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EDIÇAO NºLVII , II NUMERO  DE FEVEREIRO DE 2010 - COMENTARIOS GERAIS

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POESIA DE MARIA DA FONSECA

Mas minha Alma, não acalmo!

 

Como o coração doeu

Quando o mar grande avançou

Há poucos anos, Deus meu,

Devastando o que encontrou.



Como senti a tristeza

Do sofrimento causado

Pelas forças da Natureza

Contra povos sem pecado.



Prometi não mais cantar

O mar lindo, azul e calmo,

Nem a traição perdoar.

Mas minha alma, não acalmo!



Agora ‘inda foi pior,

Sismo da maior violência

A abalar tudo em redor

Destruindo sem clemência



Irmãos nossos, suas vidas,

Seus lares, suas cidades,

Estruturas abatidas

Causando fatalidades.



Quantas pessoas perdidas,

Os pais sem os filhos seus,

As crianças sem guarida.

Como sofrem, sabe Deus!



As réplicas sucedendo

Sem se fazerem ‘sperar.

E, aterrados, predizendo

Que o mundo vai acabar.



Mandai anjos, meu Senhor!

Todos venham pra ajudar

O pobre Haiti, do pavor

Em que o vemos mergulhar.



Povos irmãos solidários

Socorrei-o sem demora.

Que não se tornem precários

Nossos esforços de agora.



Aplacai ó meu Jesus

As forças da Natureza.

Do alto da Tua Cruz

Só Tu podes, com certeza!


Linda Judia

Vim ao mundo sem 'scolher

O meu país, minha raça.

De mãe judia nascida,

Minha terra não me abraça.


Que tragédia a do meu povo!

Desde sempre perseguido,

Sem Pátria, lar e perdão,

Pelo mundo anda perdido.


Já lhe perdoou Jesus,

Mas os homens, nunca mais!

Há dois mil anos que anseiam

Pela casa de seus pais.


Negro o cabelo e a tez clara,

Encanto quem por mim passa.

Chamam-me «linda judia»

Porque não 'squecem a raça.


Outros iguais, como eu,

Procuram o novo mundo,

Pacientes, solidários,

A aplicarem-se a fundo.


As nossas mães são judias

Como a de Jesus Irmão.

Jeová é o Senhor Deus,

Porquê a perseguição?


Lisboa, 11.9.2005...

 

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