Pagª 44 - EDIÇAO NºXLV , I NUMERO  DE NOVEMBRO DE 2009 - COMENTARIOS Direcção Interina: Daniel Teixeira. Chefe de Redacção: Arlete Piedade. Relações Publicas: Alexandra Figueiredo. Educação e Cultura: Arlete Deretti Fernandes. Consultor Africa: João P. Correia Furtado.         

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Poemas de Pequenina

A voz dos desejos

Loucuras de amor, são aquelas que você sente
e não pode reprimi-las, deixam-nos atordoadas
e até mesmo fora da realidade do mundo.
Não sabia que algumas palavras escritas,
ou algumas imagens fotográficas, uma voz ao tel
fizesse, nos levar as ultimas estâncias de um
sentimento abrasador, e até mesmo a loucura!
Como gostaria que aqueles que nunca experimentou tal prazer,
tivessem esta oportunidade ao menos uma vez na vida!
Hoje é um dia festivo, estou eu sentada, em
frente a uma telinha, ouvindo as canções, na voz
do homem que para mim, é o céu, a terra, o mar,
a lua, o sol, as estrelas, enfim, o infinito!
Creiam-me! E é uma coisa real, e ao mesmo tempo
quase irreal, meio complicado mas é verdadeiro.
Não se trata de um sonho, ou uma alucinação.
Um fato concreto!
Gostaria que neste exato momento, o tempo parasse
e a vida ficasse onde está, e este dia se eternizasse!
E esta melodia, junto a esta voz, que soa como um hino
aos que amam e sofrem uma paixão avassaladora!
Loucura, imaginação, fantasia, devaneio, êxtase,
frenesi, tesão, sede, tara? Teria uma série de adjetivos;
alguns não muito recomendáveis em serem mencionados.
Não quero saber, que nome devo dar a este momento mágico!
Talvez a alegria que sinto na alma, saiba expressar
melhor que as palavras por mim, escritas,
ou até mesmo ditas, com minha própria voz!
E um verdadeiro mistério do mundo dos pensamentos.
Estes são livres, não há quem os impeça, que ele os diga
a nós mesmos, o que queremos, o que devemos,
ou o que podemos sonhar, e sentirmos.
Até mesmo o desejo de: cantar, dançar, gritar, pular,
rolar na areia, subir nas paredes, flutuar sobre as nuvens,
tocar as estrelas, beijar a face da lua, deitar na grama...
E até mesmo... na Cama!


Doce Magia

A esperança, esta não morre
Vive sempre em nosso ser
Beijamos em pensamentos
E assim estamos a viver.
De sonhos e pensamentos
Os dias se vão a passar
Se houvesse uma outra vida
Iríamos nos encontrar.
Se noutra vida eu não creio
Mas o que vivemos existe
Assim ao te conhecer
Passei a ser menos triste.
Em todos os dias agradeço
Aos céus as estrelas e a lua
Por ter-me dado esta graça
Unindo a minha alma a tua!

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Magalhães – o escândalo da robotização da educação

Pais e público mantidos em ignorância acerca dos malefícios de um projecto que na Europa e na América já demonstrou a sua inutilidade

Em paralelo com o aparecimento dos computadores como instrumentos absolutamente legítimos e necessários para o trabalho e para muitas outras coisas, ocorreu um fenómeno de deslumbramento das massas adultas, desejosas de aproveitar essa tecnologia nas suas vidas particulares, não só pelas legítimas vantagens de rápida consulta a informações, mas também para fazerem navegações úteis (ou inúteis) pela internet, mais o conforto quase doentio de poderem comprar coisas sem ter que lidar pessoalmente com seres humanos, ou entrar com os próprios pés em lojas.

O segundo fenómeno é a fascinação enfermiça e obsessionada que a nova tecnologia, esvaziada de valores éticos e morais, vem provocando entre os responsáveis pela educação oficial, até ao ponto de os mesmos passarem a desempenhar o papel de meros elementos de uma verdadeira mega-máquina.

Até recentemente, o mundo da educação era um mundo que se alimentava de ideais maduros e impulsos humanistas; um mundo ávido de algo como um estudo e um conhecimento cada vez mais profundo do Homem e para o Homem, capaz de complementar uma antiquada antropologia de inspiração animalista.

Mas com a capitulação da máquina educacional perante as máquinas computacionais surge agora uma novidade sem precedentes: uma dependência escravagista perante as ordens da política e do mundo dos negócios. Numa perversa deformação de propósitos, a educação – que é simplesmente o futuro da própria humanidade – entra assim em caminhos de decadência, passando a depender de estratégias não-educativas, nas quais técnicos cibernéticos vêm até comandar a preparação de pais e professores para uma táctica pedagógica automatizada desejada para o mundo infantil.

Este é o momento histórico e dramático que estamos a assistir, conforme a mestiçagem homem - máquina vem promover uma nova forma de ditadura, pintada de promessas e ilusões futurísticas. Toda uma antropologia pedagógica da infância, uma verdadeira visão do que é realmente o Homem no Mundo, está a ser atirada para o lixo, para inaugurar-se uma tecno-idolatria que não receia comparação com o recente passado negro fascista da nossa história.

Como humilhação adicional, Portugal é desta vez inclusive utilizado como rastilho inocente para um plano de deformação robótica de outras comunidades escolares, conforme são implementados os planos de venda e exportação maciça do «Magalhães» para inúmeros países em desenvolvimento (haja visto o exemplo da recente declaração do presidente venezuelano Hugo Chávez, o qual anunciou a intenção de comprar um milhão de computadores «Magalhães» para asfixiar electronicamente o seu próprio sistema escolar na sacrificada América Latina).

Para pais e mães cônscios da sua superior missão de educação da infância – que é o nosso maior capital espiritual colectivo – a actual experiência megalomaníaca com o «Magalhães» devia servir como um alerta e um chamamento profundo à consciência, a fim de cada um saber imediatamente como reagir por iniciativa própria, de maneira livre e democrática, para tomar a decisão que julga mais acertada para a sua família, e para discutir o tema entre amigos e quaisquer outras pessoas interessadas.

Na Europa a que Portugal pertence, uma das características de comunidades desenvolvidas é exactamente a autoridade que pais e mães têm para interferir em questões ligadas à educação dos seus filhos. Vale assim lembrar os conteúdos de dois documentos internacionais fundamentais:

«Aos pais pertence a prioridade do direito de escolher o género de educação a dar aos filhos». Artigo 26/3 da Declaração Universal dos Direitos Humanos, co-assinada por Portugal junto à ONU-

«O Estado, no exercício das funções que tem de assumir no campo da educação e do ensino, respeitará o direito dos pais a assegurar aquela educação e ensino consoante as suas convicções religiosas e filosóficas». Artigo 2/Protocolo da Convenção de Protecção dos Direitos do Homem e das Liberdades Fundamentais, co-assinada por Portugal junto ao Conselho da Europa.

Autor: Prof. Raul Guerreiro
www.defesadacrianca.net
info@defesadacrianca.net

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Nota do Raizonline: Publicámos apenas um resumo do artigo do Prof. Raul Guerreiro. Pode aceder à totalidade do texto consultando o site defesadacrianca.net.