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EDIÇAO NºLVII
, II NUMERO DE FEVEREIRO DE 2010 -
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Crónicas «Ver e Sentir»
Por Cristina Maia Caetano
(XLIII)
Certo dia, necessitei de ir à Loja do Cidadão. Muitas eram as coisas que aí tinha de fazer! Em qualquer uma das filas em que me colocava para ser atendida, ia murmurando baixinho para comigo, para a «lista» de tarefas não esquecer…
Numa das filas, encontrei um conhecido meu… Bem mais concentrado do que eu estava, mas a sua disposição melhor do que a minha certamente não estava…Afável foi o nosso cumprimento! Breves minutos de interrupção para um – Olá, como estás? - deram lugar às tarefas que até àquela Instituição nos levará. Passaram vários minutos…Depois de vários outros guichés visitados, encontramo-nos novamente…
Um cafezito ia agora tomar com o tal meu conhecido… Lá fora chovia. E o carro bem longe estava. Caminhámos pois cautelosamente, mas de forma segura e apressada…Dentro do carro, queria entrar, sem demais delongas… Abri a minha carteira e, … nada! Revirei-a, uma, duas vezes e, … nada! Agora já mexia e remexia nos bolsos do meu casaco e das minhas calças. Perante este aparente «contorcionismo», percebia uma crescente agitação do tal meu conhecido: - O que se passa? Perdeste alguma coisa?
Não pude deixar de sorrir! Certamente que se as chaves do carro tivesse, chuva na cabeça, não necessitaríamos de ter! Decididos a voltar para trás, permanecia calma. Eu sabia! Eu acreditava! O meu querido Anjinho Da Guarda estava comigo! Ia-me ajudar! Eu sabia! Eu acreditava!
Iniciei a minha busca no último lugar onde estivera. Enquanto solicitava à senhora que minutos antes me atendera, a procura das minhas chaves, repetia para comigo três vezes seguidas: o meu Anjinho Da Guarda encontra as minhas chaves; o meu Anjinho Da Guarda encontra as minhas chaves…
Nisto, a senhora, ainda não tinha acabado a demanda… e o tal meu conhecido, permanecia tenso!. Podia bem sentir a sua alterada energia. Podia bem, visualizar invisíveis rugazinhas de preocupação. Sabia bem que não tinha acreditado nas minhas palavras: - Não estou sozinha! Sei bem que o meu Anjinho me vai ajudar!...
De repente, quando ambos me viram afastar, bem admirados ficaram… Tinha acabado de me lembrar… a imagem tinha aparecido na minha mente nitidamente… - Nem o: onde vais? - do aturdido conhecido meu, as passadas me diminui… Continuava calma, sempre calma… Já em frente do «tal guiché» que na «tal imagem» tinha surgido, dirigi-me ao caixote do lixo, gracejando para os funcionários: - não se importam que mexa no vosso lixo, pois não? É que tenho a certeza, que por lapso, as chaves do meu carro caíram aqui…
Por um minuto, um breve minuto, cabeças olharam para mim: Terá enlouquecido? No lixo? Não haveria um lugarzinho melhor? Parecia adivinhar os pensamentos…Continua calma, sempre calma…De um movimento só, abri o dispositivo do lixo. De um movimento só, retirei as chaves, as minhas chaves… Eu sabia! Eu tinha a certeza! A indicação do meu Anjinho Da Guarda estava certa! Alias, como sempre!
Lembrem-se pois, pensarem carinhosamente no assunto, com a certeza que o melhor, é mesmo não se fazerem julgamentos...