilizava muitas vezes como alimento quando saíam para os trabalhos de campo.

Noutra canastra eram armazenados os figos rejeitados e que se destinavam à alimentação dos animais. Outra utilização muito praticada tratava-se da preparação da azeitona, que se salgava, destinada ao fabrico do azeite e que tinha lugar nas queijeiras que aqui já referimos.

Em canastras pequenas (como alternativa aos cestos e aos cortiços) preparavam as azeitonas mais gradas, principalmente as maçanilhas roxas que constituíam as chamadas «azeitonas de sal», muito típicas desta região.

Enquanto a roupa «fina» era colocada na arca de castanho, a de trabalho guardava-se em canastras.
As mulheres utilizavam-nas para levar a roupa suja aos pegos dos barrancos próximo para procederem à lavagem, utilizando-a igualmente no regresso. Foram estas, segundo a recolha feita, as principais utilizações da canastra.

Tudo isto faz parte de um passado recente pois estas actividades estão hoje praticamente abandonadas.

Hoje, poucos saberão fazer uma canastra!


Prato «grande»

Não encontrámos localmente um nome próprio e específico para esta peça de louça que foi muito usada no concelho de Alcoutim onde era considerada importante.

Constituía com as pelenganas, tigelas , caçoilas e alguns pratos soltos as peças de louça existentes numa casa alcoutenense de nível médio.

Era uma peça usada principalmente em dias festivos, nomeadamente em casamentos desempenhando as funções destinadas às travessas que por aqui não existiam e só vieram a aparecer muito mais tarde.

Era hábito nestas alturas e para suprir as necessidades pedirem-se a familiares e vizinhos. Eram neles que se colocava o carneiro guisado com batatas, prato muito característico destes eventos.

Nem todas as casas possuíam esta peça.

O prato apresentado é da Fábrica Sacavém, tem 40 cm de diâmetro e presumo que seja centenário.

Na minha região de origem estes pratos eram conhecidos como «pratos de arroz».

 

Publicado por José Varzeano  - BLOG ALCOUTIM LIVRE

jose.varzeano@gmail.com

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