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POESIA DE PATRICIA NEME

Enfim; Silêncio...; Por favor...

 

 

Enfim

 

De tanto amar, perdi-me no caminho,
desfiz minh'alma... E me esqueci de mim.
E fui morrendo, aos poucos, 'vagarzinho...
Ao sonho, ao verso... A tudo pus um fim.

De tanto amar... Quis ter, no fel, o vinho;
ousei ver arte em reles folhetim.
Julguei ser canto, o mero murmurinho...
Quis, no espinheiro, o suave do jasmim.

E veio o vento, que tudo desvela...
E vi meu sol, ser sopro de uma vela...
De tanto amar... Eu me perdi no amor.

Mas ressurgi no olhar de outra alvorada,
e hoje meus passos vão por nova estrada,
que segue adiante... Seja pra onde eu for!

- Patricia Neme -

 

Silêncio...

 

Serena, dor, serena teu lamento,
as flores não verão a primavera.
A terra é morta... Já não tem alento...
Morreu pela tristeza que há na espera.

Serena, dor, abafa o teu tormento...
Não vês? A jura foi vã, insincera...
Entrega-te ao torpor do esquecimento;
e entende: o amor é só tola quimera.

Os sonhos? Joga ao vento e dize adeus,
só guarda os passos dos caminhos teus...
E segue, mesmo além da tua vontade.

Serena, dor, serena, eis que amanhece...
Contempla o que o destino te oferece...
E apaga os rastros fundos da saudade.

- Patricia Neme -

 

Por favor...

 

Ano que finda, que fiquem contigo,
tristeza, pranto... Rastros do sofrer.
A ausência amarga de quem me é amigo,
que foi pra longe, pra não mais volver.

Guarda também esse vazio antigo...
Que consumiu com todo o meu querer,
e me deixou em eternal castigo:
amar - de um tanto... E não poder dizer!

Leva o que aflige o povo brasileiro,
leva as mazelas do planeta inteiro...
O que nos trouxe dor e solidão.

Deixa que venha um ano mais sereno,
onde o viver seja gentil, ameno...
E a paz repouse em cada coração!

- PAT -

 

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