Pagª 26 - EDIÇAO NºLII, I NUMERO  DE JANEIRO DE 2010- COMENTARIOS Direcção Interina: Daniel Teixeira. Chefe de Redacção: Arlete Piedade. Relações Publicas: Alexandra Figueiredo. Educação e Cultura: Arlete Deretti Fernandes. Consultor Africa: João P. Correia Furtado.         

 

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Disco de estreia dos Deolinda no top anual do «Sunday Times»

O álbum de estreia dos Deolinda, «Canção ao Lado», foi considerado pelo jornal britânico «Sunday Times» o terceiro melhor do ano na área da world music.

No Verão passado o mesmo jornal tinha-se referido ao álbum dos portugueses como «absolutamente encantador e delicioso».

«Ana Bacalhau e a sua jovem banda combinam sonoridades de fado com a sensibilidade pop e um piscar de olho ao coração dos portugueses. A melodia é fabulosa», escreve a publicação britânica.

A frente dos portugueses ficaram os etíopes Mulatu Astatke & the Heliocentrics, com o álbum «Inspiration/Information», e o Kronos Quartet, com o álbum «Floodplain».

Entre os dez primeiros estão ainda os álbuns «Vagarosa» da brasileira CéU (4º), a cabo-verdiana Lura (7º), com «Eclipse», e o angolano Bonga (10º) com «Bairro». No lote dos dez primeiros está também a cantora israelita Yasmin Levy, com o álbum «Sentir» (9º).


Deolinda nasceu há três anos

Os Deolinda, que lançaram o disco de estreia em 2008 - já duplo platina (50 mil exemplares) -, são constituídos pela vocalista Ana Bacalhau (ex-Lupanar), Pedro Martins e o irmão Luís Martins nas guitarras clássicas e José Pedro Leitão (também ex-Lupanar) no contrabaixo.

O grupo surgiu há cerca de três anos em Lisboa, quando Pedro Martins mostrou a Ana Bacalhau três músicas que tinha composto: «Não sei falar de amor», «Fado não é mau» e «Ai rapaz».

«Ouviu as músicas que fiz, cantou-as e ficaram logo tão bem na voz dela que nasceram ali os Deolinda», disse o músico, guitarrista e autor de todas as músicas desta formação.

A música dos Deolinda soa a fado, mas não o é, no quarteto não há guitarra portuguesa, a estrutura das músicas não obedece aos padrões melódicos do fado, nem tão pouco as letras, embora o universo seja de amores marialvas e às vezes até «de faca e alguidar», embora num tom divertido.

A banda está a trabalhar num novo álbum que deve sair no próximo ano.

«Eclipse» de Lura entre os 100 melhores de 2009

O prestigiado jornal britânico «The Sunday Times» coloca o disco «Eclipse» da artista cabo-verdiana Lusa entre os 100 melhores álbuns de 2009. A jovem crioula aparece ao lado de ícones da música mundial como Bob Dylan com seu disco Together Through Life.




Poemas de Manuela Pittet

A toa...

Nascem dias
em que o Sol se chama Saudade...

Nascem saudades
em que o Sol se chama Ausência.

Eis-me entre apeadeiros
onde o embarque me estende a mão
e os abraços me abrem o caminho
rumo à não - saudade...

E um dia...
Apago os versos
onde não te leio
fechando as portas da palavra
e abrirei as janelas de mim
onde aprendo a me ler
à toa... As páginas onde Estou
no livro: Eu Sou
de todas as viagens...

Poesia, musa
Tela de Renoir
rostos entre rostos
Sem Rosto!
Serei apenas a presença
que de minha ausência
fores ainda capaz de criar!

Na pureza de tua alma
num simples instante de lembrar
renascerei no teu amar
ao te criar os dedos
para me pintares
crescem-me os braços de abraçar
à toa neste existir
e sorrio feliz neste voar...

Manuela Pittet
in: «Rostos de Amor»


Saudade...

De que adianta
Modificar a beleza
Que só corações puros possuem?
Caímos nas malhas das leis do Homem
Pela impiedade de regras que a alma não conhece...
E o que era luz se transforma em dor
E o que era canção, só toca lamento
Onde o beijo partiu
O Ser morreu...

Chegam os rebanhos das cidades
Com passos estridentes e maquinais
Onde não existem idades
Apenas regras animais...

Sem nunca se olharem
Apenas se cruzam nos «bons dias»
Pois que sem se amarem
Todas as frases são vazias...

Sou alma, sou alma
Com meus direitos de vibrar
Raio de luz em terra calma
Só canto o verbo amar...

Venha o Amor e a sua lei
Para enfim obedecer
Pois reconhecerei o Rei
Que criou a vida e o Ser...

Mas onde está a piedade
Neste mundo de crueldade
Venha a nós a caridade
Tenho saudade, tenho saudade!!!

Manuela Pittet
in «Telas do Meu Sentir»