Pagª 1 - EDIÇAO NºXLV , I NUMERO  DE NOVEMBRO DE 2009 - COMENTARIOS Direcção Interina: Daniel Teixeira. Chefe de Redacção: Arlete Piedade. Relações Publicas: Alexandra Figueiredo. Educação e Cultura: Arlete Deretti Fernandes. Consultor Africa: João P. Correia Furtado.         

Agenda de EventosEmail BlogMotor de BuscaNewsletter AVALIE-NOSLivro de Visitas Anuncios Gratis Homepage Album FotosIndice Geral Arquivo


Os novos fiscais

Por : Haroldo P. Barboza

Nossos governantes podem reduzir ainda mais seus gastos públicos. Basta extinguir a categoria de fiscais. Podemos afirmar isto em função do histórico que temos nos últimos 50 anos .

Raramente temos notícia de uma ação positiva do tipo:

1) guardas florestais deram flagrante num fazendeiro patrocinador de campanha política que provocou a queima de reserva florestal;

2) fiscais da saúde encontraram depósito de remédios falsos e vencidos de um laboratório que estava pronto para colocá-los no mercado com a cobertura de membro do Ministério;

3) fiscais da fazenda encontraram documentos que comprovam a sonegação de uma empreiteira famosa de propriedade de assessor federal;

4) PF descobriu nome de Deputado responsável por entrada de drogas na cidade;

5) PRF capturou quadrilha comandada pelo Prefeito que falsificava documentos para carros roubados.

Em qualquer área de ação na sociedade, está ocorrendo neste momento uma falcatrua que terminará com o enriquecimento ilícito de algumas figuras até já condecoradas e com a agonia de milhares de sofredores que doam seu sangue para cobrir o rombo. Quem já esqueceu o PROER?

E o término oficial da fiscalização não vai implicar na permissão ampla e irrestrita para o caos (que só ainda não foi oficializado por falta de um DL) que se pode imaginar à primeira vista. Quase toda noite, no jornal da tv, aparece uma reportagem feita com uma câmera escondida que exibe todo um processo ilegal.

Ora, se os repórteres sempre chegam a estes locais antes dos fiscais e com um mínimo de estrutura para investigar, melhor e mais econômico deixar de pagar aos atuais fiscais e contratar estes jornalistas para executarem as funções do estado.

Só existe uma semelhança na ação dos fiscais (quando agem) e dos repórteres: um mês depois de revelada a situação irregular, seus autores continuam livres e felizes por conta do enferrujado (propositalmente) sistema judiciário que só atua com eficácia contra marginais que roubam pequenos montantes.

Além do que, as provas límpidas e concretas exibidas na tv são descartadas no processo porque foram obtidas «sem» autorização judicial! E a Justiça lá vai autorizar a investigação de um escândalo onde um Desembargador esteja envolvido?

Médicos realizam barbaridades nos consultórios públicos e particulares e a entidade nacional que os congrega não lhes toma o registro. Abafa o caso e o incauto abre outro consultório em outro ponto do território apenas com as orelhas chamuscadas.

Para ler todas as publicações de Haroldo P. Barboza.

 

Continuação da Coluna Um (Ver início)

Por outro lado, e não insistindo muito mais nesta questão por ora, gostaria de referir esta semana um facto que infelizmente só conseguimos publicar hoje, por nos ter chegado já em cima do fecho do jornal na semana passada.

Peço o favor de lerem o texto Ghandi tinha razão  que a nossa colaboradora e amiga Sandra Fayad nos enviou e que refere uma situação que, para quem seguiu o processo que levou à destruição parcial da sua (e dos seus vizinhos) Horta Comunitária, parecia na altura e ainda parece agora impossível ter lugar.

Defendemos sempre este projecto, e confessamos agora aquilo que ainda não tivemos oportunidade de referir: fizemo-lo também pelo seu valor humano e simbólico.

Numa cidade como Brasília, que todos sabemos ter sido implantada quase contra - natura com um intuito que se compreende dada a litoralização que tinha lugar (e tem) no Brasil e onde nos primeiros anos se teve mesmo de conceder  benefícios extraordinários para obter habitantes para a cidade do planalto, onde os laços afectivos e familiares ainda estão em construção, a Sandra, com o seu projecto, mesmo limitado, e simbolicamente, conseguia muito mais resultados imediatamente do que muitos anos de consolidação pelo correr do tempo.

E este facto que a Sandra agora relata, que a pessoa que inicialmente parecia uma má pessoa e que agora colabora na Horta como qualquer outro vizinho, é um excelente exemplo de que os laços construídos à volta desse projecto pequenino são maiores e mais sólidos do que qualquer vista apressada podia fazer supor.

