Pagª 22 - EDIÇAO NºXXXVIII , II NUMERO DE SETEMBRO DE 2009 - COMENTARIOS
Direcção Interina: Daniel Teixeira. Chefe de Redacção: Arlete Piedade. Relações Publicas: Alexandra Figueiredo. Educação e Cultura: Arlete Deretti Fernandes. Consultor Africa: João P. Correia Furtado.
A canção do velho barqueiro
Conto
por Arlete Piedade
Era uma vez há muitos e muitos anos, um pai e a sua filhinha que viviam numa aldeia do interior de Portugal, e ficavam ao serão deitados no pátio olhando as estrelas e a Via Láctea.
O pátio em frente á casa, era de terra mas a mãe da menina apanhava mato, composto de arbustos variados de folhas verdes e cheirosas, em especial alecrim, e espalhava-o na terra para formar um tapete fofo para pai e filha se deitarem depois do jantar. Quando os arbustos começavam a ficar secos, eram substituídos por outros acabados de apanhar e nesse dia a menina ficava mais feliz cheirando os cheiros fragrantes das folhas verdes.
Não havia ainda electricidade nessa aldeia, a televisão não era lá conhecida, nem sequer a rádio, por isso o pai ficava a contar histórias e a cantar canções para a sua filhinha, que curiosa lhe perguntava o que eram as estrelas e se viviam lá pessoas.
Na verdade a menina queria saber tudo, era muito curiosa e viva, e fazia inúmeras perguntas a seu pai, única fonte de ligação dela com o imenso mundo que adivinhava lá longe, do lado de fora da pequena aldeia. Mas o que mais a menina gostava era da canção do velho barqueiro, que começava assim:
Um dia um douto sábio, passeava
A bordo do seu barco, um fino bote
Mas quem com esforço o manobrava
Era um pobre barqueiro, já velhote...
E a canção continuava com o sábio orgulhoso do seu saber, gabando-se ao barqueiro, da sua cultura e da sua sabedoria, que tinham possibilitado a construção do barco, enquanto o barqueiro nada sabia e nada valia.
Mas então o barqueiro replicava que se não fosse ele saber manobrar a embarcação, se houvesse um naufrágio, se afundariam e de nada ia valer ao sábio, a sua sabedoria, pois morreria afogado.
Então o sábio replicava que não sabia nadar e pedia ajuda ao barqueiro, para que se salvasse e acabavam por concluir que cada um tinha a sua utilidade, e que na vida todos precisam de todos.
Mas o que a menina também gostava muito, era de olhar as estrelas e as figuras que elas formavam no céu, e ouvir o pai contar que aquelas luzinhas eram mundos como o nosso, onde viviam pessoas. Ficava a imaginar como seriam essas pessoas, e que um dia gostaria de as conhecer e visitar esses mundos distantes.
Era no verão que a menina ficava no pátio com o pai a contar histórias, e nas noites escuras sem luar, apareciam os pirilampos que fascinavam a menina e as outras crianças da aldeia que corriam atrás dos insectos luminosos com uma luz intermitente que brilhava na escuridão e que apanhavam e aprisionavam nas pequenas mãos.
Eram colocados debaixo de um copo virado, porque as mães diziam que no outro dia, apareciam lá moedas. E nessa ilusão, as crianças corriam atrás das luzes aladas para tentarem a sua sorte, e poderem comprar alguns rebuçados na mercearia do lugar.
Ás vezes apareciam mesmo moedas, mas eram as mães a colocá-las lá. Só que as crianças não sabiam e alegremente voltavam á caça na noite seguinte.
Eram assim as noites de verão sem electricidade, sem televisão, sem rádio, sem livros, sem bonecas. Apenas uma menina curiosa e seu pai, numa aldeia do interior de Portugal, no início da década de sessenta, do século passado.
Arlete Piedade
(Inspirado em recordações da minha infância com meu pai)
Nas Tuas Mãos Senhor
Ontem perdi a esperança e chorei
Ao vê-lo assim tão indefeso e só
O corpo que era forte, agora magro
Peles flácidas, com edemas negros
Arfante e cansado, era só esforço
Para viver, sem falar, só respiração
Apelei para ti Senhor, com minha Fé
Nas Tuas Mãos benditas, o coloquei
Se for chegada a hora dele, aceitarei
Se tiver que sofrer Senhor, chorarei
Mas custa muito vê-lo assim a lutar
Agora já sereno, calmo e resignado
Como se estivesse pronto Senhor,
Para partir daqui, para o Teu lado.
Mas Senhor eu resignada estou
Seja como a Tua Vontade, ditar
Se ele tiver que partir, ajudarei
Se ele ainda puder permanecer
Mais algum tempo aqui connosco
Que seja feita a Tua Vontade Senhor
Alivia o seu sofrimento se possível
Apenas por isso Te estou a suplicar
Em Tuas Mãos, deixa-o descansar!
Arlete Piedade
(Para meu Pai, na sua terceira hospitalização)
Crise na educação e a identidade da Escola - umas impressões...
Por: Se Gyn
Hoje de manhã, assisti estarrecido a uma reportagem exibida no Jornal «Bom dia Brasil», da Globo, em que a polícia havia localizado um misto de arsenal de armas de médio e grosso calibre e, paiol de munição, ambos improvisados em diferentes locais de um Brizolão, uma escola pública carioca, dedicada ao chamado ensino de tempo integral.
