Pagª 42 - EDIÇAO NºXLV , I NUMERO  DE NOVEMBRO DE 2009 - COMENTARIOS Direcção Interina: Daniel Teixeira. Chefe de Redacção: Arlete Piedade. Relações Publicas: Alexandra Figueiredo. Educação e Cultura: Arlete Deretti Fernandes. Consultor Africa: João P. Correia Furtado.         

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Poemas de Maria da Fonseca

A FERNANDO PESSOA

Do nosso tempo, o Poeta
Foste tu, grande Pessoa.
Quero prestar-te homenagem
Da tua amada Lisboa.

Noutras terras tu viveste,
Outras línguas tu falaste,
Mas na nossa és o maior,
Nossa Pátria realçaste.

Toda a vida dedicada
A escrita e ao pensamento.
Na verdade não fingiste,
Como versa em teu lamento.

Versátil e genial
Criaste fictis autores,
Várias personalidades,
Distintos versejadores.

Teu dom da alteridade
De uma riqueza brilhante
Concedeu a cada um
Seu ideal relevante.

Insuperável poeta
De fama universal
Dilataste teu sentir
Muito além de Portugal.


Acto de Fé

Defender uma constante
Não parece racional.
No mundo em que nós vivemos
Nada se mantém igual.

O Homem busca a Verdade,
Pesquisa, estuda, compara,
Pra obter uma certeza,
Recorre a fórmula rara.

Nosso alfabeto não chega,
Os integrais são menores.
E seu cérebro não pára
Na ânsia de pormenores.

Pretende o mais que perfeito,
Atingir não sei bem quê,
Pra descobrir o que é simples
Mas não sabemos porquê!

Não encontramos mais Vida
No Universo profundo.
Não há iguais condições
Noutros astros, noutro mundo.

Porque estamos nós aqui,
Neste momento presentes,
A procurar subsistir?
Não será por sermos crentes?!

Devemos a nossa vida
A um eterno acto de amor.
Divina é a coincidência
De sermos teus, Criador.

E todos nós Vos louvamos,
Ser futuro é a Esperança.
A Luz que de Ti dimana
Dá-nos toda a confiança.

(Ver mais poemas de Maria da Fonseca)

 

 




Poemas de Sandra Fayad


SUAVIDADE PERIGOSA

Caçador, tu me perguntas
O que podes esperar
Dessa suavidade perigosa,
Que pareço representar,
Pois me achas belicosa.

Não sou tão suave assim...
Trago algumas pedras sobre os ombros,
Calos nas mãos e nos pés,
Carimbados a ferro e fogo
Nas estradas por onde vim,
Em busca de cafunés.

Muitos perigos te rondam, sim.
Alguns brotam da terra em chamas,
Outros flutuam na fumaça das chaminés
Como anjos tocando clarim.
Comigo, se a verdade proclamas,
Teu risco é tão somente
O mesmo risco que eu corro,
Enfim...


SONETO DOS NAMORADOS
NEM Q-BOA, NEM LIQUI-PAPER.
(Soneto dos Namorados)

Namoraram Adão e Eva: namoro por Deus abençoado!
Já com Romeu e Julieta, foi familiar namoro proibido.
Namoraram D. Pedro I e D. Inês: é amor eternizado.
Com nosso D. Pedro e Domitila significou amor traído.

Amaram-se Napoleão e Josefina (exceto em batalhas).
Em meio a batalhas, namoraram Prestes e Olga Benário.
Richard Burton e Liz Taylor, envoltos em felpudas toalhas,
Namoraram a dourada canarinha e seu dourado canário.

Namorando teu olhar, convencida que me tens amor,
Animei-me a plantar e depois cultivar belo orquidário,
Para no dia dos namorados te ofertar uma nobre flor.

Abençoado por Dom Bosco, nosso namoro será eterno.
Mergulhado na Q-boa, não desbota, nem muda de cor,
Nem se apaga com liqui-paper da nossa vida-caderno.


SOMOS UM

Inseparáveis tal qual a pétala e o pólen,
Integrados como o caule e a raiz,
Cautelosos nossos dedos seguram a flor,
Que cultivamos com nosso amor
Lindo como o horizonte visto do planalto.

Tal qual o sol e a lua, revezamos nossa luz,
Para iluminar a estrada rumo à nossa diretriz
À procura de um mundo mais feliz.

Como o alvorecer e o crepúsculo,
Vestimos de cores nosso olhar apaixonado
E ouvimos com a alma o que o outro diz.

Com o coração inundado de harmonia
Como águas cristalinas brotadas de um chafariz,
Transformamos nossos corpos em bem comum,
E enchemos nosso leito de magia
Certos de que EU E VOCE SOMOS UM.