site stats

Radio Raizonline   Banco de Poesia    Email    Portal   Motor de Busca  Newsletter   Livro de Visitas   Anuncios     Homepage    Feed

poesia
 
cronicas
 
contos
 
cultura
 
educação
 
agenda cultural
 
humor
 
ambiente
 
solidariedade
 
assuntos europeus
 
ciência
 
tecnologia
 
colunas/empresa
 
biografias
 
 
 
Desde 7 de Março de 2011
Free counters!





Poesia de Sylvia Beirute


Ver pequena nota biográfica

 

CIDADE-RAPAZ; ENTARDECIMENTO; FORMA DE FICAR

 

 

 

CIDADE-RAPAZ

Escrever poemas eróticos de qualidade é muito difícil. Mas sinto-me imensamente feliz com o que exprimi neste poema.

 

quero viver contigo
numa cidade - rapaz
e jantar num restaurante situado no ombro
talvez mais tarde um passeio pelo peito
esconder-me contigo na floresta do peito
oh mas nunca conhecer
esse rapaz que é cidade
nem o seu coração que bate como trovoada
a sua insanidade saudável
mas no final do dia
quero deitar-me contigo
ouvindo a sua respiração suave
{entrando na sua respiração aí suave}
e falar para esta cidade
em forma de corpo indecente
esperando suas reacções mais espontâneas
seus sonhos mais nefastos
e quando a cidade acordar
fingir-nos-emos
mitológicos como a dissolução
dos cúmplices
e viveremos atrás dos olhos
num interstício da alma.

Sylvia Beirute

 

ENTARDECIMENTO

 

nada pior do que entardecer
na infância de qualquer pequeno nada.
não soube guardar a criança.
não soube iluminar o silêncio
com palavras anónimas.
é uma espécie de lado inverso
da felicidade (o lado mitológico das
cidades, como diria al berto).
e eu fi-lo.

vivi intensamente e fabriquei coisas
com palavras que também elas
viviam intensamente.

e entardeci como o retrato que envelhece
com o rigor do tempo,
com o lado didáctico da questão séria.
e a criança apareceu hoje, vi-a no sorriso
de uma outra, feliz, muito feliz.

Sylvia Beirute

 

FORMA DE FICAR

 

os estilhaços formam números.
como se eu não pudesse falar de outra coisa
ou de outra
forma de ficar.
eu posso queixar-me a cada minuto.
eu posso ser o centro do meu universo
a cada minuto.
sentir a falta de paulo leminski.
e os estilhaços formam números porque
os procuram.

assim como o silêncio procura uma palavra
que o cale para sempre.
i am done with it.
i just don't care, you know?
done. done com a forma de ficar
e de provar o dilúvio.

done with my own elements
que não
afluem a qualquer outro sono
maior na véspera
de um mundo novo.

Sylvia Beirute

 


Blog: http://www.raizonline.com/portal/silviabeirute.htm

COMENTE