Pagª 11 - EDIÇAO Nº LI
, III NUMERO DE DEZEMBRO DE 2009 - COMENTARIOS
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Relações Publicas: Alexandra Figueiredo. Educação e Cultura: Arlete Deretti
Fernandes. Consultor Africa: João P. Correia Furtado.
Maria da Fonseca - Poemas de Natal
NOVO NATAL - 2009
Mais um Natal a chegar
De incerteza para o Mundo.
Não cessam de discordar,
Agravando mal profundo.
Eu rezo e desespero,
Pela Paz, ó meu Senhor,
E não sou só eu que quero,
São multidões, com fervor.
Faz com que os homens se entendam,
Partilhem boa vontade,
Dêem as mãos, compreendam
O que é Fraternidade.
Com este novo Natal
Regresse a nossa esperança.
Ajuda quem passa mal,
Protege cada criança.
O Nosso Menino Amor
Renasça no coração
De cada homem, Senhor.
-E esta minha Oração!
TRADIÇÃO DO NATAL
O meu Menino
Jesus
Todos os anos
chegava
Com as prendas que eu
queria
Com o que mais
desejava
Não havia de O
amar
Pois se até me
respondia
Em linda letra de
forma
Escrevendo no outro
dia
Como eu acreditava
Naquele Menino
louro
Deitado sobre as
palhinhas
Douradas como um
tesouro
O Natal bem
diferente
Nessa época
passada
Era caseiro
modesto
Dedicado à
pequenada
Nosso Menino
Jesus
Deixava na
chaminé
Os brinquedos prà’s
crianças
No sapatinho ou ao
pé
Se na mente do
petiz
Uma dúvida
surgia
Sobre quem dava os
presentes
Quem ‘xplicasse logo
havia
- Não te iludas
pequenino
Viste a Mãe limpar o
lar
E Deus Menino que
vem
Nessa noite pra
ofertar
A tradição do
Natal
Assim se foi
transmitindo
Dos pais prò’s filhos
pequenos
De grandes olhos
sorrindo
Hoje é o Pai Natal que
chega
Do frio cheio de
presentes
Nosso espírito é o
mesmo
Vê-los felizes
contentes
NATAL
Virgem Santa, Imaculada,
Os desígnios do Senhor,
Aceitaste humilde e pura,
Ser a Mãe do Redentor.
E em lindo Dia
Sagrado
Deste à luz o Deus Menino
Numa choupana em Belém,
Marcado fora o destino.
Nasceu sem ter o seu
tecto
Nem o berço preparado,
Porque os Pais se deslocaram
Pra cumprir o editado.
Do facto maravilhoso,
Souberam logo os pastores,
Que acorreram ao Presépio
Pra prestarem seus louvores.
Noite única, divina,
Jamais se irá repetir,
Em que Deus, feito
Menino,
Veio à Terra prà remir.
No céu os anjos
cantaram
E as estrelas cintilantes,
Mais e mais iluminaram,
Com suas luzes brilhantes.
E neste Dia, Natal,
Que sempre nós celebramos
A chegada do Messias,
E a seus pés O adoramos.
JORNADA CREPUSCULAR

SARAMAGO: UM ATEU PERVERSO
Por Mário Matta e Silva
Passeio-me com a Bíblia por entre as mãos e vou viajando, de parábola em parábola, durante a jornada crepuscular dos nossos dias, atento à polémica em volta do escritor Saramago.
Reparo nas reacções e confrontos com as palavras deste assumido ateu, mais do que ao seu livro agora editado, CAIM, e sinto quanta perversidade existe na sua acalorada afirmação de que a Bíblia «é um manual de maus costumes».
Tenho por mérito conhecer-me como um crente pouco participativo mas leitor atento da Bíblia e do antigo e novo Testamentos, mas não é por isso que não posso ajuizar do comportamento de um português que auto se «exilou» nas Canárias.
A maior acusação que posso fazer às afirmações de Saramago é a de que a forma e conteúdo das mesmas são de um desajustamento enorme face ao nível intelectual que se lhe exige. Mostrou Saramago, nestes últimos dias, ser um ateu perverso dada a forma perigosamente fanática com que se arroga das suas conclusões.
Nada mais fácil poderá ter feito para negar a Deus, escrevendo-o com minúsculas e opondo-se à sua existência, reinventando a sua não existência. Quanto a Caim, os escritos dos primeiros tempos (Antigo Testamento) mostram à saciedade que é do mal e do bem que se fala, que é destas duas forças que se vivenciam pela humanidade de que se «verseja».
