Pagª 40 - EDIÇAO NºLII
, I NUMERO DE JANEIRO DE 2010 - COMENTARIOS
Direcção Interina: Daniel Teixeira. Chefe de Redacção: Arlete Piedade.
Relações Publicas: Alexandra Figueiredo. Educação e Cultura: Arlete Deretti
Fernandes. Consultor Africa: João P. Correia Furtado.

O Cimi é um organismo vinculado à CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do
Brasil) que, em sua atuação missionária, conferiu um novo sentido ao trabalho da
igreja católica junto aos povos indígenas.
Criado em 1972, quando o Estado brasileiro assumia abertamente a integração dos
povos indígenas à sociedade majoritária como única perspectiva, o Cimi procurou
favorecer a articulação entre aldeias e povos, promovendo as grandes assembléias
indígenas, onde se desenharam os primeiros contornos da luta pela garantia do
direito à diversidade cultural.
O objetivo da atuação do Cimi foi assim definido pela Assembléia Nacional de
1995: «Impulsionados(as) por nossa fé no Evangelho da vida, justiça e
solidariedade e frente às agressões do modelo neoliberal, decidimos intensificar
a presença e apoio junto às comunidades, povos e organizações indígenas e
intervir na sociedade brasileira como aliados (as) dos povos indígenas,
fortalecendo o processo de autonomia desses povos na construção de um projeto
alternativos, pluriétnico, popular e democrático.»
Os princípios que fundamentam a ação do Cimi são:
- o respeito a alteridade indígena em sua pluralidade étnico-cultural e
histórica e a valorização dos conhecimentos tradicionais dos povos indígenas;
- o protagonismo dos povos indígenas sendo o Cimi um aliado nas lutas pela
garantia dos direitos históricos;
- a opção e o compromisso com a causa indígena dentro de uma perspectiva mais
ampla de uma sociedade democrática, justa, solidária, pluriétnica e
pluricultural.
E para esta nova sociedade, forjada na própria luta, o Cimi acredita que os
povos indígenas são fontes de inspiração para a revisão dos sentidos, da
história, das orientações e práticas sociais, políticas e econômicas construídas
até hoje.

FELIZ ANO NOVO
Festas felizes desejamos a todos
Enquanto matamos nossos irmãos
Lutamos para sorrirmos e pouco ou nada
Importamos com a dor que nos cerca
Zelamos pelo nosso bem-estar apenas!
Ano Novo vida nova, pelo menos desta vez
Num esforço sem igual vos peço que
O 2010 seja mais dos irmãos que nosso!
Na Paz e no Amor primemos sem fim
O planeta terra, respeitemos e lutemos para o salvar
Vivamos pelo bem e bem façamos a todos, que
O bem, a Paz, o Amor e a riqueza teremos em resposta!
João Furtado
29 de Dezembro de 2009
ACABAR COM A FOME
A seca, a guerra e a penúria
Claro que podem ser desculpa
A fome que persiste outras razões tem
Bem podemos ver as toneladas dos desperdícios
Atirados ao lixo diariamente por ricos, enquanto que
Relegados a penúria à porta esmolas os pobres pedem!
Com fartura vivem uns poucos
O que ao lixo jogam sem importar
Muita boca a fome devia matar!
Assim devíamos reflectir antes de actos destes tomar!
Fazer a verdadeira poupança
O homem devia pensar no irmão
Muito melhor o mundo seria, bastava cria menos lixo
Esforço pouco seria, bastava dar o sobejo ao necessitado!
João Furtado
Boas Festas
Versão Nova para a Nau Catarineta
Por ACAS
A nau Catarineta revista paulistanamente, em livre adaptação do autor. (tema folclórico de origem portuguesa, celebrada principalmente no Rio Grande do Sul-Brasil)
Está
aí a nau brasilis,
Que se fartou de navegar:
Quinhentos e oito anos
Esperando do mar calmarias.
Muitos não tinham o quê comer,
Nem
tampouco que esperar.
Brotaram musgos nos sapatos,
(Só daqueles que
os têm),
Escorriam pelas janelas,
Lágrimas e suor também.
