Pagª 17 - EDIÇAO NºXXXVIII , II NUMERO DE SETEMBRO DE 2009 - COMENTARIOS
Direcção Interina: Daniel Teixeira. Chefe de Redacção: Arlete Piedade. Relações Publicas: Alexandra Figueiredo. Educação e Cultura: Arlete Deretti Fernandes. Consultor Africa: João P. Correia Furtado.
Coluna de Liliana Josué

MURO BRANCO
Um grito ecoou ao longe
seria gente?
Seria animal?
Mas... gente é animal!
No entanto... animal não é gente!
DEPRIMENTE
Uma sombra negra escorregou
do muro branco
como existência sem vida
ou vida sem existência?
Será especulação esta tendência
para a transcendência?
O muro branco nas suas mossas
e pancadas
esperava a resposta que ninguém
saberá dar.
Porque o puseram ali?
Só serve para atrapalhar...
nem mesmo as sombras negras
o respeitam
passando sobre si numa indiferença
DESUMANA.
O grito voltou a ouvir-se no ar
pesado
a sombra saltou para o outro
lado.
E o muro branco
num agonizante apodrecer
chorou saudades pelos companheiros
que desfrutavam seu eterno adormecer
num sonho de descanso e devaneios.
MONTANHA AZUL
Vi ao longe uma montanha
vestida de céu azul
e franjas de nuvens brancas.
Os desejos eram pássaros vermelhos
pairando sobre o diáfano tule
na força que a cor lhes dava.
Rubro fogo... poderosos pássaros...
supremo crer que na vida se entranhava.
No verde sopé da montanha
dançavam vontades brancas
em forma de borboletas.
Beijos risonhos tingiam
esses desejos vermelhos.
Afectos macios acariciaram vontades francas
numa harmonia perfeita
de penas celestes feitas, e cor de prata
retocando todos os seres
renovados pela esperança da unidade
acreditando que:
onde qualquer coração bata
o eco seja um só
batimento Universal.
União de todos os seres
onde a diversidade
não traga desarmonia ou confronto...
apenas tons matizados
centrando-se num só ponto.
Coluna de Rosa Pena

Viveram Felizes Para Sempre...
Venha me contar histórias que não se findam nem nunca mudam o enredo. Quero-as
assim. O patinho feio que vira cisne, a bela que acorda com um beijo. Venha como
uma maré alta, que traz peixes, conchas e muitos corais. Diga, ainda que
sarcástico, que usará dezenas para enfeitar minha cintura. Sei que meu corpo não
é mais criança. Já alma não se pesa em balança.
Venha com seu cansaço, com suas dúvidas, com suas mentiras. Não esqueça, porém,
de trazer sua voz rouca, seus dedos longos e seus cabelos brancos. O vinho
gelado, a ternura e os seios sempre estiveram aqui. Beba-o com vontade e pousa
sua cabeça em meu colo. Juro que lhe farei horas de cafuné, mas de brinde peço:
— Improvisa duas tranças em meus cabelos! Emocionada com suas mãos de fada me
sentirei a própria Rapunzel.
Lembra-se da história dela?
As lágrimas curaram a cegueira do amado e eles viveram felizes para sempre.
Obra completa em meu site pessoal. Clique em:
www.rosapena.com
Pisada na bola
Aceito entrar em campo,
de dia ou de noite
topo se necessário prorrogação
não deixo o placar 0 X 0
jogo em várias posições
preencho espaços
ataco pelo meio
finalizo no fundo
não chuto em campo impedido
abraço na vitória
comemoro o gol junto.
Só que de vez em quando
eu piso na bola!
Me escala again?
Banco não me faz bem.
Guerra fria
Is not!
Não fui eu!
Não fiz a Perestroika.
Gorbachev não é o meu Romeu
Não sou a Anna Kournikova
Da montanha eu tenho medo
A salada eu não provo!
A roleta eu desafio.
De russo só nós dois
Cansados do feijão com arroz.
Glasnost...
Por Deus!
Você não me entendeu?
Outra discussão de relação.