Pagª 42 - EDIÇAO NºXXXVIII , II NUMERO  DE SETEMBRO DE 2009 - COMENTARIOS

Direcção Interina: Daniel Teixeira. Chefe de Redacção: Arlete Piedade. Relações Publicas: Alexandra Figueiredo. Educação e Cultura: Arlete Deretti Fernandes. Consultor Africa: João P. Correia Furtado.         

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Ipês - Continuação da Coluna de Antônio Carlos Affonso dos Santos. ACAS, o Caipira Urbano. (Ver inicio)

Há uma lenda que conta a origem do ipê. Ela diz o seguinte:

«Naqueles tempos, o inverno estava nos seus últimos dias e todas as árvores da floresta estavam começando a florescer. Somente os ipês continuavam sem flores. Os ipês, cada vez mais se entristeciam com aquela situação. Eles eram os únicos que não tinham nem flores nem frutos.

Então, os amarelos canários da terra, percebendo a tristeza dos ipês, resolveram fazer seus ninhos somente nos galhos de um dos ipês. E ninhais também foram feitos pelas araras vermelhas e azuis e os sanhaços em outro; as garças brancas em outro, as siaciras em outro, e num outro ipê menos imponente, foram os periquitos, jandaias, maritacas e papagaios.

Os ipês ficaram muito felizes e resolveram pedir à Providência Divina que lhes dessem flores, como forma de agradecimento aos canários da terra e a todos os outros pássaros da floresta, pela alegria que tinham levado a eles.

No dia seguinte, dizem; sob o mais belo céu azul que aqueles sertões já conheceram, os ipês floresceram em várias cores. Cada um dos ipês se vestiu nas cores e matizes dos pássaros que os havia adotado. Quando tudo isso aconteceu, dizem, era agosto. E assim, desde então, os ipês têm florescidos em agosto.

Agora, a cada agosto, um vento frio sopra desde os sertões do Brasil: é a Providência Divina anunciando que ainda mais uma vez os ipês florescerão, cumprindo a aliança entre Deus e a Natureza. As cores dos ipês são, portanto, expressão de um milagre do amor de Deus pela natureza e pelos seres que vivem na Terra».

Ipê Branco

Mas eis que, de repente, esta árvore de outros espaços irrompe no meio do asfalto. Interrompe o tempo urbano de correrias, semáforos, buzinas e ultrapassagens. E eu tenho de parar ante esta aparição do outro mundo! Assim como aconteceu com Moisés, que pastoreava os rebanhos do sogro, quando viu um arbusto pegando fogo, sem se consumir. Ao se aproximar para ver melhor, ouviu uma voz que dizia: «Tira as sandálias dos teus pés, pois a terra em que pisas é santa». Acho que não foi sarça ardente. Deve ter sido um ipê florido. De fato, algo arde, sem queimar, não na árvore, mas na alma. E concluo que o Escritor Sagrado estava certo. Também eu acho sacrilégio chegar perto e pisar as milhares de flores caídas, tão lindas, agonizantes, tendo já cumprido sua vocação de amor.

Mas sei que no espaço urbano as coisas fluem de maneira diferente. O milagre da floração dos ipês é visto por muitos moradores dos centros urbanos como canseira para a vassoura.

Ipê Rosa e Chão Sagrado

-Melhor o cimento limpo que a copa colorida, dizia uma minha conhecida.

Não raro sei de casos de pessoas que, por se cansarem de varrer as flores do ipê caídas no piso do quintal ou na frente das casas; atacam os ipês. Outras árvores são também castigadas pela ignorância dos humanos. Lembro-me de uma araucária numa rua ao lado do escritório no qual eu trabalhava; indefeso, com sua casca cortada a toda volta, e furos de broca. Meses depois, estava morto, seco. Restaram somente dois ninhos de bem-te-vis; um com filhotes e outro com ovos.

Numa manhã qualquer, passei sob o grande pinheiro seco e os dois ninhos estavam no chão, talvez arrancados por uma ventania, talvez derrubados pela mesma mão assassina que matou o pinheiro. Num dos ninhos estavam os fetos de dois filhotes, no outro as cascas de dois ovos quebrados.

Ipê Roxo

Mas no final, o que importa é o ritual de amor que o Criador faz manifestar-se no inverno. Ele espalhará sementes pela terra e a vida triunfará sobre a morte, o verde arrebentará o asfalto, e as flores nas cores em tons roxo, rosa, amarela e branca, enfeitarão nossas cidades, ano após ano. Alguns poucos ainda verão os ipês de flores verdes, que tanto procuro e nunca vi.

