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EDIÇAO NºLXI
, III NUMERO DE MARÇO DE 2010 -
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Cynthia Kremer
Notas
Biográficas
Cynthia Kremer é natural de Hannover, Alemanha onde nasceu em 1962. Tem, também, a cidadania Brasiliera, por ser filha de mãe brasileira. Veio para o Brasil ainda bem pequena, quando seu pai foi convidado a lecionar Geologia na UFRJ, e no Rio de Janeiro se estabeleceu em definitivo. Por influência do pai, sempre gostou de ler, embora o interesse pela escrita, pela poesia, tenha começado a influenciá-la através de um grande amigo, aos 14 anos. Aos 18 ingressou na Faculdade de letras da UCP, embora não tenha concluído o curso, por ter-se casado e seu marido ter adquirido uma doença degenerativa da visão, a qual lhe requeria atenção integral. Alguns anos depois, começou a escrever crônicas pequenas e também poemas. Mas nunca lhe passou pela cabeça, publicá-los, apesar dos incentivos de amigos jornalistas e escritores. Cynthia diz com orgulho, que tem como seu tio - trisavô, Antero de Quental, por parte de mãe, e como seu tio - avô, Eric Maria Remarque, por parte de pai, contudo, lamenta não lhes ter herdado o talento para a escrita. Cynthia é uma mulher «lunar», costuma sentir-se inspirada a escrever durante as madrugadas. Membro do site Verso&Prosa, Tem um Blog, onde publica suas crônicas e textos de assuntos diversos, como, comportamento, atualidades, cinema e poesia. E amante dos animais e sempre abraçou esta causa. Recentemenete foi agraciada com o selo «Vej@Blog.com.br», como um dos melhores blogs/sites do Brasil. Escreve, também, como colunista para o site «Portal Animall». Esta estreando como colaboradora deste jornal, o que muito lhe honra; e espera fazer jus ao convite que lhe foi oferecido com tanta generosidade.
O Tempo e a Partícula de Higgs por Cynthia Kremer
Inspirada por um comentário do escritor Paulo Coelho, e por partilhar da mesma teoria, resolvi escrever sobre a percepção de «tempo». Assim como ele, também acredito que o tempo pode ser uma via paralela onde caminham juntos, presente, passado e futuro. A física quântica aposta nessa teoria. O que por exemplo, chamam premonição, - uma sensação que quase todos nós já experimentamos alguma vez na vida - é, para mim, quando a nossa mente dá um pulinho no futuro e volta rápido, sem se dar conta disso.
Outro exemplo que muitas pessoas já devem também ter sentido: eu morei 10 anos em Petrópolis e embora eu saiba que foi uma época muito marcante pra mim, quando ouço alguma música daquele tempo, tenho a nítida impressão de que aquele tempo, aquelas músicas, aquela casa, e tudo o mais que me remete à ela, ainda existe, pulsa, que está tudo acontecendo lá, neste exato momento, que é simultâneo, apenas não posso voltar pra lá; está somente numa dimensão paralela e hermética, na qual eu não posso intervir. Mas esta sensação é muito forte; é quase uma certeza, embora eu não saiba explicar porquê, sinto isso. O físico brasileiro, Marcelo Gleiser, diz que pelas leis da física quântica, seria impossível voltar ao passado. Mas que é possível que ele coexista paralelamente com o nosso presente e o nosso futuro.Já quanto ao futuro, ele e outros físicos dizem ser possível que um dia se possa ir até lá e voltar.
Eu gosto de acompanhar as notícias do que está sendo feito no laboratório do acelerador de partículas, Cern, na Suiça, que foi construído com a finalidade de recriar as condições que existiam no universo imediatamente após o Big Bang, colidindo partículas de prótons à velocidade da luz, e fiquei perplexa com a declaração de dois cientistas que lá trabalham, quando indagados sobre os insucessos sucessivos do LHC - Large Hadron Collidor. Os físicos Holger B. Nielsen e Masao Ninomiya, sugeriram que o «bóson Higgs», uma partícula hipotética que os físicos esperam ser capazes de reproduzir com a ajuda do LHC, pode ser tão repulsiva para a natureza que sua criação produziria uma distorção temporal e impediria que o acelerador a criasse, mais ou menos como um viajante do tempo que retornasse ao passado para assassinar seu bisavô. Resumindo, que o acelerador de partículas talvez esteja sendo sabotado pelo seu próprio futuro.
E eles não estão falando de outras teorias conhecidas, como as dimensões de espaço-tempo - a qual me refiro neste post - nem mesmo sendo inescrupulosos tecendo qualquer comentário sobre a mais apocalíptica delas: a teoria dos «buracos negros» que engoliriam a Terra. Não. Os dois cientistas apresentaram esta tese em uma série de estudos com os títulos: «Teste sobre o Efeito do Futuro sobre o LHC» e «Uma Proposta e Busca de Influência Futura sobre o LHC» publicados no site científico arXiv ao longo de quase dois anos. Eles resolveram fazer estas indagações, por conta dos frequentes fracassos do CERN, no que se refere aos objetivos do acelerador de partículas, cujo mais importante seria exatamente a comprovação da partícula de Higgs, que explicaria o Big Bang.
De acordo com o chamado «Modelo Padrão» da física, o bóson de Higgs, é responsável por dotar as demais partículas elementares de massa. Nielsen diz ainda, que «nossa previsão deve ser a de que todas as máquinas produtoras do bóson de Higgs terão má sorte». Ele declara também, «que seria quase possível dizer que temos um modelo para Deus» e eles acreditam que «Ele odeia as partículas de Higgs, e assim, tenta evitá-las causando todos os fracassos que têm ocorrido com o acelerador».
Nielsen é um dos criadores da mecânica quântica e muito respeitado no meio científico, a ponto de um de seus colegas ter dito: «todos concordamos em que sua teoria é uma loucura. O que nos divide é determinar se é louca o bastante para estar correta». Em suma, parece que Deus não quer ser desvendado ou descoberto. Estaria então a «Partícula de Deus» fazendo uma «Intervenção Divina», evitando algo que talvez fosse contra suas próprias leis da «Criação»?
Este argumento acima, pretende mostrar o conceito espaço-tempo, da possibilidade de uma viagem no tempo, e que não há paradoxo algum, que alguém ou alguma coisa possa voltar no tempo para evitar algo que ainda não sabemos, venha a acontecer. Talvez a chamada «Partícula de Deus», já esteja fazendo seu papel... E não devemos esquecer o que disse Einstein: «A separação entre passado, presente e futuro é apenas uma ilusão».