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A FAMILIA TECO-TECO
Conto Infantil de Cremilde Vieira da Cruz
Ia eu muito contente apanhando pedrinha aqui, florinha ali, olhando
as árvores, sorrindo às ervinhas, quando ouvi uma vozinha muito
fininha que pedia socorro. Corri para o local donde vinha a voz e
deparei-me com um coelhinho que chorava.
- Que te aconteceu, coelhinho? - perguntei-lhe.
- Tive um acidente - respondeu o coelhinho - Parti uma patinha
quando fugia dum caçador maroto que queria matar-me, para fazer uma
boa almoçarada. O mais grave é que, depois de tanto fugir, não sei
onde estou, e não consigo orientar-me, para voltar para casa. Os
meus pais e irmãos devem estar desesperados.
- Deixa-me ver a tua patinha!... Ah, isto está feio! De certo terás
que ir ao veterinário para te tratar e é melhor fazê-lo quanto
antes, porque se o não fizeres, podes ficar com a patinha aleijada.
- Terei que ir ao veterinário?! O que é isso?
- O veterinário é um Senhor que trata os animais; é o médico dos
animais.
- Ah, nunca tinha ouvido falar!
- Mas o que eu mais queria, era encontrar a minha casa e a minha
família. Longe dos meus familiares, sinto-me muito triste.
- Vais dizer-me onde vivem os teus pais e depois de teres a patinha
tratada pelo veterinário, levar-te-ei a casa. - disse eu.
- O meu pai é o Senhor Teco -Teco e a minha mãe a Senhora Teco -Teco.
A nossa casa é na quinta do Senhor Conde de...
Ai que me esqueci do nome do Senhor Conde!... - disse o coelhinho.
- E como se chama a quinta? Se me disseres o nome da quinta e onde
fica...
- A quinta fica num Monte e chama-se Quinta da Corticeira.
A nossa toca é muito espaçosa e gostamos muito de lá viver, porque
temos sempre ervinhas frescas e aguinha muito limpa, sem precisarmos
de ir para longe da toca. A água corre num riacho ali ao pé e faz um
barulho tão bonito, que até parece que canta.
- Não te preocupes, que não será difícil encontrarmos os teus pais,
pois pelas indicações que me dás, havemos de lá ir ter.
- Que bom! Estou tão desejoso de chegar a minha casa e tão
preocupado com os meus pais! Eles devem estar aflitíssimos e muito
tristes.
- Então vamos lá visitar o Senhor Dr. Pereira que é um veterinário
meu amigo, e ele tratar-te-á cuidadosamente. A tua patinha ficará
boa num instante. Vem cá para o meu colo, não quero que te esforces
a andar. A tua patinha não deve estar partida, mas sim muito
magoada, pois se estivesse partida não poderias andar.
Fomos ao consultório do Dr. Pereira que vive numa aldeia ali perto e
ele observou logo a patinha do coelhinho Teco -Teco.
- Isto não é nada de grave. A tua patinha está apenas magoada. Vou
pôr-te uma pomadinha e daqui a pouco estarás pronto para uma
corrida.
- Obrigado, Senhor Dr. - disse o coelhinho - O Senhor é muito
simpático e bom. Se soubesse o susto que apanhei, quando vi aquele
caçador a apontar-me a arma!... Nunca tinha corrido tanto na minha
vida. A minha sorte foi ter-me magoado quando já estava bastante
longe dele, senão!...
Esta amiga socorreu-me e trouxe-me aqui para o Senhor Dr. tratar a
minha patinha, pois se assim não fosse estaria ainda no meio do
mato, perdido e cheio de dores.
- Onde moras? - perguntou o veterinário.
- Moro na Quinta da Corticeira.
- Essa quinta é muito perto daqui! Estás a ver aquele Monte? Ali é a
Quinta da Corticeira. Como estás muito cansado e a nossa amiga
também deve estar, levá-los-ei no meu carro, para evitar que subam o
monte a pé.
- Obrigado, Senhor Dr. Pereira! Estou tão contente por o ter
conhecido! Quando chegar a casa vou dizer aos meus pais que o Senhor
é o melhor médico do mundo e tenho a certeza, que a partir de agora,
a Família Teco -Teco há-de vir ao seu consultório sempre que houver
qualquer problema de saúde.
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