E a vida era
tão dura,
Mas a marujada era boa
E o capitão-general
Apesar de ser
malvado
Os comandavam, lá da proa
-Sobe à gávea oh paulista!
Pra
atender capitão
E, por ser súdito leal
Procurava por terras de
Espanha
Ou terras de Portugal
E o paulista, pra seu espanto
Começou a
gaguejar
Rezaram até em esperanto
(E não podiam rezar)
Mas, deu má
sorte, no entanto
E como deu má sorte, o capitão
Perdeu a moral da
tripulação.
Se me perguntam; o que foi
Que falou este
paulista
Que tinha feito um estrago
Mas um estrago real
E lhe dizia o
capitão
-Vai lá, vai lá, oh paulista
E nos diga se é real
Que não
vistes terras de Espanha
Nem areias de Portugal
De cima, falou o paulista
Com sotaque
caipirês
-Eu vejo só treis ispada
Cada quár, de cada veiz!
E o capitão
infante
Que queria pelejar
-Vê se vês, oh paulista
Se os três
querem
Vir comigo trabalhar!
E se aproximaram três marujos
Naquela «nau
brasilis»
Bem sob a gávea real
Donde se via a Espanha
E areias de
PORTUGAL
O primeiro marinheiro
Logo foi se
apresentar
- Boas novas, capitão
Alvíssaras, vos quero dar:
-Já
vejo terras de Espanha,
E de Portugal as areias
Também vejo três meninas
E todas as três são sereias
Sereias que cantam sentadas
A sombra de
uma mangueira!
-Todas três são minhas filhas,
Informa o capitão
E
todas elas vos ofereço:
-Uma vai servir para te lavar
Outra para te
engomar,
A mais bonita delas todas,
E para contigo casar.
-Os fidalgos leitores não entenderão
O quê se
passou com o marujo
Pois que súbito caiu n´água
Naquela água
marinha
Casar-se com tal rapariga
Era coisa que não convinha
E caindo o
bom marujo
Afogou-se, em pleno mar.
E com a nau à deriva,
O paulista se
pôs a guiar
Não há nada em brasilis
Que o paulista não possa
comandar
Tudo ficou muito claro
Quando o marujo caiu no mar
Ele era de
primeira viagem
Extasiou-se com o sucesso
Ficou no entanto
perplexo
Quando o capitão lhe deu um
amplexo.
Continuação da Crónica de Arlete Piedade - Adeus a Roberto Oliveira (Ver Início) (Ver Parte anterior)
Mas agora voltando um pouco atrás, á vida e personalidade do Roberto, que certamente interessam mais, vou falar um pouco das suas várias actividades profissionais. Roberto apenas teve cerca de três anos de escolaridade, no internato mas quando saiu do exército e começou a pensar em formar família, tomou consciência das graves lacunas da sua formação para a vida.
Mas com a sua inteligência invulgar, resolveu formar-se a si próprio, pois a idade e os problemas que se lhe deparavam não lhe permitiam voltar á escola oficial, mas conseguia frequentar algumas aulas particulares. Aí Roberto estudava todos os manuais de todas as disciplinas, até saber tudo e compreender toda a matéria ao ponto de as próprias professoras, lhe pedirem para dar as aulas quando tinham que se ausentar.
Assim Roberto começou a ser tratado por professor e a dar as suas próprias aulas. Como adorava música e tocar com os amigos, foram contratados para formarem uma banda para actuarem em bailes a que se seguiram outras bandas, depois do fim da primeira.
Mas antes de continuar vou falar de outro aspecto muito importante da personalidade do Roberto: - A sua espiritualidade. Quando era pequenino, antes de ir para o internato e a sua mãe começou a viver com a família do novo companheiro, Roberto era hostilizado por todos, excepto a mãe e os irmãos. Então fenómenos estranhos começaram a acontecer na casa da sogra de sua mãe, onde estavam a viver.
Recordam-se do filme Polstergeit? Pedras que voavam de algures e atingiam o telhado da casa, panelas e tachos que se desprendiam com estrondo durante a noite, dos seus locais e caíam para o chão, coisas que voavam pelos ares, enfim esse tipo de fenómenos. Depois de muitas investigações sem resultado, os fenómenos cessaram quando o garoto foi para o internato.
