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, I NUMERO DE NOVEMBRO DE 2009 - COMENTARIOS
Direcção Interina: Daniel Teixeira. Chefe de Redacção: Arlete Piedade.
Relações Publicas: Alexandra Figueiredo. Educação e Cultura: Arlete Deretti
Fernandes. Consultor Africa: João P. Correia Furtado.
Cartas ao Director

Depois de alguns amigos e leitores nos terem escrito com o intuito de colaborarem financeiramente (também financeiramente nuns casos e só financeiramente noutros) lançamos nos últimos números as bases (que recordamos abaixo) para que sejam feitos donativos.
Este jornal pode gabar-se de não ter até agora consumido um cêntimo (descontando
o trabalho de cada um e as despesas que já eram correntes com a Net, software e
computadores e o pagamento dos domínios exclusivos).
Mas...talvez seja altura de se começar a pensar nisso:
Assim, e enquanto as coisas não ficam organizadas de outra forma dizemos àqueles
que já nos contactaram neste sentido e àqueles que ainda não nos contactaram
porque ninguém falou disso que estamos disponíveis para receber donativos (por
enquanto donativos, mais tarde também publicidade paga) e que a pessoa que foi
«nomeada» para fazer o lugar de tesoureira enquanto a estrutura não estiver
melhor organizada é a Arlete Piedade em Portugal e a Denise Severgnini no Brasil.
Os números (nacionais e internacionais) das contas afectas a este efeito vão
abaixo.
NIB 0033 0000 0007 6587 4180 5
IBAN PT50 0033 0000 0007 6587 4180 5
No caso específico do Brasil temos a seguinte conta: CAIXA ECONÔMICA FEDERAL
AGENCIA 2918 - CC 001.00.004.344-8
DENISE DE SOUZA SEVERGNINI
Batalha mundial pela posse de terras agrícolas
Uma nova colonização ou uma oportunidade de desenvolvimento?
Ao longo dos últimos 18 meses, aquisições em larga escala de terras agrícolas em
África, América Latina, Ásia Central e Sudeste Asiático têm feito manchete nos
meios de comunicação social internacional. Terras que há poucos anos eram
consideradas sem interesse para os investidores internacionais, começam agora a
despertar a cobiça de fundos soberanos dos países produtores de petróleo, de
empresas públicas de economias emergentes como a China e Índia, ou de empresas
privadas ocidentais.
A 19 de Novembro de 2008, numa época em que a opinião pública estava mergulhada
em notícias sobre a crise financeira mundial, o Financial Times revelava como a
Daewoo Logística, filial da construtora de automóveis sul-coreana, cobiçara 1,3
milhões de hectares de terras em Madagáscar, o equivalente a um terço de toda a
terra cultivada neste país. «Queremos plantar milho para garantir a nossa
segurança alimentar.
Pois no mundo actual, a alimentação pode ser uma arma. Podemos exportar a nossa
produção agrícola para outros países, ou enviá-lo para a Coreia do Sul em caso
de crise alimentar», disse Hong Jong-Wan, chefe do Daewoo Logística. Se é
verdade que o povo malgaxe se rebelou contra o predador coreano, provocando a
demissão do Presidente da República de Madagáscar, na Etiópia, os investimentos
da Índia e da Arábia Saudita, já estão em plena actividade.
Um pouco por todo o planeta, começou a corrida às terras agrícolas. Na origem do
fenómeno: o medo da penúria alimentar. Em meados dos anos 1990, assistimos ao
regresso do espectro da fome. O número de pessoas desnutridas, depois de se ter
aproximado dos mil milhões em 1970, estabilizou em 800 milhões em 1995. No ano
seguinte, na Cimeira Mundial da Alimentação, os líderes políticos acreditaram
ser possível estabelecer o compromisso de reduzir para metade o número de
pessoas subnutridas até 2015. Ironicamente, longe de diminuir, esse número
aumentou na viragem do século. De 1981 a 2005, o número de pessoas que vivem com
1,25 a 2 dólares por dia, duplicou, totalizando 1,2 mil milhões.
Hoje, três mil milhões de pessoas vêem-se privadas de alimentação regular (com
3$00 por dia), aproximadamente 2 mil milhões sofrem de desnutrição e mil milhões
sofrem de fome. No final de 2008, diz a FAO, o número de pessoas desnutridas, ou
seja, que não têm acesso a uma dieta alimentar de 2.100 quilocalorias por dia,
já ultrapassava os mil milhões, e 9 milhões de pessoas tinham morrido devido à
insegurança alimentar. Na primavera de 2008, os preços das mercadorias (commodities)
agrícolas (arroz, trigo, milho, soja, etc.) aumentou significativamente em 52%,
atingindo pesadamente as populações pobres de uma quarentena de países,
originando protestos violentos.
