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Poesia
de Cremilde Vieira da Cruz
Como tu és (à minha Joca); Dezembro?!; Sobressalto
Como tu és (à minha Joca)
Deixa-me querer-te assim,
Como eu quero,
Feita beleza!
Como as estrelas que contemplo
E são o teu retrato;
Como o mar que adoro
E é o espelho do que te sinto.
Deixa-me querer-te assim,
Como a lua
Que me abraça de luar,
Como me abraças!
Deixa-me querer-te assim,
Tal como és!
Funchal (noite de saudade)
(Mãe)
Dezembro?!
Será Setembro,
Este mês de portas fechadas?
De certo não é Setembro
E se é Janeiro
Já me não lembro.
Existem nuvens acordadas,
Mas de tão distanciadas
Não avistam mariposas
A surgir de certas glosas.
O Oceano calou-se,
Emudeceu tristemente.
O barco branco afundou-se
No mar distante da gente.
Já não cantam mais os astros
Nem se lembram das cantigas;
De tudo se perde o rasto,
Até de melodias antigas.
Para onde migraram as aves
Que voavam junto ao céu?
Voaram, voaram, voaram...
Sei lá para onde, Deus meu!
Será Setembro?
Será Janeiro?
Já me não lembro!
Já me não lembro!
As estrelas ainda falam
Porém não falam de ti.
Ou fui eu que me esqueci?
Já me não lembro,
Nem sei se será Setembro.
Procurei o ano inteiro
Recordar se será Janeiro,
Mas penso que é Dezembro.
Dezembro?!
Já me não lembro.
E nesta procura louca
De acertar minhas ideias
Cala-se até minha boca
Gela-me o sangue nas veias.
Sobressalto
Assalta-me o silêncio de minha musa.
Fecho os olhos como quem quer pensar
E... nem uma vírgula!
Continuo de olhos fechados...
- O que é uma vírgula?
Atormenta-me a rigidez de meus dedos,
Chave de minha poesia,
Que antes falavam de amor.
Desagrada-me a frigidez do sol
E a indiferença com que me observa,
Sobretudo se lhe estendo os braços.
Entristece-me a pequenez de minha memória,
Que não responde aos meus apelos
E me trai quando chamo por ela.
Aflige-me a escassez do tempo,
Que foge, foge...
E não quer dar-me a mão.
Assalta-me um sobressalto,
Salto,
Grito bem alto:
Ponto final!
O que é um ponto final?
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