Na sua adolescência e juventude, várias vezes Roberto tinha a sensação de reviver o passado em flashes que lhe assomavam á consciência e recordações de vidas passadas. Então uma das coisas que fez no início da vida adulta foi procurar também entender esse tipo de problemas que o perturbavam e foi assim que começou a frequentar a Igreja Espírita e conheceu a futura esposa. Mas também aí, não conseguiram entender a profundidade dos seus poderes e depois dele fazer assistência espiritual a pessoas com problemas, quando ele próprio era o problema, resolveu desistir e viver como era.
Roberto entendia profundamente, não só todos os animais que recolhia, como aves e insectos que se lhe afeiçoavam e o respeitavam, como outros animais, em especial os seus cavalos. Nessa altura já casado, recolheu um cavalo que queriam abater por ser muito arisco. Mas não tinha onde o recolher e ficou com ele num estaleiro de uma obra em construção. Todos os dias o tratava e fazia amizade com ele falando-lhe e acalmando os seus ímpetos até o cavalo o seguir como se fosse um cão fiel.
Mas os empregados da obra divertiam-se a acicatar o animal e um dia Roberto teve um enorme desgosto, que o acompanhou até ao fim da vida. Chegou de manhã á obra e o nobre cavalo estava morto empalado numas estacas que havia numa vala, vítima da crueldade e das brincadeiras dos humanos. Os trabalhadores fugiram da cidade, perseguidos por Roberto que lhe jurou vingança pelo resto da vida.
Roberto tinha com frequência lampejos de recordações de vidas passadas em que ele era um cavaleiro ao serviço de um rei cruel que reprimia os seus súbditos e fazia guerras injustas onde morriam crianças, mulheres e velhos. Roberto era zeloso ao serviço do Rei e achava-se responsável por essas mortes injustas. Por isso achava que tinha uma divida a pagar nesta vida e que só a pagaria, servindo aos outros.
Também na questão de máquinas, Roberto era profundamente intuitivo. Ele teve a sua primeira moto, comprada numa fazenda, a qual era usada para o serviço do campo, ou seja como aqui os campinos usam o cavalo para ir atrás do gado, lá os vaqueiros usam as motocicletas para juntar o rebanho nos campos.
Então era uma velha moto dessas a primeira que ele comprou. Calcula-se que não estivesse em muito bom estado. Roberto desmontou todas as peças, lavou, esfregou, raspou, secou, poliu, pintou e montou de novo. Com essa primeira moto, participou em competições de «enduro» e fez-se motard. Quando resolveu ter o primeiro computador, fez o mesmo. Ele tinha uma ligação profunda com as coisas e as pessoas e os bichos. Escutava, compreendia, ia á procura do problema e ajudava a resolver.
Um dia ele não tinha trabalho e resolveu ser fotógrafo. Montou uma agencia de modelos, na sua cidade, escolhia as candidatas, maquilhava-as, penteava-as, ensinava-as a desfilar, vestia-as e fazia as passagens de modelos. Algumas receberam convites para outras cidades e fizeram carreira.
Foi sempre assim, quando queria alguma coisa, Roberto estudava e aprendia tudo acerca da questão que ele queria dominar e depois avançava. Não precisava de universidades nem diplomas, apenas da sua vontade, humanidade e inteligência.
Então em 2003 comecei a entrar na Internet, nas salas de chat, instalei o Messenger, abri um perfil e recebi um convite para um grupo do MSN vindo de um futuro amigo de Tomar. Aceitei, não sabia nada de nada, mas aceitei. Estava no estádio inicial das minhas actividades na Internet.
Fui a segunda a entrar no grupo a seguir ao fundador, e fui nomeada gerente. Depois de algum tempo, entrou no grupo um amigo brasileiro do fundador que o recebeu com uma mensagem de boas vindas efusiva ao seu grande amigo. Impressionada, dei também as boas vindas. Era o Roberto que chegava á minha vida.
Como ele também tinha um grupo do MSN, convidou-me para esse grupo e eu aceitei. Nessa altura eu tinha escrito algumas poesias iniciais, e o Roberto ao ver que eu as tinha no grupo, bem, como outras amigas, convidou-nos a enviá-las para ele publicar no seu site de poemas, o Mundo Poeta.