Preocupados com a estabilidade do preço dos alimentos, muitos governos começaram
a promover a aquisição de terras agrícolas em países estrangeiros, em especial
países pobres, como alternativa à compra de alimentos nos mercados
internacionais. Os países receptores, saudando a nova onda de investimentos
estrangeiros, têm vindo a implementar políticas e reformas legislativas
necessárias para atrair investidores estrangeiros.
Este contexto em rápida evolução cria oportunidades, desafios e riscos. O
aumento do investimento pode trazer benefícios a nível macro (crescimento do PIB
e das receitas do governo), e criar oportunidades para elevar os padrões de vida
local. Para os países mais pobres e com terras relativamente abundantes, os
investidores podem aportar entrada de capital, tecnologia, know-how e acesso ao
mercado internacional, podendo desempenhar um papel de catalisador no processo
de desenvolvimento económico nas zonas rurais.
Por outro lado, esta estratégia de aquisição de terras em larga escala, pode
resultar em grandes perdas de acesso aos solos aráveis e aos recursos naturais
(por exemplo água para irrigação) por parte da população local que deles depende
para a sua subsistência e segurança alimentar.
Os residentes locais podem ser directamente despossuídos da terra em que vivem,
muitas vezes seu património de longa data, principalmente devido à falta de
registos de propriedade e à incapacidade de fazer valer os seus direitos.
Outros impactos indirectos também podem ser de grande importância, embora estes
geralmente sejam mais difíceis de medir. Entre eles inclui-se a perda de acesso
a recursos sazonais de grupos não-residentes, como pastores nómadas, ou mudanças
no equilíbrio de poder entre mulheres e homens, com benefício para estes últimos
devido aos ganhos imediatos que representa o aumento do valor comercial da
terra.
Repercussões podem existir em outras zonas do país, pelo facto de os antigos
usufrutuários serem empurrados para outras áreas com solos de menor
produtividade, acentuando ainda mais o risco de exclusão de acesso ao mercado de
terras por parte das famílias mais pobres e/ou etnias marginalizadas.
João José Fernandes, Director Executivo Oikos – Cooperação e Desenvolvimento
Coluna de Jorge Vicente
The Go-Between (L.P.Hartley)
No final do dia de hoje, tive a sensação de que nada existente no universo da Literatura interessa de facto, a não ser o próprio acto da criação literária e o acto de nos darmos aos outros, de modo gratuito e sem condições, seja através da humanidade de alguns autores seja através das suas personagens, que se nos atravessam na alma e que representam o mundo (o nosso mundo).
Falo disto porque
José Luís Peixoto ganhou o Prémio Daniel Faria 2008 e acho um pouco estranho já
que o Prémio se destina a autores não consagrados. Mas, enfim, isso não
interessa quando temos autores como L.P. Hartley a nos apontarem o céu.
O único livro que li dele foi The Go-Between, que acabei hoje. Já o tinha lido
na adolescência, na cadeira de Inglês, mas, na altura, não gostei tanto como
agora. Talvez a visão da casa onde Leo Colston passou o Verão de 1900 fosse
submergida pela paisagem do Nebraska presente em My Antonia, de Willa Cather,
que me maravilhou e assombrou durante anos. E que me continua a inspirar
frequentemente.
Hoje, aos 33 anos, porém, conheci melhor e compreendi as emoções
fortes e quase dionisíacas das personagens de L.P. Hartley, especialmente Ted
Burgess, uma força da natureza, embora trágica e muito frágil, ao mesmo tempo.
Um livro a ler (e a amar).
Maaz (Christian Volckman)

(imagem de Maaz, de Christian Volckman)

(imagem de Renaissance, de Christian Volckman)
Christian Volckman é um dos realizadores de animação mais surpreendentes da
actualidade. Ficou conhecido pela obra Renaissance, de 2006, realizada através
da técnica motion capture, que consiste na gravação de movimentos de actores
reais que, depois, serão utilizados para a animação de modelos digitais em 3D.
A curta-metragem Maaz, que vi ontem, foi uma das suas rampas de lançamento. O
filme, nitidamente surrealista é, segundo alguns críticos, uma tentativa de
adaptação ao estilo de motion capture, resultando num exercício de estilo
bastante interessante e belo.
Quanto a Renaissance, poucas palavras também haverá a dizer. Um dos melhores de
animação dos últimos anos. Daniel Craig está irreconhecível.
Jorge Vicente
(Maaz: filme completo)
(excerto de Renaissance)