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EDIÇAO NºLX , II NUMERO  DE MARÇO DE 2010 - COMENTARIOS GERAIS

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Crónicas «Ver e Sentir»

Por Cristina Maia Caetano

(XLIV)

A vida, não permanece sempre igual. Tal como um qualquer rio, tal como um qualquer riacho… Em cada segundo, em cada minuto, a água que atravessa por e entre as pedrinhas do rio, do riacho é sempre, mas sempre diferente… Mas, nem por isso deixa de correr e, continua a correr veloz, velozmente… E como feliz, parece ser! Ai! Se cada gota dessa água falasse! Muitas, tantas, seriam as coisas que aprenderíamos! A paciência, certamente seria uma delas, o silêncio, esse, indiscutivelmente outro seria…

O rio, o riacho, esses, cujos percursos são sempre os mesmos, todavia são sempre diferentes, tão diferentes como diferente é a água que a cada instante nos seus leitos corre…

Gosto de a comparar com a seiva da nossa vida: o sangue! Parece igual desde que nascemos até que morremos, mas não é! Em cada respiração, em cada grafada de comida que ingerimos, em cada pensamento, a sua composição altera-se, tal como a água que corre sempre no mesmo leito do rio, que em nós o nosso corpo, molda o leito de cada um de nós…

A medida que o nosso corpo cresce, aumenta ou diminui de peso, ou as rugas o invadem, também o leito do rio pode conter mais vegetação, mais entulho, mais peixes… mas a sabedoria permanece e até enriquece… a cada momento que passa…

Se nos mantivermos alerta; se nos mantivermos conectados com a natureza; então… talvez, percebamos que o nosso corpo é o leito e, o nosso sangue a água. O rio e o ser humano passam então a unos serem … apenas simples filhos da mãe: a natureza!

Consciencializados de tal irrefutável facto, é tempo de cada um de nós, respeitar o rio, o riacho,… tal como se do nosso próprio corpo se tratasse, tal como se da nossa própria mãe humana se tratasse….

Lembrem-se pois, de pensarem carinhosamente no assunto, com a certeza que o melhor, é mesmo não se fazerem julgamentos...

 

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