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EDIÇAO NºLVII
, II NUMERO DE FEVEREIRO DE 2010 -
COMENTARIOS GERAIS
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POESIA DE DENISE SEVERGNINI

A ESPADA E A CRUZ
Sal vertido na senda de Santa Luzia
Imolou meu espectro sem lucidez
Vassala de ti, eu ajoelhei sem rezar...
Suserano de mim, lançaste tu, a adaga
Ruíram nossos castelos... Tergiversei!
Cruzado peregrino, aguilhoaste viagem...
Oscilei... lamúrias de sangue lancei
Exorei perdão ante a cruz da morte
Inumei a espada no azado afeto!
TREVAS
Soturnezes assolantes proliferam em certos imos
Ausentam-se os fanais do apropriado discernimento
Cadavéricas configurações ofertam seus préstimos
Promovendo hordas insofismáveis de desentendimento
Adentra-se ao sepulcro, vociferam verdugos Lucíferes
Sorumbáticas teses elevam-se às mentes psicopatas
Cadaverizam estações, hiperbolizam suaves éteres
Egressão faz-se nula! Biografias fenecem obstupefatas.
Soturnos véus embaçam o olhar, quando desprevenido
Tenência! Satanás alvitra ternas seleções ao incauto
Valhacouto! Prudência! São os vocábulos ao entendido
E de maior valimento feijão com arroz a banquete lauto
FINADA EM VIDA
Ontem, havia amor, deleite, sedução
Em ósculos e amplexos magistrais
Maviosa voz cantilenava aleivosias
Meu ser romanesco fido, em ti, cria
Querubim noturno que voejou...
Imersa em sangüíneas sombras,
Aparto níveas asas. Maculam-se!
Muito resta de tuas garras em mim.
No apocalipse, em que me sobrevenho,
Anoiteço ante a fúria dos cavaleiros!
Meu tempo findado. Sou sombra sem luz!
Vislumbro siluetas indecifráveis
Flagelos em degredo eternal...
Insignificância, eu sou!Abantesma!
Sanguínea!Há escarlate nas mãos,
Angústia no cerne... Indícios de repúdio!
Hoje... Gosto nebuloso, trevas em atração
Tímpanos atentos a entristecidos sons
Carregam graça na fúnebre aparência...
Sombria, na nuviosa paisagem enaltecida
Solitude do meu imo compungido...
Corvos, prefeita companhia entristecida!