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EDIÇAO NºLVII , II NUMERO  DE FEVEREIRO DE 2010 - COMENTARIOS GERAIS

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Piercing e tatuagem íntima – qual o limite?

Por Se-Gyn


Para conquistar alguém, de verdade, é preciso ter verdade nas atitudes. E a verdade só se revela quando expomos nosso mundo interior - idéias , convicções, sentimentos, raciocínio e impressões.

No dia D, na hora H, de nada valem as embalagens, as sugestões enganosas, a tentativa de aparentar o que não se é. E isso não muda - nunca.

 

Acho que, por exemplo, se uma mulher confiar na sua beleza, na sua personalidade e cultivar a inteligência, tem muito mais chances de sucesso, do que se submetendo-se a todo tipo de demarcação, de alteração do próprio corpo, em busca de reconhecimento e aceitação. E o mesmo vale para o homem. Sempre.

A aceitação começa em nós. Ela nos dá a sustentação para nos aproximarmos depois, sabendo o que podemos ofertar e então, receber. Eu pergunto ao leitor se alguém poderá querer que outra pessoa lhe gosta, se ele não gosta de si, se vive em constante confronto com seu corpo, com seu mundo de valores e sentimentos. E possível?

Alguns dos atuais modismos femininos e masculinos que, aparentemente, buscam a tornar as pessoas mais encantadoras, acessíveis - senão, desejáveis, estão um tanto fora de foco. E causam até estranheza e algum asco às pessoas um pouco mais centradas e conscientes de seu valor e do valor da pessoa humana.

É o caso, entendo, do uso de piecings e tatuagens.

Dependendo do tipo de piercing ou da tatuagem, dentro de certos parâmetros, até se mostram aceitáveis e interessantes nos jovens, pois em certa medida, é parte de seu mundo, de sua constante ideologização da realidade, de sua forma de interagir com o mundo ao redor.

Mas, por amor à Criação!, penduricalhos de aço em pessoas acima de 30 anos ficam ridículos e mostram, muitas vezes, a vagueza de suas personalidades e, a inexplicável ausência de crítica e de percpeção do tempo.

Um trintão com anilhas daquelas que enlanguescem o lóbulo da orelha, uma quarentona com uma peça dessas no umbigo, um senhor ou senhora exibindo tatuagens sobre suas peles marcadas pelo tempo - que coisa mais triste, quando não, muito feia!

Todos tentando competir com os jovens por olhares e holofotes, emitindo então, um atestado de falta de maturidade, de incapacidade de aceitar lidar com tempo, de assumir o controle do corpo e da mente - além de se mostrarem francamente ridículos e, por vezes, levar ao riso, quem passa ao lado.

Uma adolescente com uma tatuagem de dragão que lhe atravessa as costas transversalmente de lado a lado está dentro da linha do modismo que casa com a idade e tudo o mais - pois vivem o momento das experiências e das extravagancias (consentidas ou não), descobertas e escolhas.

O mesmo não posso dizer de argolinhas atravessando a narina ou, um dos lábios, pois não posso escapar da sensação de nojo em relação ao primeiro ou, de incômodo, em relação ao segundo.

Mas, aqueles mesmos adornos e tatuagem, colocados sobre a pele de uma cinquentona (cuja pele normalmente vai sentindo aquilo que todos sentem e sentirão, o lento envelhecimento), que coisa lamentável! E não adianta retocar a tinta da tatuagem, pois a tinta em cores vivas só complica mais as coisas.

O contrário digo da mulher ou do homem que aceitam e, por isso mesmo aprendem a lidar com a passagem do tempo, se adaptando a ele e tirando vantagem disso, inclusive no quesito da moda, quando procuram utilizá-la a seu favor, e não, brigar com ela, usando-a para valorizar o que tem de melhor.

Como é interessante ver meninos e meninas em bando, falando rápido, gesticulando freneticamente, se exibindo o quanto podem, desconfortáveis com o mundo e as regras estabelecias, fixados no mundo da proximidade - e não raro, da aparência, se atirando e experimentando relacionamentos vários entre si e, com os outros, quando, sem que percebam, cada envolvimento, cada resultado, ajuda a estabelecer conceitos, fortalece as emoções e, orienta nas escolhas...

Mas, também, que alegria, ver uma quarentona que viveu, lidou com as experiências, que pôs filhos no mundo, mas está sempre pronta para encarar e desafiar o mundo, com elegância, vontade e alegria e, preservou dentro de si a capacidade de se encantar e amar e encantar o outro!

Que beleza, ver um cinquentão que aguentou os trancos da vida, educou filhos, que reconhece e aceita sua mínima parcela de contribuição para a mudança do mundo, que não perdeu o encanto pela vida, que se encanta e é capaz de amar ternamente à outra, encantando-a ainda.

A moda faz parte de nosso cotidiano, de nosso jeito de viver. Mas, não nascemos para ser embalagem ou outdoor de mensagens obscuras, nascemos corpo e mente para ser o vaso das mais sublimes promessas e realizações humanas!
Precisamos dizer e ensinar isso aos nossos filhos.

Se minha filha viesse a colocar um piercing na vagina, eu quedaria entristecido, vislumbrando o quanto ela se sente desvalorizada e perdida, a ponto de sacrificar a beleza original do mais íntimo de seu corpo, para tentar alcançar às amigas, na corrida desenfreada pela aceitação, submetendo até mesmo sua saúde a riscos para sustentar tal adorno, se desrespeitando mais e mais.

Talvez seja a hora de refletir sobre os limites disso, pois precisamos recordar, repito, que não nascemos para ser apenas corpo e, embalagem de ideias passageiras ou confusas. Nosso único e brilhante destino nos reserva muito mais que isso.

Precisamos redescobrir nosso corpo - e depois, tomar posse dele, e valorizá-lo devidamente.

Piercing e tatuagem íntima - qual o limite?


O autor é um quarentão pai de filha e filhos, aos quais ama fraternalmente. Considerem isto, ao fim da leitura, sim?

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