O problema não está no fato em si, mas nas circunstâncias em que ele ocorreu. Na
tal reportagem, a despeito do revoltante fato de que, no Rio, os bandidos
chegaram ao ponto de eleger (com sucesso e, pelo jeito, sem cerimônia alguma) um
prédio público como o local adequado para finalidades criminosas, era o fato da
diretora tentar impedir o acesso da polícia ao prédio - dando-se ao desplante,
inclusive, de tentar marcar hora para tanto, sob a alegação de que estava em
curso na escola, naquele momento atividades relativas à comemoração da semana da
consciência negra e, do fato de que, depois de localizado e exposto ao sol o
impressionante arsenal de armas e lotes de munição, a diretora cara de pau,
tenha negado publicamente o conhecimento de uso da escola que dirige para fins
um tanto «heterodoxos», digamos.
(Peço paciência a todos, porque minhas opiniões sobre o ensino pátrio não são
das mais agradáveis. E, por outro lado, isso aqui vai longe - muito longe.
Talvez dê preguiça... Mas, espero que você vá até o fim. Trata-se de algo
relacionado ao futuro dos brasileirinhos, nossos filhos, sobrinhos, netos,
vizinhos, etc.)...
Como a diretora, isto é, a pessoa a quem a Secretaria da Prefeitura do Rio de
Janeiro confiou a tarefa de gerenciar, em todos os seus aspectos, não poderia
ter notado que sua escola era utilizada diuturnamente para ocultar armas e
munições, sabendo que, para tanto, os bandidos tinham, forçosamente, de entrar e
sair dali? Como pode ela negar desconhecimento do fato, sabendo que os locais de
esconderijo de armas e munições (caixas de controle de tubulação e fiação de
energia elétrica, entre outros) eram acessadas continuamente, para realização de
manutenção e reparos?
Como poderia uma centena de alunos da tal escola, dada a curiosidade própria das
crianças, não notar nada a respeito e, relatar ao funcionário da escola ou
professor mais próximo? De um único jeito. O Impossível. A tal diretora,
educadora e agente do Estado, mentiu, descaradamente, diante das câmeras, seja
por que motivo for - nenhum deles, justificável, entretanto, se levarmos em
consideração a função ... da escola e, o objetivo do processo educacional:
preparar o individuo para o convívio social, para o mundo do trabalho e, o
exercício da educação.
A escola brasileira anda contaminada por um série de pestes, que impedem de
cumprir a sua finalidade. Hoje em dia, os grupos mais diferentes reivindicam
tudo da escola, menos, que seja eficiente na educação das crianças e jovens
brasileiros.
As pestes são muitas, mas destaco três: a praga da renúncia da autoridade, a doença do esquerdismo nefasto do quadro de professores e material didático e, o virus do utilitarismo da escola e do processo educacional, como ferramenta de práticas heterodoxas da chamada «inclusão social».
A renúncia da autoridade é inegável e, até razoavelmente conhecida de pais e professores, em virtude do número de atos dos mais diversos tipos de violência praticados na escola, por alunos, circunstantes ou, invasores (caso dos bandidos que se assenhoraram do Brizolão, no Rio).
Ela decorre do fato de que, o educador - outrora, a quem se chamava respeitosamente de professor, não tem, não assume ou, nega o peso da responsabilidade posta por sobre seus ombros, preferindo alegar, espertamente, que é apenas um mediador do processo educacional, renegando que é, inafastavelmente, que encontra-se no papel de agente de formação de crianças e jovens, que, afinal de contas, não estão ali a passeio e, que isto exige dele um posicionamento, uma atitude e, um compromisso, ao longo de sua carreira, um instante após o outro - com todo o respeito, mas, se o caso fosse de mediar, contratavam-se espécie de árbitros de educação e, não, professores (na escola pública pelo menos, este ainda é o nome legal para o cargo que exercem).
Destes, deve ser exigida sim, formação profissional adequada e aprimoramento constante, pois são mais que meros formadores de opinião, são formadores de homens, futuros cidadãos...
A doença do esquerdismo - espécie de sub - socialismo, presente nos livros didáticos e, na, digamos assim, prática educacional dos professores, na minha opinião, é uma mistura de oportunismo e sem - vergonhice criminosa.
Trata-se da introdução nos livros didáticos de conceitos generalistas vinculados à fracassada e deletéria doutrina socialista, de Karl Marx, dentro da visão de Gramsci - isto é, a tal da visão crítica e revolucionária da história e das ciências em geral, dentro de uma perspectiva de conquista do poder e imposição do socialismo através da doutrinação das massas.
Na prática, isto significa: utilizar-se de instituições próprias de um regime democrático, para a propaganda de um regime autoritário e violento, por natureza.
O fracasso político e econômico do Socialismo na Rússia e leste europeu - depois de mais de três dezenas de milhões de vidas humanas ceifadas e, os resultados da implantação de ditaduras comunistas no oriente - onde a cifra de eliminados passa de 80 milhões de vidas humanas e, principalmente, do conhecimento de que o regime criminoso dos irmãos Castro implantado em Cuba já custou o sacrifício da vida ou da liberdade de mais de 100.000 pessoas, noves fora a fuga de mais de 1 milhão e meio de cubanos para os EUA, não é motivo suficiente para uma crítica dos autores de livros didáticos e, menos ainda de professores.
Pelo contrário, numa falta de senso do razoável e leitura crítica ou, pelo menos razoável da realidade, da compreensão que a Escola é lugar de formação basilar e, não de doutrinação ideológica ou partidária, seguem, dia após dia, a espalhar a pregação sua ideologia nas salas de aula, a título de ensinar, querendo criticar justamente o regime político que deu certo, à diferença de todos os outros: a democracia representativa, conquista histórica da civilização ocidental, do qual disse Churchil: «é o pior regime, à exceção de todos os outros».