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Copa do Mundo - Diário de um torcedor - Final da Copa: Pelé, Paul, o polvo e, a vitória da seleção da Espanha...

Por Se Gyn
Nas vesperas das finais da Copa do Mundo, as supostas previsões da pitonisa
do aquário «Sea Life», da cidade de Oberhausen, Alemanha, Paul, o polvo,
virou um tremendo hit mundial. Ao que parece, o bicho acertou todas as
previsões.
Mas, quem leu minhas crônicas anteriores já sabe que eu cantei a pedra antes
de todo mundo: Paul é um polvo e não tem idéia do que seja esporte, previsão
ou aposta. Tudo o que ele entende é que tem que atender ao exigente relógio
de seu estômago, para sobreviver. Assim, sempre que lhe servem comida, trata
de comer. Se lhe oferecem dois recipientes diferentes, escolhe
infalivelmente o recipiente da direita, para começar a consumir sua dieta.
Porque ele escolhe sempre o recipiente da direita? Tenho os meus palpites: a
luz, alguma fonte de calor, disposição dos objetos, alteração do sabor da
comida do recipiente da esquerda, ou longo tempo de adestramento.
Pessoalmente, aposto nestas duas últimas - e na malandragem decorrente.
O tratador de Paul ou quem quer que seja que escolha e coloque as
bandeirinhas no recipiente da direita do aquário do polvo, ainda que não
tenha consciência disso, bem ao contrário de Mick Jagger e Lula, é um
tremendo pé quente e, devia, por isso mesmo, jogar uns Euros na loteria toda
semana.
Dos profissionais da área futebolística no Brasil, somente o rei Pelé
acertou na opinião sobre a seleção vencedora da Copa do Mundo, depois de
sofrer a habitual crítica. Mas, é claro, ele é tri - campeão do mundo, foi
eleito o atleta do século passado, fez mais de mil gols e, depois de uma
longeva carreira, continua a ser um sujeito respeitado. Sendo quem é, será
muito capaz de estender o magnânimo perdão imperial a todos os seus
infortunados críticos.
Porque falei tanto de Paul, o polvo, e relembrei as glórias de Pelé? Porque,
francamente, sobre o jogo da final da Copa do Mundo da Africa do Sul, não há
muito a dizer - a não ser que ela foi decepcionante. Faltou tudo o que se
espera do bom futebol: jogos inesquecíveis, jogadores brilhantes, e por aí
vai...
O jogo de disputa pelo terceiro lugar, entre a seleção alemã e a «celeste»,
foi dos bons. O jogo da final entre a «Fúria» e a seleção holandesa,
entretanto, foi triste, de ruim, à parte a violência incabível e,
exacerbada, exibida pela seleção holandesa.
De fato, a seleção da Holanda, nem de longe parecia aquela que vinha jogando
anteriormente. Parecia que estava tomada por um leve desespero, coisa de
jogo de decisão. Nada! Estava mesmo, é desesperada. Tentou fazer o joguinho
de nervos e cai -cai, que deu certo contra o Brasil. Mas, logo se viu que
seus jogadores estavam com as emoções à flor da pele e, acabou exibindo em
campo um jogo pobre de qualidade, indigno e, vergonhoso, nos lances
violentos, que se sucederam, ao longo da partida.
A seleção espanhola tentou o jogo elegante e aplicado, mas não conseguiu,
pois também apresentou um futebol fraquinho e, em muitos momentos, foi
envolvida emocionalmente pelos oponentes e, devolveu a violência gratuíta e
sem sentido. O gol consagrador só aconteceu aos 12 minutos do tempo de
prorrogação, depois de uma atuação em campo, que em certa medida lembrou
aquela da Holanda contra o Brasil...
Em parte, o que se viu na final resume bem o que foi esta Copa do Mundo, em
termos de futebol: pouco acima do razoável. E sendo assim, o que dizer das
participações das seleções latino-americanas e, especialmente do Brasil? Em
minha opinião, a performance da seleção canarinho, foi, em todos os
sentidos, decepcionante e lamentável, onde pontuaram a arrogância do técnico
contratado pela CBF - o inexperiente Dunga e, a já conhecida ausência de um
compromisso mais firme dos jogadores com a camisa amarela.
