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Poesia de Edvaldo Rosa

 

O nosso quarto...; Questionamentos...; Espelho...

 

 

O nosso quarto...

O nosso quarto é um oco no espaço,
Um vazio só!
A luz nada ilumina,
E o silêncio é tanto,
Que é estrondoso o som do pranto,
Que cai copioso no chão!
Onde tuas roupas ficavam suspensas, fitando-me,
Tua figura faz morada...
Lembranças!
Apenas lembranças feito fantasmas...
No toucador, donde fitavas meus olhos grudando-se em ti,
Falta tua escova de cabelos,
Teus batons, teus perfumes que sempre gostei de sentir em mim...
A nossa cama agora é fria, sem vida...
Espaço em que falta teu corpo, macio e quente,
Os sorrisos, os olhares que uniam a gente...
E os nossos momentos mais íntimos de entrega!
O nosso quarto agora é uma cela,
Que tolhe os desejos de meu corpo, pelo teu...
E a liberdade de nossas almas,
Que após o emaranhar de nossos corpos,
Alcançavam juntas, as estrelas, no mais longínquo ponto do céu!

Edvaldo Rosa

 

Questionamentos...

Dei meus abraços feitos laços,
Mas foi tão pouco!
Dei meus beijos mais loucos,
Mas o mel em meus lábios não adocicou os teus...
Gritei teu nome aos quatro ventos,
E hoje não te encontro...
E rouco, grito; - Falhei contigo?
Dei tudo de mim, o melhor de mim,
E não me arrependo!
Sofro agora, sofro muito, por amar-te ainda mais...
Se soubéssemos que nossos caminhos,
Nos levariam a tal desencontro,
Controlaríamos os nossos passos?
Outra direção tomaríamos?
Ficam agora, apenas perguntas jogadas ao vento...
Lamentos... Lavados com lágrimas!
Ficam questionamentos...
Perguntas que se perdem com o tempo,
Em que passo á janela, velando os teus passos,
Que um dia te levaram embora,
Mesmo sabendo que não haverá retorno!

Edvaldo Rosa

 

Espelho...

Meu Deus, o que eu fiz?
Tocam meus dedos trêmulos,
Nesta folha, outrora tão branca, puro giz,
Sulcos profundos que sangram...
Palavras soltas á esmo, sob o calor do momento,
- Que mesmo com um não querendo,
Machucam, queimam como um ato contiguo á solidão, ao medo...
-E quanto falam... - Pelos cotovelos, desfraldando meus segredos...
Mais uma poesia de desespero? – Nem tanto, nem menos...
Mas, sim um espelho, que equilibra-se em inseguros dedos,
A refletir minha face... Olhos embaçados... Sonhos desfeitos...
-Um espelho, que se cair ao chão não estilhaça...
Pois mostra uma sensação que não passa,
Nem sofre a ação do tempo!

Edvaldo Rosa

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