site stats


Banco de Poesia          Email             Portal          Motor de Busca         Newsletter       Livro de Visitas        Homepage       Feed

poesia
 
cronicas
 
contos
 
cultura
 
educação
 
agenda cultural
 
humor
 
ambiente
 
solidariedade
 
assuntos europeus
 
ciência e tecnologia
 
biografias
 
Colunas/ Empresas



LINKS NO PORTAL



























































Colaboradores do Jornal Raizonline


Para ver maior carregue aqui


 Daniel Teixeira - Director Interino

Kácia Pontes - Secretariado da Direcção



Alexandra Figueiredo - Relações Públicas



Arlete Deretti Fernandes - Educação e Cultura



João P. C. Furtado - Consultor Africa. 

Free counters!

Para ver a distribuição Mundial dos nossos leitores carregue aqui s.f.f.



LINKS NO PORTAL

 

 


Colaboradores do Jornal Raizonline


Para ver maior carregue aqui


 Daniel Teixeira - Director Interino

Kácia Pontes - Secretariado da Direcção



Alexandra Figueiredo - Relações Públicas



Arlete Deretti Fernandes - Educação e Cultura



João P. C. Furtado - Consultor Africa. 

Free counters!

Para ver a distribuição Mundial dos nossos leitores carregue aqui s.f.f.



LINKS NO PORTAL

 

 


As vizinhas

 

Conto por Arlete Piedade

 

Era nos arredores do aeroporto de Luanda que a casa alugada do casal de enfermeiros, se situava, numa rua sossegada, em que a única casa vizinha se situava a cerca de 200 metros, separada por uma extensão de terreno baldio, sem nada que impedisse a vista, a não ser aquelas centenas de metros.

Os enfermeiros tinham-se conhecido em Lisboa, no hospital onde ele já trabalhava e ela fora colocada, concluído que fora o curso de enfermagem, há cerca de 10 anos antes. Daí ao namoro e ao consequente casamento fora um percurso normal e habitual naquele tempo, em meados da década de cinquenta do século passado.

Para trás tinham ficado as terras de origem de cada um, no interior centro do país e a infância e juventude passadas naqueles tempos de dificuldades que nós hoje dificilmente conseguimos imaginar.

Eles tinham crescido no tempo da guerra e sabiam dar o valor ás dificuldades que os pais tinham passado para criar uma casa cheia de filhos, onde muitas vezes a imaginação e algumas ervas do quintal, eram os únicos ingredientes disponíveis para o jantar.

Assim quando o enfermeiro recebeu uma proposta para ir trabalhar para Angola, contratado pelo governo, e sem previsões de quando poderia regressar a Portugal, a hipótese mais viável foi apressar o casamento e propor levar consigo a esposa, também enfermeira. Assim, foram os dois com contrato para Africa, sem saberem as dificuldades que os esperavam, mas confiantes nos seus conhecimentos, na sua juventude e no amor que os unia.

Depois de nove anos de trabalho em diversas cidades de Angola sem descanso, e já com dois filhos pequenos, surgiu a oportunidade de virem passar as primeiras férias que tinham vindo a acumular, com a família a Portugal. Durante nove meses reviram amigos, mataram saudades, deram a conhecer os filhos á família, até que receberam uma carta de um médico amigo propondo um novo trabalho em Luanda.

Regressados a Africa, alugaram aquela casa de rés do chão, numa rua quase deserta perto do aeroporto e do novo local de trabalho do enfermeiro, e continuaram a sua vida rotineira, nos três anos seguintes.

Ao longe viam os movimentos dos vizinhos, na casa de primeiro andar encimada por um largo terraço, onde a dona da casa estendia roupa para secar. As vezes havia visitas na casa dos vizinhos e todos no terraço confraternizavam alegremente, juntamente com as crianças, filhos dos casais. Os metros que os separavam impediam que se distinguisse claramente os rostos e os detalhes, mas as movimentações eram visíveis, assim como o eco das risadas e das conversas que chegavam nas asas do vento.

Durante os dias de semana, cada família saía de casa nos seus carros para se dirigir á cidade e para os seus locais de trabalho. Viam-se ao longe, eram vizinhos, mas não havia um motivo para estreitarem relações ou para um conhecimento mais próximo.

Um dia uma carta chegou de Lisboa. Era da mãe da enfermeira e entre outras, dava notícia que uma amiga de infância e de escola, de sua filha, também se encontrava a trabalhar e a viver em Africa. A enfermeira ficou muito contente, pois era uma mulher afectuosa e que estimava as suas amigas, em especial aquela de quem já nada sabia há cerca de 20 anos, desde que tinham crescido e cada uma seguido a sua vida.

Assim, respondeu á mãe, pedindo se ela conseguia saber a direcção da morada da amiga. Daí a algum tempo chegou a resposta, com todas as indicações pedidas. Foi a vez do enfermeiro, escrever uma carta, endereçada ao marido da amiga de infância da esposa, propondo um encontro dos dois casais, para as velhas amigas se reencontrarem e poderem visitar-se e conviver, dando também a sua morada.

Não convém esquecer, que naquele tempo, em meados da década de sessenta, e mais ainda em Africa, as comunicações eram morosas e as cartas enviados pelo correio, eram o meio mais usual de comunicar. Telefones eram raros, telemóveis ainda não haviam sido inventados, e a internet e os computadores, pertenciam ao domínio da ficção científica. Portanto uma comunicação que agora levaria alguns minutos, naquele tempo exigia alguns dias.

Assim passados dois dias, estavam os enfermeiros na sua casa, almoçando tranquilamente com os seus filhos, quando ouviram na rua em frente á sua casa, risos e gritos que em altas vozes chamavam pelo nome da enfermeira. Alvoroçados, deixaram a refeição em meio e assomaram á porta da residência, para verem quem assim os chamava naquela rua tão sossegada onde não conheciam ninguém.

Era a amiga de infância da enfermeira, a tal que vivia em Africa, que muito feliz, chamava a sua velha amiga á porta. Ela estava afogueada e ria alto, depois da corrida de duzentos metros da casa vizinha, onde durante aqueles três anos todos os dias os casais desconhecidos observavam a actividade uns dos outros, sem saberem que as senhoras eram afinal as amigas de infância de há vinte atrás, que naquele dia retomavam uma amizade que as viria a unir até à morte.

 

Arlete Piedade

(Baseado numa história verídica)

 

COMENTE ESTE CONTO