De qualquer forma, sendo um torcedor, não posso cumprir ao dever de saudar a
seleção pela sua campanha e vitória, pois o que esta equipe fez não foi
pouco - depois de estreiar com uma derrota, ela deu a volta por cima,
superou a urucubaca da classificação para as finais e, chegou enfim, ao
sonhado título. Grande, grande!
E volto a um assunto que está agora, sob fogo morto: aquele lero - lero de
que o número exagerado de jogadores estrangeiros nas equipes européias
estaria causando a alegada derrocada da qualidade do futebol nativo, diante
do resultado do torneio, a partir das quartas de finais, não subsiste.
Assim, creio que seja lícito indagar se, por trás dessa argumentação, não
está presente o espírito do xenofobismo que assola a Europa, atualmente?
Questão de tempo, para se saber...
E não posso deixar passar em branco: como explicar a vexatória ausência do
presidente da república no jogo da final, representando o país que será o
anfitrião da próxima Copa do Mundo? O seu alegado cansaço não foi óbice para
a visita e prestígio de mais um ditador, o Sr. Teodoro Obiang Nguema, cujo
governo, que se originou de um golpe de Estado, se impõe a 31 anos sobre a
combalida Guiné Equatorial, tendo por resultado, a contínua violação de
direitos humanos, o perseguição da oposição ao governo e, evidentemente, o
incrível enriquecimento do mandatário (e desmandatário) da nação...
Dito isto e, diante do resultado da Copa do Mundo da África do Sul, o
negócio, agora, é descansar os ouvidos do som chato das vuvuzelas, tentar
esquecer as bobagens ditas sobre a bola usada no evento, guardar a lembrança
da imagem alegre e comunicativa do povo sul-africano e, das belíssimas
torcedoras presentes nas torcidas de todas as seleções (em especial as
holandesas, é claro) e, ter em mente que a Copa de 2014 vai se realizar no
Brasil, o que envolve o estabelecimento de uma infra-estrutura à altura das
exigências da FIFA.
Sabendo que tal operação envolve dinheiro público e a ação dantesca dos
nossos políticos e administradores públicos, sabemos que, antes de chegar à
festa e o espetáculo de caráter mundial, assistiremos a um torneio
diferente, disputado entre espertalhões, em torno da disputa pelo «controle»
dos suados recursos financeiros oriundos dos bolsos do contribuinte.
O presidente da FIFA já avisou que o Brasil precisa melhorar muito, em
relação aos compromissos assumidos com a entidade.
Os sinais emitidos até agora, ao contrário do que se espera, são
preocupantes: em São Paulo, a coisa empacou - o governo do Estado e a
prefeitura paulistana já avisaram que não vão comparecer com a bolsa, em
lugar de particulares (isto é, o São Paulo Futebol Clube). No Paraná, algo
parecido aconteceu, pois a prefeitura de Curitiba também já avisou que não
pode cumprir os rombudos custos com as obras públicas exigidas...
Mas, isto já é outro assunto. As minhas primeiras impressões sobre este
assunto, aliás, estão no artigo que você encontra no link abaixo:
http://recantodasletras.uol.com.br/artigos/2238420
Em tempo, não posso deixar de agradecer a todos aqueles que acompanharam e
comentaram as crônicas do meu diário sobre a Copa do Mundo de 2010. Valeu -
muito grato a todos!
..............................
Em 12.07.2010 - acabo de assistir no YouTube, o vídeo que divulga o país da
próxima sede da Copa do Mundo e exibe a sua logomarca.
Duas coisas a dizer: a idéia por trás da logomarca é muito deselegante com a
comunidade de seleções eventualmente participantes, pois ao final do vídeo,
mãos verdes e amarelas aparecem e, envolvem o trofeu da Copa, dando a
impressão de que vamos realizar um torneio apenas para que a nossa seleção
se sobressaia diante das demais e os vença, gozando do conforto de ser a
sede da copa.
Todos nós sabemos ao que levará a insistência nesse comportamento abusado...
E... que logamarca feiosa, hein? Mas, suponho que o gênio que a criou, ganhou um bom dinheiro da CBF, para criá-la.
Se Gyn