Espero, ansioso e esperançoso, que um dia o ser humano respeite a natureza. A despeito de toda a nossa loucura, os ipês continuam fiéis à sua vocação de beleza, e nos esperarão tranqüilos, todos os meses de agosto de nossa curta vida, por toda a eternidade. Todo ano temos um encontro marcado: no mês de agosto, devemos nos preparar para ver e sentir a floração dos ipês, pois ainda haverá de vir um tempo em que os homens e a natureza conviverão em harmonia e os ipês serão os ícones desse «Novo tempo».

Ipê Amarelo em Rua da Cidade de São Paulo - Brasil

PS: em setembro de 2008, recebi de uma escritora de um site no qual participo; imagens com as fotos de flores do ipê verde, as quais por pura imperícia as perdi. Também fui homenageado pelos curumins e cunhãs da Escola Primária de uma aldeia indígena da região de Dourados, MT.

Os pequenos brasileiros fizeram desenhos dos ipês floridos e repassaram aos seus pais, na aldeia, a lenda do ipê. Só isso me bastaria para que ficasse orgulhoso, mas a cada mês recebo algum tipo de manifestação sobre este texto. Agradeço a Deus por tê-lo feito, mostrado e contado.

 

 

 

 




O Ipê Verde do Acas

Redacção do Raizonline

Uma vez que o nosso amigo e colaborador Acas tem um prazer especial no conhecimento do raro Ipê Verde, resolvemos fazer uma pesquisa de forma a tentar satisfazer o seu desejo.

IPÊ DE FLORES VERDES

Este Ipê Verde, acima, encontra-se na localização abaixo:

A sua localização e foto foi obtida em : http://www.panoramio.com/photo/13868196

Entretanto aconselhamos ao Acas o Blog da Leda

[Leda.jpg]http://sustentvelleveza.blogspot.com/

Leda, Arquiteta
Local: Caçapava : São Paulo : Brasil

Ou o contacto com ela em Caçapava, que é uma terra linda:

Caçapava, foi criada para ser um descanso de tropeiros, e continua sendo um descanso para os viajantes e moradores da região, separando as grandes cidades do Vale do Paraíba: Taubaté e São José dos Campos. A cidade passou pelo ciclo cafeeiro como suas vizinhas mas, ao contrário das mesmas, não evoluiu junto com a Via Dutra. Conservou seu jeito pequeno e o clima rural que tanto agrada aos que moram em Caçapava.

Essa gente que, por sinal, é o maior bem de Caçapava. Com a sua calma e alegria contagiantes,

os caçapa- venses fazem da cidade o descanso e a paz em meio a loucura das cidades grandes, recebendo seus visitantes com o calor típico dos pousos de tropeiros do antigo Vale.

(Realces nossos)

E Caçapava fica aqui, logo no centro do Mapa abaixo.

 

Meu Pai

(republicada)

Sandra Fayad




 

Eras enorme e estrondoso como um trovão
A assustar-nos em noites de tempestade.
Foste o Lobo - Mau dos meus bailes em Catalão.
Entravas em casa como um soldado a marchar,
Pisando as flores que cobriam nosso chão.

Eras herói a nos defender dos malvados parentes
Que, na tua ausência, decidiam corrigir-nos.
Foste a garantia de que não ficaríamos carentes
Dos mantimentos trazidos em sacos, caixas, tonéis,
Que entregavas à mamãe como se fossem presentes.

Eras temido por crianças, amigas, namorados.
Ao sinal da tua presença, todos desapareciam.
Foste o carrasco dos nossos programas animados,
Das nossas gargalhadas estridentes e espontâneas,
Que escondíamos para não ser castigados.

Eras mais forte e corajoso que um touro na arena.
Enfrentavas o tempo e peso, a distância, homens e feras.
Foste um semideus na nossa infância terrena.
A segurança da tua proteção nos encorajava
Às traquinagens, que agitavam a cidade serena.

Hoje te vejo assim miúdo, indefeso, fragilizado.
Dói-me a humildade que te desejava outrora.
Brotam-me lágrimas ao teu olhar molhado.
Cansam-me os braços amparar-te os passos.
Arde-me o desejo pelo teu jeito estourado.

Teus noventa anos te dão todo o direito:
Relata a qualquer um tuas vitórias e derrotas.
Teu futuro é a tua história contada do teu jeito.
Tuas testemunhas são os amigos que renascem nos sonhos
E te despertam, minimizando a dor que sentes no peito.

Doente, cansado...

01/09/2005 23:33

Sandra Fayad

Publicado no Recanto das Letras em 12/03/2006

Publicado em: 13/08/2006 19:27:29