Enviei alguns poemas de minha autoria, bem como de outros poetas que eu gostava, como Camões e Pessoa, bem como outras amigas o fizeram. Roberto formatava e publicava ilustrado a seu gosto.
Depois enviava-nos os links para vermos. Eu escrevi um poema para ele intitulado «Cavaleiro do Asfalto» inspirada na foto que ele tinha sentado na sua moto. Ele gostou e resolveu escrever o seu primeiro poema em resposta. Nasceu «Cavaleiro do Asfalto» em que ele dizia: - Sim, sou o cavaleiro do asfalto e tenho um mitológico dragão...» e continuava a descrever a sua vida e personalidade.
Roberto começou a tratar-me por Fada das Letras, então eu fiz um poema em resposta ao seu, descrevendo também a mim, e á minha vida, como Fada das Letras e assim nasceram as personagens «Cavaleiro do Asfalto» (mais tarde Cavaleiro Mago) e Fada das Letras.
Outros poemas se seguiram de parte a parte, não só meus como de outras amigas e amigos, que ele resolveu agrupar num quadro chamado «Encontro de Almas» que publicou no seu site de poesia. Quando alguém enviava algum novo poema dirigido a ele, era incluído no quadro.
Era um encontro de almas poéticas e virtuais, amigos distantes, que comunicavam espiritualmente, que eram os companheiros e amigos que lhe mitigavam a sua solidão, pois que ele já só vivia em casa, trabalhando no seu computador, dedicado á família e ao filho único.
O seu site era colocado em hospedeiros gratuitos e a sua Net era de ligação telefónica, pelo que era muito lenta e ele apenas a ligava de noite, para não ocupar o telefone de casa.
Então passava noites inteiras na internet, buscando hospedeiros melhores, subindo as páginas e fazendo tudo isso, até que eu também abri um grupo do MSN e o convidei para ele.
Um dia entrou nesse grupo Fernando Oliveira, o Ferool, poeta português radicado em Paris, que também tinha um grande site de poesia, com centenas de poetas.
Começaram a comunicar entre si, apresentados e mediados por mim, e Fernando manifestou a intenção de transferir o site para outro administrador, encargo que Roberto aceitou. Então teve que colocar a banda larga mas como era perfeccionista ao extremo, quis reformular todo o site, o que envolvia um trabalho exaustivo.
Perante muita pressão e solicitações, e sendo o trabalho gratuito e as contas por pagar, sendo só de sua responsabilidade, Roberto teve que optar por trabalhar mais em trabalhos pagos para sustentar a sua família.
Mas antes adquiriu um domínio próprio para onde transferiu o seu site de poemas Mundo Poeta, bem como o site de Fernando Oliveira, O Dono da Loja.
Sempre que eu podia ajudava-o online, na publicação e formatação, dando sugestões, escolhendo músicas e imagens que enviava por email e continuava a escrever poesia dedicada a ele e também sobre outros temas, que ele publicava nos dois sites.
Mas quando teve espaço próprio, resolveu fazer um site só para mim, e os meus poemas. Durante três dias sem parar, ele construiu o meu site e publicou os meus poemas. Tudo era perfeito, conjugado e coordenado, e foi o maior presente e o mais valioso que até hoje me ofereceram. Uma obra de arte, uma obra prima, mas sobretudo uma obra de amor incondicional.
Roberto Oliveira, o Cavaleiro Mago de séculos passados, o amigo querido do presente, que infelizmente já é passado também, partiu de regresso ao local e ao tempo perfeito onde agora vive feliz, eu espero!
Os sites foram suspensos penso que pela sua família, o que lamento, mas compreendo embora o desejo dele seria deixar esse legado a todas as gerações de poetas. Mas o poeta não morre! Jamais morrerá enquanto viver a memória dos que ele marcou e ajudou na sua passagem por esta vida!
Adeus Roberto Oliveira, meu Cavaleiro Mago! Beijos da tua Fadinha,
Arlete Piedade
(Ver o Poema Mãe Negra e apresentação P.Point-pps)