O mundo é sempre mais do que aquilo que se vê...

LINK PARA A LISTA  DOS TRABALHOS INSCRITOS

Daniel Teixeira

 

Continuação da Crónica de Arlete Piedade - Dia de Todos os Santos versus Halloween (Ver Início)

Também neste dia é, ou melhor dizendo era habitual as crianças andarem, de porta em porta, a pedirem ofertas de bolos e outros doces, assim como frutos secos, ou o que as pessoas ofertassem. Esta tradição vai-se perdendo, mas ainda se mantém em algumas zonas de Portugal. No tempo em que eu era criança, chamava-se a este costume pedir o «Pão por Deus».

As crianças reuniam-se na casa de uma delas, vestidas com os melhores trajes, com um saco de pano bordado, o mais bonito que tivessem, e davam a volta á aldeia, batendo á porta de todas as pessoas e pedindo a quem abria: - Pão por Deus!

As pessoas davam o que podiam, mas era habitual fazerem broas (pequenos bolinhos), de várias qualidades, que tinham prontas em tabuleiros á espera das crianças para oferecerem. As broas juntavam também frutas, tais como romãs, peras e maçãs, e frutos secos, tais como figos, nozes e castanhas. Também havia quem desse rebuçados, outros bolos, e até ovos e chouriços e algumas davam dinheiro.

Cada uma dava o que tinha em suma, mas era considerado vergonhoso não dar nada. Ao fim da tarde as crianças reuniam-se de novo na casa de uma delas e partilhavam as ofertas num lanche colectivo.

O Halooween ou Dia das Bruxas, celebrado nos Estados Unidos da América, Inglaterra, Canadá e outros países, a partir dos quais se tem espalhado pelo mundo, é na sua essência, o mesmo tipo de celebração com as crianças a baterem ás portas dos vizinhos, pedindo «bolinho» ou «partida». Só que nesses países essa celebração é dedicada ás bruxas e outros entes mágicos, daí que as crianças andem fantasiadas de bruxas ou fantasmas e podem receber bolinhos ou serem mal recebidas, ou até de maneira agressiva por pessoas de má-indole.

Fazem-se também bailes de mascarados dedicados a todos os entes mágicos, sendo uma das figuras representativas desta noite, a célebre máscara de abóbora, iluminada com velas no seu interior que foi escavado e onde se desenharam olhos e boca. Estas lanternas são colocadas nas janelas e portas para iluminarem o caminho ás bruxinhas e aos foliões. presumivelmente, com origem numa tradição mais antiga de origem pagã, para iluminar o caminho ás almas dos mortos na sua viagem para o além.

Neste mundo de globalização crescente, nota-se cada vez mais a influencia dos Estados Unidos que tudo exportam, incluindo tradições, daí que nos nossos países de tradições católicas, o Halloween tenha vindo a substituir o Dia de Todos os Santos, ou Dia de Finados, com toda a panóplia de produtos alusivos, que são os comercializados neste época, desde máscaras fantasmagóricas, trajes de fantasia e uma infinidade de bugigangas referentes a este tema.

Mas convêm recordar que este dia é para homenagear os que já se foram e esquecer o folclore das bruxas e das abóboras, que têm o seu lugar nas culturas apropriadas e que nos nossos países estão desajustados e apenas servem para incentivar ao consumismo.

Arlete Piedade

Arlete Piedade

 

(Ver o Poema Mãe Negra e apresentação P.Point-pps)

Veja  vídeo de Arlete Piedade em 2007 na II EPAC (II Encontro de Poetas Abralianos e Convidados) realizado em  Almeirim - Portugal.

 

Noite das Bruxas

Meia noite em ponto! E na noite escura já se ouvia...
Uma pavorosa, estridente, e horrorosa gritaria...
Vultos alados revolteavam nas brumas de alcatrão
E por todos os lados, luzes bruxeleavam de sopetão...

Caras estranhas se destacavam contra o céu de breu,
E por tantos uivos lá fora do castelo, temerosa eu...
Me recolhi tremendo de medo na minha fria alcova...
Não fosse o terrível ceifador vir buscar-me para a cova!

Mas então fez-se luz na minha triste mente temerosa...
Será que era aquela a noite em que a gente desastrosa,
Brincava sem respeito e temor com os seres do além??

Pobres criaturas que imitam sem respeito e sem pudor...
As bruxas, fantasmas e a todos esses seres de horror...
E nem temem que as atinja os poderes que eles têm...

Arlete Piedade