Caim, frente a seu irmão Abel, detém o poder do mal, e lemos assim na História da Bíblia esta passagem: «(…) Caim porém guardou rancor no coração, e um dia, tendo convidado o irmão a ir passear com ele ao campo, arremeteu ao inocente Abel, e matou-o.»
Para no fim desta passagem se afirmar: «E pôs Deus um sinal em Caim, o qual se retirou da presença do Senhor, e começou vida errante e fugitiva.» Entre a vigorosa alegoria do rancor e da vingança (expressões do mal) e o castigo, assinalando-se aqueles que praticam o mal, existe uma força teológica e litúrgica superiores.
Saramago ao negar a transcendência divina nega logo a possibilidade de um castigo divino e o repúdio do mal perante o bem. Na sua escrita barroquizada e marcadamente personalizada, como no Evangelho Segundo Jesus Cristo (1991) mostra a mesma anarquia vernácula que usa na sua forma oral de comunicar, adicionando-lhe a arrogância com que quer demonstrar a posse do saber definitivo e único.
Não tem certamente Saramago esse direito, como ninguém o tem, em relação ao saber universal em todas as vertentes do conhecimento. Um leigo não pode falar com tanta prepotência… e Saramago para muitos planos do saber é um leigo, mesmo que detentor de um prémio Nobel.
Confrontar a origem divina do homem é legitimo e é viável intelectualmente, quando defendido por um descrente, mas não o é confrontando o seu semelhante arrogando-se de todo o saber em absoluto. Para além de um risco é uma soberba e um desrespeito para com o seu semelhante, cristão ou não cristão, praticante ou não praticante, leitor das Sagradas leituras ou não leitor.
Aliás a sua arrogância impõe-se normalmente até quando quer ironizar, como no caso do seu livrinho ridículo Viagem do Elefante. Saramago não constrói nada sem destruir, pela escrita e pela palavra. Este narrador mistura tempos históricos e exalta a sua verdade perante os escritos onde as alegorias, os mitos, as forças da natureza se evidenciam sem levarem o leitor a outra forma de romance ou de ensaio que menos necessitam de descodificação.
Saramago quer vender o seu livro Caim até a quem não leu «Abel e Caim» na Bíblia ou a quem, como ele, não entende a harmonia do todo lendo as partes, parábola a parábola, como se de uma lição litúrgica se tratasse. Negar Deus desta forma, é a negação pelo absurdo, de quem, como ateu se opôs mesmo aos ateus no seu todo dialogantes e respeitosos.
Por isso, até contra os seus semelhantes ateus ele se rebelou. Tudo que possa ser dito em oposição a Saramago, por eclesiásticos ou por leigos, será bem recebido, pois a liberdade de expressão é um bem adquirido, não só para blasfemar, para negar a Deus, para desconhecer o conteúdo histórico e litúrgico da Bíblia, para transfigurar mitos e lendas como ele o faz.
Muitos leitores (ou meros compradores) dos seus livros, estão ávidos de presunção para colocarem mais um livro de Saramago nas suas bibliotecas, mesmo que não o leiam. Para compreender o livro Caim, é preciso conhecer bem a Bíblia… e quem a conhece melhor do que os seus estudiosos teólogos ou leigos que sejam? Assim será senhor Saramago, a sua verdade não é a ultima e infinita verdade, como pretende que seja na sua soberba de descrente convicção.
E assim que eu sinto hoje, através das minhas jornadas crepusculares, a perversidade de José Saramago, que prefere impor ditatorialmente a palavra em prosápia que exprime arrogância, sem nada que se assemelhe a uma atitude genuinamente democrática, agitando a musculada afirmação marxista do «ópio do povo».
Eis a forma como o autor sente «a profunda maldade do senhor» (pag. 106 de Caim) inculcando não um Deus, mas tão e simplesmente uma «ideia de deus» misturando-se assim com os vendilhões do templo.
25 de Outubro de 2009
MARIO MATTA E SILVA

Ilona Bastos
Allegro, allegro vivace! Avancemos para a vida com alegria, mesmo se a cabeça dói ou o olhar se entristece. Allegro, allegro vivace! Avancemos alegremente para a vida!
Hoje não escrevo, porque é domingo, e ao domingo o meu pensamento fecha. Ao domingo, acordo tarde, com dores de cabeça. Ao domingo vou almoçar com a família. Ao domingo vagueio pela Internet, ávida de algo. Ao domingo estendo a roupa e faço o jantar. Portanto, ao domingo não escrevo, e o meu pensamento fecha.
Posso reler o que escrevi e fazer emendas, mas não escrevo. Posso desenhar letras, com elas formar palavras e articular frases, mas não escrevo. Posso até fingir que escrevo, mas não escrevo. Acabarei inevitavelmente por comer os morangos que sobraram do jantar, mas não escrevo! .