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Poesia de Albertino Galvão
Paixão; Ao pôr do sol; Tenho nas mãos
Paixão
Dedos dedilham veias e nervos
fundem-se bocas em frenesim…
sentidos ficam escravos e servos
esquenta-se o sangue dentro de mim.
Com mãos bailarinas, sábias, vividas,
moldo-te o corpo com arte e engenho.
Tiro de ti paixões ressequidas
como quem faz um quadro, um desenho!
Trituram-me a pele teus dentes e unhas
sobem e descem gemidos dengosos…
soltam-se medos, «tabus vergonhosos»
desejos se prendem com trancas e cunhas.
Morrem vergonhas, medos, complexos...
pernas e coxas se enroscam gulosas
e explodem visões paradisíacas!
Colam-se peitos, línguas, sexos
e gotas de orvalho brotam de nós
com cheiro a essências afrodisíacas.
Abgalvão (In fantasia, amor e poesia)
Ao pôr do sol
(soneto 12 silabas)
Embora não me aventure muito em sonetos os de 12 sílabas são os que
mais aprecio por serem, em meu entender, muito musicais.
Ao pôr do sol colheste um sonho e logo após
dançaste nua um bolero aos pés da cama
e na brancura de almofadas e lençóis
bordaste línguas a vermelho cor de chama
A noite molha com orvalho os girassóis...
a lua azul por sobre o prado se esparrama...
teu corpo pede que o bolero passe a dois
e a tua boca beije a boca que a reclama
O tempo pára entre a pele desejo e cio
fixam-se os olhos nas esquinas do vazio
se enlaçam dedos nas nervuras do prazer
e se abrem portas já trancadas à paixão
com sexos livres de tabus, em comunhão,
cavando orgasmos com a fúria de viver
Abgalvão (In alma vadia)
Tenho nas mãos
Tenho nas mãos o desejo
Das tuas mãos afagar
O tempo passa e um beijo
Ando louco p’ra te dar
Tenho nos dedos a esp’rança
De em teu colo os passear
E nas voltas duma dança
Em meus braços te embalar
Tenho nos olhos o fogo
Que aos teus se quer atear
Brincando contigo o jogo
Que se chama namorar
Tenho em meu corpo o capricho
Que no teu quer caprichar
Fazer pinturas no nicho
Que há muito quero ocupar
Tenho vontades latentes
De mim se q’rendo soltar
Prazeres de ti carentes
Que em ti se querem matar.
Abgalvão (in fantasia, amor e poesia)
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