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FEEDS


 

COLUNA POETICA DE MARIA PETRONILHO

Quero sonhar Primavera!

verde esperança
densa bruma

a gente espera
o rio flui
para o mar

o céu de azul
se enaltece
e as nuvens
brancas do céu
parecem desconhecer
que a terra adormece
no tempo do despertar
de o alegre sol luzir
de o coração vibrar
de o júbilo ecoar

as pétalas ainda são
arco íris pelo campo
mas apenas descontento
reflecte o nosso olhar
aonde irei buscar
a esperada primavera
que enfloresceu abril?
desfeita em espuma
e pesar

quimeras que hão de voltar
a elevar-se no ar
mãos empunhando
uma flor

vozes juntas a cantar
união paz e amor!

 

O Poeta Palhaço

Poeta, conto-te um caso
Que conheço bem de perto:
Era uma vez um palhaço
Pobre e roto, caricato,
De narizinho redondo
De um carmesim esfolado.
Entrava em cena quando
Nos bastidores do circo
Se maquilhava um outro
Que usava fato bordado
Riso pintado no rosto
Chapéu como o de Tartufo
Cantava em voz de contralto...

O palhaço de que falo
Voava em cada salto
Como se o levasse um sonho
Não se ria no entanto
E ficava sempre mudo.
Quando se achava no escuro,
Ficava vazio o circo,
Encolhia-se num canto
Abria a voz de seu pranto
E sozinho, libertado,
Tirava um papel do bolso
E, com o dedo lambuzado,
No suor do próprio rosto,
Ia escrevendo, escrevendo
Em poemas, seu calvário
De pobre palhaço risonho,
Enfim assumindo o vulto
Dessoutro sério, tristonho.

Encolhido no seu canto,
Descobria enfim o choro
Do ai profundo, seu Fado
Ser poeta alistado
De peito dilacerado...

Esquecendo então ser mudo
Soava o alto carpido
Estremecido, enfim solto.
Mau grado tendo o pano
Da tenda para abafá-lo,
Soava tão dolorido
Que alarmava todo o povo
Perturbando-lhe o sono.

Mal o amanhecia o dia
Punha-se a varrer a areia
E ao papel que escrevera,
Usando a tinta da cara,
Em confetes o rasgava;
Ia enfim lavar a cara
E de novo, pintalgava
um semblante de alegria.

Tomava assento a plateia
Entrava o palhaço em cena
... No brilho da noite, ria!

 

Digo

Aquém do meu ser total,
Que não sei dizê-lo todo,
Apenas
Sei e sinto
Que não sei dizer tudo,
Nem quanto.
E que há algo imerso
Dentro de quem sou
Que conheço e desconheço
Porque me transcende o entendimento.

Só sei dizer o imenso
Mais do que eu
Que me avassala,
Que não de todo se solta,
Que não vejo mas me inquieta,
Que é muito maior do que eu.

Como se eu fosse rede
E uma ave enorme
Dentro de mim se debatesse
E me rasgasse
Sem contudo conseguir soltar-se,

Para que um dia alguém me
Encontre!

 

A felicidade das pequenas coisas

Que felicidade
Acordar e ver a cor do céu!
Tomar um banho com sabão
Beber um café fumegando
Abrir o trinco da porta
E sair em passeio
Levando um caderno e um livro.
Sentar na esplanada da praça
E ver as crianças brincando.
Dar migalhas aos pombos na palma da mão
E ficar em sustida alegria sorrindo
Quando um pardal se afoita em sentar-se à mesa.
Que felicidade
Olhar o céu e desenhar com os olhos
Paisagens de nuvens coloridas!
Ver os barcos que levam saudades vagarosas
No azul do rio que se lança no abraço do oceano
Que bom o aroma
Dos ramos das floristas mergulhados nos baldes de zinco
Florindo as esquinas de arco-íris!
Convidando quem passa em solidário aroma,
Que bom o pão fresco na padaria
Onde se derrete a manteiga!
Que delicia inigualável a do leite das manhãs!
Entrar em casa, pisar o tapete
E ao rodar da chave a saudação
Dos pipilos dos pássaros contentes!
Escutar uma canção enquanto se inventa o almoço
Escutar as notícias e saber de toda a gente
Por vezes com lágrimas, por vezes com sorrisos....
E abrir uma janela de magia
Aonde o mundo se reúne em diálogo
Num ponto de encontro chamado Amizade!

 

 

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