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EDIÇAO NºLVII
, II NUMERO DE FEVEREIRO DE 2010 -
COMENTARIOS GERAIS
PARA COMENTARIOS TEXTO A TEXTO VEJA O FINAL DE CADA ARTIGO
CORONEL FABRICIANO
RIO DE JANEIRO

BENEDITO FRANCO
O Iraque tem petróleo?... O Afeganistão tem petróleo?... Este não, um país
paupérrimo, mas sua posição estratégica, espremido entre o Oriente Médio, a Ásia
Central e a Índia, foi, e é, disputado por vários países - tanto pela Rússia
imperial como pelo império britânico... e hoje, pelos Estados Unidos. Isso torna
moralmente justificável a matança de inocentes em duas guerras, a ponto de se
tornar moralmente justificável um Prêmio Nobel da Paz?
Os aposentados vamos pedir o Prêmio Nobel da PÁS para o Presidente Lula-la-la!!!
050 - A estética da coisa!
Quando cheguei ao Rio de Janeiro, no meio do mandato do Presidente JK, o povo
ligava o rádio para ouvir os maravilhosos debates dos deputados, no Palácio
Tiradentes, e dos senadores, no extinto Palácio Monroe. Valia a pena ouvi-los
nas discussões. Tanto na Câmara quanto no Senado, grandes oradores, como Carlos
Lacerda, Baleeiro, Adauto Lúcio Cardoso, Afonso Arinos... Acreditava-se ainda no
político - tinha personalidade marcante e caráter.
Em um escritório de contabilidade, o meu primeiro emprego, no Bairro de Fátima.
Morava bem perto, na Lapa. Durou pouco esse emprego - com menos de dois meses de
trabalho, por motivo de economia, alguns colegas e eu fomos dispensados - nem
fichado tinha sido eu.
Mudei para Copacabana, onde ia à praia todos os dias após o serviço. No centro,
ao lado da Praça Mauá, entrei para o escritório das Lojas Brasileiras, no
Departamento do Pessoal - na época, a maior cadeia de lojas do Brasil, hoje
inexistente.
Situada no início da Av. Venezuela, entre o Hospital dos Servidores, a
Rodoviária antiga, a Imprensa Nacional (agora, sede da Polícia Federal) e o
prédio da Rádio Nacional, Praça Mauá, onde os programas de auditório eram o
máximo no Brasil - lugar dos artistas globais: Paulo Gracindo, César de Alencar
e os cantores Emilinha Borba, Ângela Maria, Marlene, Silvio Caldas, Orlando
Silva, Cauby Peixoto etc.
Nas Lojas Brasileiras tinha os colegas Sebastião de Carvalho, ainda hoje um
grande amigo, e um outro, o Zé Roberto. Almoçávamos no restaurante popular na
Praça da Bandeira - apesar de bem longe, íamos e voltávamos a pé - um bom pedaço
de chão - com o calor do Rio, suávamos às bicas!
Gastávamos as energias adquiridas no almoço.
Pneus General
Meu primo, Sr. Waldomiro de Castro - de Antonio Dias, MG, onde fora prefeito - era o chefe do Departamento do Pessoal na fábrica da Pneus General, em Queimados, RJ - Km 27 da Rodovia Presidente Dutra. Sr. Castro levou-me das Lojas Brasileiras para ser um de seus auxiliares.
Viera ele da fábrica da Pneus Brasil, de propriedade de um seu conterrâneo, o
Dr. Carvalho de Brito - a única fábrica de pneus genuinamente brasileira até
hoje. Carvalho de Brito, filho do Coronel Fabriciano, proprietário da primeira
usina hidrelétrica fornecedora de energia para Belo Horizonte e dono de algumas
tecelagens em Minas; em Minas, ocupou algumas Secretarias de Estado e, indo para
o Rio de Janeiro, foi Ministro da Fazenda, no governo do Getúlio Vargas.
De Copacabana a Queimados são bem uns setenta quilômetros - mudei-me para o
Catete, em frente aos colossais portões da Beneficência Portuguesa - quinze
quilômetros a menos.
No Rio, tinha eu a companhia, morávamos perto, dos primos José Franco e o
Vianney. Com o Vianney, íamos, na Tijuca, à casa do Dr. Euzébio - irmão do Dr.
Carvalho de Brito e padrinho do Vianney - ele ajudou muito à Vovó Olinda, mãe de
meu pai, quando ela enviuvou, arranjando-lhe o emprego no Grupo Escolar de
Antonio Dias.
O assistente direto do Sr. Castro era o Oscar, a quem eu mais me reportava.
Datilógrafo
No primeiro dia de trabalho, o Oscar deu-me uma carta para datilografar - uma meia página de texto. Com muita dificuldade catamilhiografei. Oscar pega o papel, corrige os muitos erros e pede para eu datilografar novamente. Mais alguns erros, e lá fui eu repetir o feito, uma, duas, três... "n" vezes.
Agora, sem erro, o Oscar pede-me para ver se eu conseguiria dar uma ajeitada,
colocando o texto um pouco para baixo, um pouco para cima, no meio da folha...
uma vez foi a data muito acima do texto... outra o "Atenciosamente" abaixo do
desejado... outras as margens atrapalhando a estética do conjunto...
- Olhe a estética da coisa, dizia-me ele!
E assim, fiquei todo aquele dia, catamilhiografando a bendita carta!
Valeu a pena. Hoje, tudo que escrevo, ou faço, procuro, dentro do possível,
seguir os passos do Oscar: esforço-me para achar a estética da coisa!
Benedito Franco - www.paralerepensar.com.br/beneditofranco.htm